Revista Rua

2020-10-23T16:17:03+00:00 Negócios

CASA MF: um jogo geométrico da autoria do Atelier Spaceworkers

Com a exigência de dispor as divisões e, ao mesmo tempo, adquirir o formato “L” no seu todo, a CASA MF transformou-se num jogo de peças encaixadas, quase lúdico.
Redação
Redação23 Outubro, 2020
CASA MF: um jogo geométrico da autoria do Atelier Spaceworkers
Com a exigência de dispor as divisões e, ao mesmo tempo, adquirir o formato “L” no seu todo, a CASA MF transformou-se num jogo de peças encaixadas, quase lúdico.

Por Sara Araújo

Se não estivéssemos a falar de um projeto real, até poderíamos dizer que a CASA MF resulta de uma brincadeira de crianças com legos, tal é o jogo geométrico criado pelos arquitetos do atelier Spaceworkers. A pedido de um casal com dois filhos pequenos, os arquitetos Henrique Marques e Rui Dinis enfrentaram um desafio: criar uma casa em formato “L”, mas sempre com um cunho de inovação e emoção sensorial, já caraterístico dos trabalhos do atelier Spaceworkers.

Este é um atelier de arquitetura e design, criado pelos atuais diretores criativos Henrique Marques e Rui Dinis e pela sua diretora financeira, Carla Duarte. Entrelaçando formas com emoções, os seus trabalhos acompanham os novos paradigmas de arquitetura contemporânea, sempre com uma visão pragmática. Desde a fundação em 2007 que o atelier, localizado em Paredes no Norte de Portugal, procura mostrar aos seus clientes uma nova forma de encarar o espaço, insistindo que este é um instrumento de comunicação, ordenamento e de interação com os sentimentos do público. A CASA MF é exemplo disso mesmo, um projeto arrojado e pensado para oferecer um ambiente intimista durante os momentos familiares.

Com a exigência de dispor as divisões e, ao mesmo tempo, adquirir o formato “L” no seu todo, a CASA MF transformou-se num jogo de peças encaixadas, quase lúdico. Numa visão geral, as divisões assumem diferentes hierarquias, mas unem-se harmoniosamente, criando uma dinâmica espacial única e privilegiando a interação e a privacidade dos habitantes. Pensada para uma família de quatro elementos, esta moradia incluiu quatro quartos, uma sala principal e outra de convívio, um escritório, cozinha, casas de banho e ainda um espaço exterior com jardim e piscina.

Oferecemos-lhe uma visita guiada pela moradia. Começando pela exterior, o lado norte é obscuro e fechado. Da rua é apenas possível identificar duas aberturas para ver o céu e outra a partir dos dormitórios que dá para o pátio interior. Rodeada por fachadas de betão aparente cofrado a madeira, a casa isola-se do exterior através de uma sucessão de volumes opacos, brutos e herméticos. Ao entrar de facto na casa, somos surpreendidos por um grande plano de vidro, que proporciona uma agradável quantidade de luz no interior da moradia. Logo junto à entrada, está o escritório para as reuniões do proprietário, resguardando a intimidade da família, que pode circular nas restantes zonas sem passar por aquela divisão.

Os mais pequenos também não foram esquecidos e têm o seu próprio espaço multiusos, perspetivando que, daqui a uns anos, poderá ser também um local de estudo. Por enquanto, é uma sala para brincar, com a particularidade de que a entrada de luz está numa cota próxima ao chão, permitindo assim que, ao estarem sentadas a brincar, possam ver o jardim.

Já os quatro quartos são contínuos e dispõem de acesso independente para o jardim e para a piscina. Os closets não destoam das outras divisões, acompanhando também o jogo volumétrico da moradia. Aproveitando a luz natural oferecida por três clarabóias presentes em três dormitórios, as casas de banho iluminam-se conforme o tempo do exterior. Outra divisão importante da casa é a suite principal, composta por dois volumes de escalas diferentes unidos por um pequeno pátio interior, trazendo um pouco da natureza para dentro da casa.

Apenas um núcleo está afastado das restantes divisões, localizando-se junto à piscina, uma estratégia implementada com o objetivo de proporcionar ainda mais privacidade.

Partilhar Artigo: