Revista Rua

2021-07-15T15:42:23+01:00 Radar

Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida apresenta, a partir de 17 de junho, a exposição Santuários, de Renée Gagnon

Antas megalíticas fotografadas e reinventadas pela pintura em exposição no Centro de Arte e Cultura.
©Luísa Ferreira
Redação15 Julho, 2021
Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida apresenta, a partir de 17 de junho, a exposição Santuários, de Renée Gagnon
Antas megalíticas fotografadas e reinventadas pela pintura em exposição no Centro de Arte e Cultura.

O Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida apresenta, a partir de 17 de julho de 2021, em Évora, a exposição Santuários, de Renée Gagnon, com curadoria de Manuel Costa Cabral.

Renée Gagnon, artista canadiana a residir em Portugal há várias décadas, apresenta nesta exposição fotografias de grande formato, que representam antas irlandesas, bretãs, holandesas e portuguesas. Sobre cada fotografia – que edita e prepara com transformações por vezes subtis – a artista usa com gestos precisos guache, lápis, aquarela. Frente às fotografias de antas realizadas na Bretanha, na Bélgica e em Portugal, num corpus não exaustivo de 21 peças, Renée Gagnon transforma, aprofunda, inventa, clarifica.

Num dos textos incluídos no catálogo que acompanha exposição, assinado por João Pinharanda, diretor do Instituto Camões, em Paris, pode ler-se: “A ambiguidade de estatutos e indizibilidade de sentidos das obras de Renée Gagnon é acentuada pela ambiguidade disciplinar em que se situam. São, de facto, fotografias pintadas: embora pudesse parecer que uma simples manipulação digital bastaria para alcançar resultados sensivelmente idênticos, o registo mecânico é contrariado por uma máscara pictórica de lenta e preciosa execução num cruzamento de tal modo subtil que pode escapar a olhares menos atentos. O tempo imediato da fotografia e o tempo lento da pintura, o tempo histórico longo e o tempo da sua / da nossa própria experiência cruzam-se no campo do discurso especulativo que a artista desenvolve. É este conjunto de recursos sobrepostos que nos oferece as cenografias instáveis onde podemos introduzir de novo a dominante Tempo como eixo de entendimento da série.”

Na mesma publicação, o arqueólogo Manuel Calado afirma que o trabalho de Renée Gagnon se focou, sobretudo, “em monumentos relativamente anónimos, embora imponentes, em quatro áreas bastante diferenciadas, na Europa ocidental (Bretanha, Holanda, Portugal e Irlanda), cujas relações com as respetivas paisagens se mantêm relativamente intactas, bem integradas, e onde se pode sentir, com menos interferências, a força intemporal destas verdadeiras obras de arte, muito valorizadas, certamente, nas suas épocas, patinadas entretanto pelo passar do tempo e amplificadas, hoje em dia, pelo distanciamento e pela estranheza.” E acrescenta: “Os monumentos megalíticos europeus são obras da criatividade humana que atravessaram milénios e aterraram, mais ou menos incólumes, no nosso tempo. Olhá-las com olhos de ver e, de certo modo, recriá-las, é uma homenagem justa aos nossos antepassados, os artistas megalíticos, sonhadores como nós e, como os artistas do nosso tempo, abrindo caminhos novos e, como sempre, insondáveis.”

Por seu lado, José Alberto Ferreira, Diretor do Centro de Arte e Cultura, considera Renée Gagnon uma viajante que, “na sua busca destes santuários que pontuam há milénios as paisagens da Europa, percorreu e fotografou antas na Irlanda, Bretanha, nos Países Baixos. Fotografou também antas do Alentejo, território de eleição no qual apresenta agora o seu trabalho. É este mapa de afetos que o Centro de Arte e Cultura agora tem o gosto de acolher e partilhar”.

A exposição poderá ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 19h, com entrada livre. 

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