Revista Rua

2018-05-03T10:59:31+00:00 Opinião

Carnaval dos namorados

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João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
2 Fevereiro, 2018
Carnaval dos namorados

Costuma dizer-se que, quando se juntam duas pessoas ruins, seja em que aspeto for, só se estraga uma casa. Neste ano, o mesmo se pode aplicar ao Carnaval e ao dia dos namorados, que só estragam uma semana – apesar de a Champions e a Liga Europa recomeçarem nessa altura. Mas pronto, estragam na mesma. E aqueles que só estragam uma casa, provavelmente, gostam destas datas e não sabem que elas estragam uma semana, tal como não sabem que eles próprios estragam uma casa. Enfim, delírios.

Não quero focar-me muito nos aspetos pelos quais o dia dos namorados é relativamente desprovido de significado, porque não quero fazer cair futuros compromissos, já que ainda vai levar uns anos até este texto desaparecer da internet e a situação não está fácil. E também porque respeito muito os plantadores de rosas vermelhas, os e as floristas (para o caso de a Rita Ferro Rodrigues ler isto) e a indústria das almofadas em forma de coração.

Sobre os problemas do Carnaval, muito havia a dizer, mas só tenho mais 2000 caracteres. A primeira questão tem alguma relação com o dia dos namorados, porque deve haver bastantes moças que, namorando alguns anos com a mesma pessoa, poderão notar uma certa propensão do parceiro para se vestir de mulher, algumas vezes sabendo que tipo de maquilhagem deve aplicar e até como combinar roupa. Com todo o respeito pelas opções de cada um, mas essa é a hora de ter uma conversa, preferencialmente no quarto, porque sempre tem um armário mais perto para a pessoa sair.

Uma mulher vestir-se de homem é mais raro, mas também há muito boa gente a ser levada ao engano pela Catwoman que vê, não sabendo o que está por detrás da máscara. Depois, pode ser demasiado tarde. Fazei cuidado, ide para casa antes das duas da manhã.

Outro problema, o mais grave de todos, para mim, é que, no Carnaval, calha quase sempre de chover e de estar frio, estragando os planos de se cumprir a tradição secular portuguesa de pôr moças de biquíni a dançar samba, um tradicional bailado do nosso país. Antes do aquecimento global, em todos os Carnavais era inverno, imagine-se agora que a meteorologia está mais tola do que o génio que teve a ideia de fazer isto em Portugal pela primeira vez. Urge mudar este tempo. Ou acabar de vez com essa ‘tradição’, talvez seja mais fácil. E já que estamos nisto, parar de convidar atores de novelas brasileiras dos anos 90 para serem reis do Carnaval.

Finalmente, uma palavra para as criancinhas, que um dia vão rever as figuras que faziam na infância e vão partilhar, orgulhosamente, aquela foto do tempo em que se vestiram de personagem da Patrulha Pata – se é que ainda é isso que bate, não estou atualizado sobre esse assunto. Um cafuné deste que vos escreve e que se vestiu de Charmander no Carnaval de 1999.

P.S.: Parabéns à Revista RUA (que é esta, estão no sítio certo) pelo seu segundo aniversário e por estar a cumprir um ano de crónicas da minha pessoa, sem isso ter feito com que a revista fechasse e, pelo contrário, até tivesse crescido. É notável!

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