Revista Rua

2019-10-30T15:50:26+00:00 Cultura, Outras Artes

Casa da Arquitetura recebe uma exposição inédita do acervo de Eduardo Souto de Moura

A exposição Souto de Moura – Memória, Projectos, Obras estará patente na Casa da Arquitetura do Porto até setembro de 2020.
Fotografia ©Nuno Sampaio
Maria Inês Neto16 Outubro, 2019
Casa da Arquitetura recebe uma exposição inédita do acervo de Eduardo Souto de Moura
A exposição Souto de Moura – Memória, Projectos, Obras estará patente na Casa da Arquitetura do Porto até setembro de 2020.

A Casa da Arquitetura – Centro Português de Arquitetura vai inaugurar, no dia 18 de outubro, a inédita Exposição Souto de Moura – Memória, Projectos, Obras, que estará patente até setembro de 2020. Esta é a primeira mostra monográfica dedicada ao arquiteto Eduardo Souto de Moura e a maior exposição realizada, até ao momento, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos.

Numa altura em que o prestigiado arquiteto português celebra 40 anos de carreira, destacando a atribuição do prémio Pritzker, em 2011, o maior galardão mundial na área da arquitetura, Eduardo Souto de Moura aproveita o momento para refletir e pensar, naquilo que já fez e no que ainda está por vir. “Esta exposição é como uma ata destes 40 anos. Acho que valeu a pena. Agora vou partir para outra, porque isto ajudou-me muito a refletir e a pensar sobre muitas coisas”, afirma o arquiteto Eduardo Souto de Moura.

Fotografia ©Nuno Sampaio

Com curadoria de Francesco Dal Co e Nuno Graça Moura, a exposição espelha a primeira leitura extraída do enorme acervo daquele que é um dos mais prestigiados arquitetos contemporâneos nacionais. Integrando cerca de 40 projetos, esta mostra vai invadir a Casa da Arquitetura, contando com cerca de 604 maquetes, 8500 peças desenhadas e toda a documentação textual e fotográfica que contempla os diversos projetos. Todo o material da exposição é original e a maior parte nunca terá sido exposto até à data, sendo tudo apresentado rigorosamente como consta no arquivo da Casa da Arquitetura, sem qualquer manipulação ou omissão.

A exposição contempla duas partes, uma que pretende expor o arquivo e outra parte mais dinâmica sobre o processo de produzir do arquiteto Eduardo Souto de Moura, dividindo-se em dois espaços, respetivamente, na nave expositiva e na Galeria da Casa. Esta será a primeira exposição monográfica de grande dimensão que a Casa da Arquitetura realiza e é a única a ocupar os dois espaços em simultâneo.

“É muito importante entendermos que, quando falamos de arquitetura, o segredo das exposições, normalmente, são representações da arquitetura e não a arquitetura em si mesma. São maquetes, desenhos, esquissos, fotografias… são formas de representar a arquitetura. Este projeto mostra para além do que é a exposição”, afirma o diretor executivo da Casa da Arquitetura, Nuno Sampaio. O mesmo partilha ainda que: “É bastante importante para a Casa da Arquitetura dar a entender o processo criativo dos arquitetos. Como é que os arquitetos produzem arquitetura. Dizem as ordens profissionais que 65% a 70% do trabalho do arquiteto nunca chega a ser construído, o que quer dizer que é a partir do conhecimento do acervo e das exposições que podemos mostrar esse mesmo trabalho, que se não fosse assim seria desperdiçado”.

Nuno Sampaio, diretor executivo da Casa da Arquitetura | Fotografia ©Nuno Sampaio

Este grande projeto de exposição e memória da obra de Eduardo Souto de Moura divide-se em quatro atos. A exposição é acompanhada por um livro, editado pela Casa da Arquitetura e pela Yale University Press, que cataloga um aprofundamento técnico e documental, tornando-o disponível às mais variadas análises, interpretações e especulações. Este catálogo terá como ensaístas Álvaro Siza, Carlos Machado, Francesco Dal Co, Nuno Graça Moura, entre outros.

Paralelamente à exposição, ocorre um extenso programa de atividades que promovem uma reflexão disciplinar, envolvendo ciclos de conferências e debates com arquitetos nacionais e internacionais de relevo e interesse. A arte irá cruzar com outras áreas de conhecimento, nomeadamente a música, como acontecerá num concerto da Orquestra de Jazz de Matosinhos, onde haverá um diálogo direto entre os gostos e a curadoria do arquiteto Eduardo Souto de Moura e da Orquestra.

Também irá decorrer um conjunto de visitas guiadas, destinadas à população em geral, com o objetivo de mostrar e vivenciar a própria arquitetura portuguesa, através de percursos organizados que pretendem dar a conhecer alguns edifícios públicos e privados (que de outra forma não abririam ao público). Estas visitas acontecerão em vários momentos ao longo dos dez meses da exposição e em diferentes locais do território.

A exposição inaugura no dia 18 de outubro e estará patente na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, até dia 6 de setembro de 2020.

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