Revista Rua

2020-07-27T15:55:16+00:00 Radar, Sabores, Vinhos

Cerveja artesanal com sotaque português

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Nuno Sampaio
Nuno Sampaio27 Julho, 2020
Cerveja artesanal com sotaque português

Uma loira, uma ruiva, uma preta… só podíamos estar a falar de cerveja e, neste caso, de cerveja artesanal. Longe vão os tempos em que Portugal era apenas conhecido pelos famosos vinhos que levavam o bom nome lusitano além-fronteiras. Portugal tem ganho um espaço no coração dos amantes de craft beer e o número de marcas no país já ultrapassa as 100, além do crescimento importante de lojas, bares, tap rooms, festivais e outros eventos que movimentam o mercado.

Para além das tradicionais belgas, alemãs e checas, e das sempre inovadoras inglesas e nórdicas, o boom da cerveja artesanal espalhou-se para países onde o consumo de cerveja sempre foi alto, mas restrito à produção industrial. Chegar a um bar e pedir um “fino” ainda é tradição, mas os paladares estão mais apurados e existe um conhecimento cada vez mais aprofundado e uma procura mais acentuada pelas cervejas artesanais. Tudo isto resulta na criação de bares dedicados quase em exclusivo às criações nacionais.

De todas (e são muitas) escolhemos cinco marcas que, ou porque foram pioneiras, revolucionárias ou mesmo pelo atrevimento, produzem da melhor golden drink do país.

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Cerveja Sovina

Alberto Abreu, Arménio Martins e Pedro Sousa tinham uma paixão em comum: a cerveja e o seu fabrico. Em 2009 juntaram-se para formar a empresa Os Três Cervejeiros, um projeto que começou com uma loja cervejeira vocacionada para a formação e disponibilização de equipamentos e matérias-primas para produção de cerveja caseira. Mais tarde, em 2011, depois de dois anos a elaborar lotes experimentais e a apurar receitas, foram produzidas e engarrafadas as primeiras cervejas Sovina, recorrendo somente a ingredientes naturais. Este projeto foi pioneiro em Portugal e hoje, já adquirido pelo grupo Esporão, tornou-se uma referência no sector de cervejas premium em Portugal, contribuindo para a construção de uma cultura de cerveja.

As cervejas Sovina são produtos 100% naturais, livres de produtos químicos, aditivos ou conservantes. São ainda criadas com recurso a técnicas tradicionais de produção.

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Cerveja Musa

 Com o lema, “está-me mesmo a apetecer beber uma cerveja”, o Nuno e o Bruno, numa viagem entre Porto e Lisboa, pela A1, decidiram que faltava qualquer coisa no que diz respeito a cervejas artesanais em Portugal. E foi a estrada que os fez despertar para viagens mais longínquas. Depois de muitos quilómetros feitos com o objetivo de assistir à grande revolução da cerveja artesanal pelo mundo, onde loucas breweries foram visitadas, longas conversas foram desenrodilhadas e, acima de tudo, muitas cervejas foram bebidas, faltava o fio condutor da ideia – um cervejeiro. Nick, o viking, parte com -20º de Pittsburgh e aterra em Lisboa com +15ºc. A receita para a Musa estava encontrada e, em 2016, produzem-se as primeiras cervejas.

A Musa tem a música no seu ADN. Foi com ela que a marca foi lançada, foi ao lado dela que abriram todos os espaços e foi através da música que lhe deram uma vida própria, alicerçada na capacidade universal que a música, assim como a cerveja, têm de unir e aproximar as pessoas. Nomes como Born in the IPA, Mick Lager, Red Zepplin ou Peste e Sidra são o perfeito exemplo de como a música anda de mãos dadas com a Musa.

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Cerveja Letra

É ainda em ambiente académico que surge a FermentUM, spin-off da Universidade do Minho que, em 2013, apresenta no mercado a Cerveja Letra. Com o objetivo de criar em Portugal um maior conhecimento e cultura cervejeira, procura inovar e elevar o valor do produto cerveja. Em 2015 criaram o conceito Letraria Brewpub com o intuito de se aproximarem dos seus seguidores. Desde então a procura e desenvolvimento de novas receitas e experiências, muitas delas em parceria, são o desafio constante de toda a equipa.

Das 20 receitas que desenvolveram, destacam-se seis variedades: uma loira, uma preta, com um sabor intenso a café, uma de trigo, uma ruiva, uma indian pale ale, “bastante amarga porque tem muito lúpulo” e uma cerveja “tipicamente belga, mais intensa”.

A cerveja LETRA desde 2017 que participa na competição internacional Barcelona Beer Challenge onde, até ao momento, foi premiada nas quatro últimas edições com sete medalhas em diferentes estilos. Este ano não foi exceção vencendo uma medalha de prata com uma cerveja com uvas da casta Alvarinho, uma cerveja produzida em parceria com o enólogo Anselmo Mendes.

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Cerveja Vadia

A cerveja Vadia, sediada em Ossela, Oliveira de Azeméis, conta no seu currículo com inúmeras medalhas nos principais concursos internacionais de cerveja, nomeadamente World Beer Awards, World Cider Awards, Brussels Beer Challenge e Concours International de Lyon. Conta com uma imagem de marca irreverente, uma oferta alargada de cervejas nos diversos estilos, mas sobretudo destaca-se com um produto adaptado ao consumidor português que não tem hábitos de consumo de cervejas especiais.

Com um espaço de 1000 m2, dos quais 250 m2 são reservados à produção da cerveja, a Vadia engloba também um BrewPub onde, todos os fins-de-semana são apresentados espetáculos de música ao vivo, stand up comedy e teatro. Neste momento, a cerveja Vadia conta com cinco gamas de cervejas onde constam as mais diversas variedades de aromas: Harmonização, Original, Especiais, Sidra e Sem Álcool.

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Cerveja 1163

Esta é mais uma cerveja com raízes minhotas que também começou por uma enorme paixão pela cerveja. Vítor Rodrigues, viticultor e enólogo, deixou a produção vinícola e decidiu criar a sua própria marca de cerveja, a 1163 – alusão ao foral de Ponte de Lima. O projeto, que surgiu em 2016, conta com quatro tipos de cerveja diferentes (Loira, Preta, Ruiva e Rosé), e uma sidra.

Aproveitando os recursos existentes no concelho, a 1163 inclui também no portefólio edições limitadas, elaboradas através de métodos artesanais, nomeadamente para épocas festivas, como o Natal ou a Páscoa, tais como cerveja de cacau e sidra de mirtilo.

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Cerveja Almbeer

Almbeer é mais uma cerveja com pronúncia do norte criada por especialistas com conhecimentos particulares das preferências dos consumidores africanos e europeus.

Segundo a marca – detida pelo Grupo FMO – “Almbeer é uma cerveja jovem, leve e fresca que proporciona sensações únicas de consumo para o genuíno apreciador”. Tem um amargo suave, cor e brilho sedutores e a particularidade de ter sido desenvolvida para países cujas temperaturas médias rondam os 20° e com um teor alcoólico de 4,5% (ligeiramente inferior a marcas concorrentes que apresentam valores superiores a 5%).

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