Revista Rua

2019-12-02T17:08:31+00:00 Cinema, Cultura

Chegou ao fim mais uma edição do Porto/Post/Doc

©Gonçalo Dias
Redação
Redação2 Dezembro, 2019
Chegou ao fim mais uma edição do Porto/Post/Doc

Texto e Foto: Gonçalo Dias

A edição de 2019 do porto/post/doc chegou ontem ao fim depois de 8 dias e 133 filmes. Em mais de uma centena de propostas houve espaço para tudo, do nacional ao internacional, do mais formal ao mais experimental, do novo ao velho cinema, de acordo com uma expansividade que começa mesmo a ser imagem de marca do festival. Pelo meio, fomos para além do cinema, com concertos, dj sets, performance e fóruns que completaram o programa.

Depois de uma sessão esgotada de abertura com “Leonard and Marianne: Words of Love” que veio a ser repetida no último dia, o grande auditório do teatro Rivoli voltou a encher por completo no passado sábado à noite, com uma espécie de tripla sessão na qual foram conhecidos os vencedores dos prémios porto/post/doc 2019 e exibido “O Filme do Bruno Aleixo” precedido da mais recente curta metragem de Leonor Teles, “Cães que Ladram aos Pássaros”.

Quanto aos troféus, Terril de Bronthe Sthal, arrecadou o Prémio Cinema Novo, atribuído pelo Canal 180, devido à “originalidade do tratamento cinematográfico na abordagem de uma temática central do nosso tempo: a questão ambiental”.  O Prémio para Melhor Realizador Emergente coube ao indonésio Yosep Anggi Noen por The Science of Fictions, “um retrato humano e político de uma alma solitária”. Já o júri constituído por alunos de escolas artísticas do Porto, atribuiu o Prémio Teenage a Shooting the Mafia, de Kim Longinotto, documentário sobre a corajosa fotojornalista Letizia Battaglia que se destacou pela sua investigação fotográfica à atividade da máfia siciliana e suas brutais consequências, num registo que combina precisamente um olhar sobre o fenómeno da máfia e menos interessantes momentos sobre a sua própria vida pessoal, sem nunca atingir uma ligação plena entre as partes. Por fim, o Grande Prémio da Competição Internacional foi para Transnistria, de Anna Eborn, “pela extrema sensibilidade que a cineasta teve ao abordar um universo tão frágil, compreendendo o processo de ‘coming of age’ através de uma linguagem cinematográfica muito essencial e intensa”. Eborn, que tem na forma como filma uns dos seus maiores méritos, demora-se no mundo dos miúdos que regista, rodeia-os como se fosse um deles e convoca um olhar poético que se une à dimensão documental com uma beleza muito particular e algo rara.

Numa semana com alguma chuva, o festival beneficiou da proximidade geográfica entre os seus principais palcos para evitar correrias maiores àqueles que organizaram as suas escolhas entre Rivoli e Passos Manuel. De salientar ainda a acessibilidade que este ano foi levada mais além ao ser possível aceder aos filmes pelo valor de 1€ para estudantes, uma muito respeitável tentativa de fazer com que o cinema, nomeadamente o cinema independente, não deixe de chegar às novas gerações. Novo ou não tanto, o público compareceu e o porto/post/doc regressa no próximo ano, de 21 a 29 de Novembro.

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