Revista Rua

2020-05-12T22:39:26+00:00 Em Destaque, Negócios

Casa da Agrela: o moderno projeto residencial do atelier Spaceworkers

Com o objetivo de alcançar a união perfeita entre as formas e as emoções, o trabalho deste atelier centra-se numa reflexão paradigmática e num espírito crítico.
Henrique Marques e Rui Dinis, diretores criativos do atelier Spaceworkers
Redação
Redação11 Maio, 2020
Casa da Agrela: o moderno projeto residencial do atelier Spaceworkers
Com o objetivo de alcançar a união perfeita entre as formas e as emoções, o trabalho deste atelier centra-se numa reflexão paradigmática e num espírito crítico.

O atelier Spaceworkers, localizado a norte do país, mais concretamente em Paredes, baseia a sua prática na procura constante por novos paradigmas de arquitetura contemporânea. Com o objetivo de alcançar a união perfeita entre as formas e as emoções, o trabalho deste atelier centra-se numa reflexão paradigmática e num espírito crítico que rege e avalia todos os desafios.

© FG+SG

Fundado pelos atuais diretores criativos Henrique Marques e Rui Dinis e pela diretora financeira, Carla Duarte, o atelier apela à sensibilidade dos seus clientes para uma nova forma de encarar e perspetivar cada espaço na sua dimensão sensorial. Com um portefólio reconhecido, importa destacar alguns dos projetos mais desafiantes: a Casa da Agrela, situada em Paredes. Uma das poucas premissas do cliente residia na intenção de ter um espaço propício a guardar inúmeros livros, uma preponderância especial no dia a dia da família que viria a habitar esta casa com uma área total de 475m². Partindo desta necessidade, a inspiração transportou os arquitetos para as inúmeras imagens representativas das bibliotecas mais clássicas em todo o mundo, com as tradicionais escadas deslizantes que possibilitam aceder à montanha de livros que vivem em generosas estantes. A partir desta referência, foi possível perspetivar um espaço com um pé-direito duplo, capaz de se assumir como o elemento-chave para a composição do projeto.

A ideia foi evoluindo e a experimentação volumétrica conduziu à diferenciação funcional de cada um dos espaços, através de alturas diversas. A cobertura – uma massa inquieta que reage às funções nucleares da habitação, com diferentes alturas, que ajudam a hierarquizar momentos distintos dentro da casa – assume, na sua plenitude, o estatuto de quinto alçado, com uma especial importância na geração dos restantes quatro. Subitamente tinha sido criada uma cobertura densa, mais pesada e com um aspeto monolítico, proporcionando uma ideia de massa que levita sobre elementos interiores de madeira e vidro, suscitando uma noção de estar quase a esmagar o utilizador, lembrando-o da sua escala e da importância ancestral da casa enquanto abrigo. Contrariamente, o interior é dominado pela abundância de luz natural que remete para um espaço mais arejado, moldado por paredes caiadas de branco.

O tempo é também um agente de composição importante, assumindo um factor crucial na arquitetura. Os elementos construídos em betão procuram registar a passagem do tempo, através da textura da sua variada cofragem (a forma ou o molde de construção). À semelhança da cobertura, assume também altos e baixos, saliências e reentrâncias, permitindo ainda capturar o tempo com o movimento das sombras nos diferentes momentos do dia, proporcionando um certo aspeto dramático às fachadas. O betão irá envelhecer naturalmente, integrando-se na sua dimensão rural envolvente, sendo que o mesmo acontecerá com a madeira de base, que irá sofrer intempéries, uma vez que é um material natural, o que acabará por enriquecer a casa com a preciosa passagem do tempo.

Com um vasto reconhecimento internacional pelos inúmeros projetos assinados pelo atelier Spaceworkers, podemos destacar uma nomeação, em 2013, para o prémio The Great Indoors, com o projeto Centro de Informação da Rota do Romântico, projeto esse que viria no ano seguinte a obter a honrosa menção atribuída pela plataforma online Architizer, no âmbito do seu prémio internacional de arquitetura A+ Awards. No ano de 2015, o projeto Casa de Sambade foi vencedor do Building of the Year Award 2015 e também o A+ Awards 2015, na categoria Private Houses XL Popular Choice, promovido pela plataforma Architizer. Ainda nesse ano, o atelier viria a integrar o Architects’ Directory, promovido pela revista internacional Wallpaper que seleciona anualmente arquitetos emergentes em todo o mundo.

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