Revista Rua

2022-02-21T11:57:22+00:00 Opinião

Balada

Crónica
Francisco Santos Godinho
21 Fevereiro, 2022
Balada

Lembro-me de ter mais saudades de certas memórias do que de certos dias
(talvez tudo isso seja saudade por mim disfarçada sob um pudor sem sentido) – problema que se resolve abrindo as nossas gavetas, melhor ainda, olhando por uma janela e ver o que surge, viver nunca deixa de ser espantoso, medo, dor, culpa, uma enorme culpa de viver na absurda ilusão de que os sorrisos não são senão máscaras que o passado nos apresenta escondendo ecos, escondendo outras máscaras que não desvendamos pela

enorme dificuldade que temos em encarar a simplicidade de viver, (acreditem que é fácil)

(ou talvez não seja)

sei lá, hoje não sei se sei responder a isto
abrimos fendas no mundo e metemo-nos nelas à espera que alguém nos salve desses garrotes de angústia. Se entendêssemos melhor tudo isto, perceberíamos que a vida nos chama de trás para que avancemos e que a luz esmorecida não é o começo do desaparecimento, mas um sol distante por desvendar.

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Autor do livro Sentido dos dias e da página Francisco Santos Godinho. Escritor. Luto contra o tempo de caneta na mão.

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