Revista Rua

2018-08-20T12:18:18+00:00 Património

Casa da Memória

Perpetuar a História
Filipa Santos Sousa
Filipa Santos Sousa3 Maio, 2018
Casa da Memória
Perpetuar a História

Desde os tempos de D. Afonso Henriques aos dias de hoje, a Casa da Memória oferece aos visitantes um espaço de reflexão e lembrança, que permite conhecer e mergulhar na história coletiva da cidade ‘berço’ de Portugal. Uma visita que a RUA aconselha a todas as famílias.

“Aqui nasceu Portugal”, a inscrição que se faz ler ao longe no centro da cidade e, ao mesmo tempo se tornou numa de muitas atrações para turistas e fotógrafos, não deixa margem para dúvidas, Guimarães está indelevelmente ligada à História nacional. Se fizermos contas, desde a emancipação de D. Afonso Henriques e a criação de uma nação que perdura até à atualidade, somos herdeiros de um passado milenar. Fruto da riqueza patrimonial envolvente, na qual sobressaem o Castelo e o Palácio dos Duques, nasceu um projeto com o objetivo de preservar este cenário: a Casa da Memória.

Este novo espaço abriu oficialmente as portas ao público em 2016, contudo começou a ser idealizado uns anos antes, na altura em que Guimarães assumiu o papel de Capital Europeia da Cultura. Projetada pelos arquitetos Miguel P. Guedes de Carvalho e José Carlos Melo Dias, a Casa da Memória está localizada em pleno centro da cidade e serviu para fazer renascer os edifícios da antiga fábrica de plásticos Pátria. Desde então, e sob a tutela da cooperativa municipal A Oficina, tem acolhido várias exposições e outros eventos culturais.

Sem ser um museu, a Casa da Memória proporciona aos visitantes um contacto direto com a História, mas numa perspetiva distinta. Trata-se de um centro interpretativo munido de conteúdos ecléticos e multidisciplinares, que reflete sobre o território e a comunidade vimaranense; um espaço para reflexão e lembrança, adequado a todas as idades. Uma das suas caraterísticas mais peculiares diz respeito à valorização das grandes histórias, mas também das pequenas; imbuído com um espírito de paradoxo apresenta uma retrospetiva sobre o passado, presente e futuro. Se de um lado figuram personalidades como o primeiro rei de Portugal ou S. Dâmaso e mitos ancestrais, do outro constam vimaranenses dos dias de hoje. A par da exposição permanente, a Casa da Memória dispõe de uma sala de mostras temporárias e um repositório documental, que permite continuar a registar os momentos do presente para que depois integrem as recordações coletivas vimaranenses.

No passado dia 25 de abril – feriado nacional e símbolo da luta pela liberdade –, este espaço celebrou o seu segundo aniversário. A ocasião foi convenientemente assinalada com a promoção de uma série diversificada de atividades, incluindo visitas às oficinas, bordados e expressão plástica, olaria, música, cozinha, fotografia, narração, projeção de filmes, entre outras. Para além disso, teve lugar uma conversa sob o mote “Onde estava no 25 de Abril de 1974?”, esta pergunta ficou célebre na caricatura de Herman José a Baptista Bastos. Com o intuito de lhe dar resposta, ao desbravarem-se mais questões como “O que fazíamos?”, ou “O que lembramos?”, promoveu-se um momento de partilha em torno da Revolução dos Cravos.

Volvidos dois anos, e com o segundo lugar do prémio Europeu de Turismo Cultural Sustentável da parte da European Cultural Tourism Network (atribuído em 2017), a Casa da Memória promete afirmar-se cada vez mais como um cartão-de-visita da cidade de Guimarães. Fotografia, investigações sobre árvores-memória ou a abordagem a uma certa marginália do município vimaranense figuram no cardápio da instituição para o seu terceiro ano de existência. De novo, a ideia é diversificar os temas, mas sem perder o norte na preservação do passado. Há que olhar para a memória muito para lá do que é óbvio e absorver a essência única desta terra.

Fotografias Capta e Paulo Pacheco

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