Revista Rua

2023-09-14T00:28:56+01:00 Cultura, Pintura

Carolina Piteira apresenta Know Your Place/ No Teu Lugar em Lisboa até 10 de setembro

Carolina Piteira apresenta-se em nome próprio com a exposição Know Your Place/ No Teu Lugar. Uma viagem ao mundo feminino, no atual estado da sociedade. Para ver e sentir na Rua Nova do Almada nº 48, em Lisboa, até 10 setembro.
Carolina Piteira ©Márcia Soares
Cláudia Paiva Silva18 Agosto, 2023

Carolina Piteira apresenta Know Your Place/ No Teu Lugar em Lisboa até 10 de setembro

Carolina Piteira apresenta-se em nome próprio com a exposição Know Your Place/ No Teu Lugar. Uma viagem ao mundo feminino, no atual estado da sociedade. Para ver e sentir na Rua Nova do Almada nº 48, em Lisboa, até 10 setembro.

Carolina Piteira estudou em Lisboa e em Londres. Viajada, mulher, mãe, tomou as rédeas para esta nova exposição após alguém lhe ter perguntado algo inusitado: Quando deixaria de ter filhos e voltaria ao trabalho. Algo completamente estranho e espantoso, uma vez que nada a condicionou nesse sentido. Aliás, nem nela, nem em qualquer outra mulher, que se divida entre a família e a sua profissão.

É exatamente por este tipo de preconceito ainda muito enraizado que surgiu o Know Your Place – cuja tradução à letra poderá ser “Sabe qual é o teu lugar”.

E, qual é, na verdade, o lugar das mulheres no dia de hoje?

Numa época em que um filme como Barbie levanta muitas questões sobre o universo da Mulher (spoiler alert para o discurso da personagem de America Ferrera na película), e qual o seu verdadeiro espaço num mundo ainda pautado pela presença masculina enquanto “cabeça de família”, esta exposição, com sabor a tropical, desvela-se tão sensível, quanto brutal.

Os nossos pesos, as nossas batalhas, as nossas responsabilidades.

Com estas premissas, entrevistámos Carolina, para a Rua.

Carolina Piteira ©Márcia Soares

Broken Flowers ou Steel Magnolias (alusão ao filme, Flores de Aço)? Qual é o real lugar da Mulher no mundo atual?

Acho que nunca vi nenhum dos filmes! Mas pelo nome, diria que Steel Magnolias é uma boa descrição da minha visão das mulheres. Somos incrivelmente fortes e resistentes, mas conseguimos superar todos os desafios mantendo uma graciosidade, num equilíbrio muito feminino.

Explorando a obra, podemos ver influências multiculturais, mas também alusões ao meio ambiente. O dia a dia é refletido nestas pinturas. Como se sente no mundo atualmente, o que a leva a pintar estes temas?

Enquanto artista sinto que os meus trabalhos não podem ser apenas decorativos, é importante passar alguma mensagem para o público. A arte é a melhor forma de comunicação, é transversal a todos. Como habitante neste mundo e neste tempo, não consigo desligar-me destes temas, que têm um impacto tão grande na minha vida. Assim, procuro criar obras que transmitam não só a minha perspetiva sobre o assunto, mas também alguma mensagem que incentive a uma ação.

Quais as principais inspirações? Os países que mais marcaram, e que mulheres podemos esperar que sejam a inspiração?

Viajar é para mim uma forma de conhecer novas realidades. Uma das viagens mais marcantes que fiz foi ao Rajastão, no Norte da Índia. Voltei profundamente inspirada pelas pessoas, pelas paisagens e pela cultura.

Sinto que tenho uma admiração geral pelas mulheres, que aumentou ainda mais desde que fui mãe. E nesse aspeto, algumas das mulheres que mais admiro são também as que são mais próximas. A minha mãe, por exemplo, foi sempre uma grande inspiração em toda a minha vida.

Será que poderemos considerar esta exposição uma viagem à História do papel da Mulher ao longo dos tempos? Os vasos azuis, remetem, facilmente numa primeira visão, aos vasos gregos da antiguidade. Será que sentimos mudança, ou ainda há um longo caminho a percorrer?

É uma reflexão interessante e que refere bem a universalidade desta mensagem. Estas questões de responsabilidades, expectativas e desigualdades recaem em todas as mulheres, independentemente de nacionalidade e cultura e mesmo da era em que vivem. O caminho a percorrer é longo, mas quando olhamos para trás percebemos que já percorremos uma longa distância. Espero que quem visite a exposição se consiga identificar com estas questões, mas também com a vontade de continuar a trabalhar para um mundo mais igual.

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