Revista Rua

2019-09-20T12:30:25+01:00 Cultura, Outras Artes

Bairro Metropolitan: uma experiência imersiva que celebra a diversidade

O Bairro Metropolitan é um bairro atípico que aparece e desaparece das cidades, marcado por um cenário singular, inspirado na magia, no mistério e no universo circense. Este evento pop up estará em Lisboa entre os dias 3 e 6 de outubro.
Maria Inês Neto20 Setembro, 2019
Bairro Metropolitan: uma experiência imersiva que celebra a diversidade
O Bairro Metropolitan é um bairro atípico que aparece e desaparece das cidades, marcado por um cenário singular, inspirado na magia, no mistério e no universo circense. Este evento pop up estará em Lisboa entre os dias 3 e 6 de outubro.

Entre os dias 3 e 6 de outubro, a capital lisboeta será invadida por uma celebração de arte, diversidade e cultura, trazendo ao público a oportunidade de vivenciar experiências únicas e inesquecíveis. O Bairro Metropolitan é um bairro atípico que aparece e desaparece das cidades, marcado por um cenário singular, inspirado na magia, no mistério e no universo circense – apelando ao conceito de ser temporal num determinado espaço. Neste caso, o Bairro Metropolitan pretende instalar-se no novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa. O que vai acontecer dentro deste bairro é segredo, mas podemos desvendar já algumas novidades.

Este bairro é preenchido por avenidas e ruas temáticas, nas quais acontecem intervenções de vários artistas nacionais, assim como inúmeros espaços pop up instalados em contentores marítimos e tendas circenses. Dos vários artistas, destacam-se Miss Susie, Vanessa Teodoro, Maria Imaginário, Catarina Glam e Rita Ravasco, entre muitos outros. Apelando à cultura trendy das sociedades contemporâneas, este bairro pretende colocar Lisboa na agenda cultural nacional e internacional.

Para conhecer melhor o projeto, falamos com uma das mentoras, Catarina Vasconcelos – que juntamente com Joana Ornelas – deram vida a esta ideia há muito pensada. O projeto é da autoria da produtora It’s Always Now.

Qual é o principal conceito do Bairro Metropolitan?

Queremos muito passar a mensagem de que os bairros só existem se cuidarmos do planeta. Teremos algumas dinâmicas que vão estar a acontecer no Bairro neste sentido, como por exemplo na Rua do Lince. Nesta rua, a Catarina Glam projetou uma peça de dois metros e meio que é a face do lince ibérico, toda revestida a cortiça. A acompanhar esta instalação teremos também uma exposição sobre a problemática desta espécie.

Esta intervenção artística vai acontecer de que forma?

Foi uma inspiração que partiu dos típicos bairros, tanto de Lisboa, Porto ou qualquer cidade do nosso país, mas no mundo do atípico. A nossa ideia é que as pessoas entrem no Bairro Metropolitan e sintam que entraram num mundo quase ao contrário. No imaginário coletivo, vão poder ver cenas de artistas com diferentes valências – teatro, circo, dança, entre outras. Por exemplo, quando entram na Pink Street, verão umas janelas rosa fúcsia com duas vizinhas que falam entre si e com os visitantes do bairro, sendo que a linguagem e expressão corporal delas remete a uma típica conversa de bairro. Esta será apenas das muitas experiências artísticas que se pode viver no Bairro Metropolitan. Teremos, ainda, uma galeria de arte que é instalada num contentor marítimo transformado, na qual contamos com artistas parceiros que estarão a comercializar várias peças de arte assinadas pelos respetivos autores. As pessoas tanto podem conhecer este universo artístico, através das exposições, como podem adquirir as peças.

Como é que vai funcionar o conceito de montar e desmontar um bairro numa cidade como Lisboa?

Acredito que as pessoas cada vez procuram mais viver, em vez de ter determinadas coisas. Vivemos um bocado a era da experiência como o novo luxo e, portanto, achamos que é um formato que está vivo para a atualidade, para aquilo que as pessoas querem viver e sentir. Depois também vai buscar a ilusão do mundo circense, quase como antigamente, quando o circo chegava às cidades e tinha um papel importantíssimo, devido às experiências que proporcionavam às pessoas. Fomos buscar essa emoção e essa parte imersiva que o circo, na sua génese, trouxe em termos de arte.

E na parte da gastronomia?

Procuramos trazer comidas locais. Vamos ter, por exemplo, comida tailandesa, comida de tártaro, ostras e até o tradicional hambúrguer. Mas procuramos trazer diversidade e chamar a atenção para esta diferença que tem de ser celebrada.

“Queremos proporcionar uma experiência imersiva, memórias impactantes e de alguma forma podermos contribuir para espalhar esta semente na mente das pessoas. Viemos todos do mesmo sítio, mas com resultados diferentes e o Bairro celebra essa diversidade, o facto de serem ruas com universos muito diferentes, mas que funcionam em conjunto. A arte permite essa possibilidade.”

Qual a intenção por detrás da escolha do local para instalar o Bairro?

Este bairro que aparece e desaparece das cidades traz tantas experiências diferentes e celebra a diversidade em tantas formas díspares, onde cada rua tem um tipo de arte e essa arte mistura-se. Na música, privilegiamos um cartaz de jazz e bossa nova que encerram em si o máximo de democracia. E, paralelamente a isso, os terminais de cruzeiros e as chegadas dos barcos estão sempre no nosso imaginário coletivo. A ideia de uma viagem, da descoberta e da conquista, está muito ligada ao nosso ADN estrutural, enquanto povo. E no nosso bairro temos muitas mensagens relacionadas à tentativa de sermos mais. Mais respeitadores da diversidade, permitimos que a arte chegue a mais sítios, daí o primeiro evento ser de entrada livre, também o facto de passarmos a ideia de que a arte ser o veículo da mensagem de que temos de cuidar do planeta. Fazia todo o sentido celebrar este bairro no novo Terminal de Cruzeiros.

O que tencionam proporcionar aos visitantes?

Queremos proporcionar uma experiência imersiva, memórias impactantes e de alguma forma podermos contribuir para espalhar esta semente na mente das pessoas. Sabemos que os comportamentos não se mudam de um dia para o outro, nem vai acontecer apenas por um evento, mas podemos colocar essa semente. Mostrar que a arte é uma experiência, que nos permite encontrar universos dentro de nós que não os conheceríamos sem essa mesma experiência. Portanto, a arte deve ser o mais democrática possível, porque se não conhecermos a arte não vamos encontrar esses universos, nem vamos evoluir. E essa possibilidade de termos um estímulo deve ser dada de igual forma a todas as pessoas. Viemos todos do mesmo sítio, mas com resultados diferentes e o Bairro celebra essa diversidade, o facto de serem ruas com universos muito diferentes, mas que funcionam em conjunto. A arte permite essa possibilidade.

Todas as informações relativas ao evento podem ser consultadas aqui.

Partilhar Artigo: