Revista Rua

2020-08-11T11:57:26+00:00 Cultura, Outras Artes

Cápsula do Tempo: a mais recente proposta criativa d’A Oficina, em Guimarães

Cápsula do Tempo irá guardar em segredo as memórias, histórias e lembranças dos tempos de pandemia – aos olhos dos mais pequenos – revelando-as apenas daqui a uns anos.
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto10 Agosto, 2020
Cápsula do Tempo: a mais recente proposta criativa d’A Oficina, em Guimarães
Cápsula do Tempo irá guardar em segredo as memórias, histórias e lembranças dos tempos de pandemia – aos olhos dos mais pequenos – revelando-as apenas daqui a uns anos.

A Oficina transformou o Pergunta ao Tempo, um projeto educativo, artístico e cultural que envolve os alunos de Guimarães, numa verdadeira Cápsula do Tempo, a qual irá guardar em segredo as memórias, histórias e lembranças dos tempos de pandemia – aos olhos dos mais pequenos – revelando-as apenas daqui a uns anos.

A necessidade de readaptação do conceito da 4ª. edição desta iniciativa tão acarinhada pel’A Oficina foi crucial para evitar o encerramento inconclusivo de um projeto que viria a ser trabalho conjuntamente com as escolas desde o início do ano letivo. Desde 2016 que o Pergunta ao Tempo cria um elo importante de ligação entre A Oficina e todos os alunos das turmas do 4º. ano do concelho de Guimarães – num total de 14 agrupamentos envolvidos – terminando com uma exposição na Casa da Memória, que representa o culminar do grande trabalho desenvolvido pelas escolas, pelos professores e pelas respetivas famílias dos estudantes. Face ao contexto da pandemia, este projeto viria a ser interrompido em março, deixando a impossibilidade de terminar da forma habitual, mas adquirindo um novo rumo. “A equipa de Educação e Mediação Cultural pensou muito sobre isso, porque preocupava-nos imenso, dado todo o trabalho investido por parte dos alunos e das famílias, não haver uma conclusão na edição deste ano. Então, tivemos a ideia de pegar nestes tempos que vivemos e tentar retirar deles o melhor”, conta-nos Fátima Alçada, diretora artística d’A Oficina.

Ainda que com os alunos em regime de ensino à distância, A Oficina lançou a todos o desafio de expressarem as suas noções pessoais face ao contexto de pandemia, através do registo que fosse mais interessante e oportuno para cada um. “Podiam escrever, desenhar, fazer um vídeo…tinham liberdade total. A ideia era que nos fizessem chegar as suas histórias, para que as guardássemos nesta Cápsula do Tempo, que estará lacrada durante os próximos cinco anos”. Passado este período, o objetivo será abrir este mesmo arquivo e expor todos os registos nele guardados. Ao todo, participaram mais de 300 alunos neste projeto.

Para Fátima, o Pergunta ao Tempo “é um projeto muito aglutinador, porque acontece em todas as freguesias do território de Guimarães”, através de iniciativas que decorrem ao longo do ano escolar, na missão de incentivar os alunos a partirem à descoberta do melhor do território: a sua história, as suas gentes, a cultura que o distingue e as vivências. Ainda que o objetivo para o próximo ano letivo seja que o projeto retome as suas dinâmicas tradicionais, o programa será readaptado a uma nova normalidade, na premissa de garantir a segurança de todos, mas também a contínua convivência entre a sociedade e os espaços culturais d’A Oficina.

Recentemente, Fátima Alçada assumiu a direção artística d’A Oficina, ainda que num período mais conturbado, mas garante: “É um enorme e belo desafio. Agrada-me muito ver A Oficina como uma estrutura cada vez mais integrada, em que as pessoas olham para nós e percebam o que é A Oficina através do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) ou da Casa da Memória e entendam que há uma missão que é comum a todos nós, ainda que com objetivos diferentes”, continuando: “Para mim, isso é muito importante, porque A Oficina tem também muito trabalho ‘invisível’, por detrás dos palcos, desde o património, o artesanato, a investigação, o trabalho da Educação e Mediação Cultural…e eu gostaria de dar cada vez mais visibilidade a este quadro menos visível e trabalhar uma maior afirmação d’A Oficina em Guimarães e no restante território, como um projeto que alia a educação e a cultura de uma forma muito consistente. A cultura e a educação andam sempre de mãos dadas n’A Oficina”.

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