Revista Rua

2021-04-22T09:59:40+01:00 Cultura, Outras Artes

CIAJG abriu as portas com um programa artístico renovado

O novo ciclo de exposições que reabre o CIAJG foi apresentado a 16 de abril e ficará patente no museu até dia 5 de setembro.
Maria Inês Neto22 Abril, 2021
CIAJG abriu as portas com um programa artístico renovado
O novo ciclo de exposições que reabre o CIAJG foi apresentado a 16 de abril e ficará patente no museu até dia 5 de setembro.

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), em Guimarães, abriu portas com a apresentação da nova agenda cultural que contempla a atividade artística para os próximos tempos.

Intitulado Nas margens da ficção, o programa artístico que acompanha a reabertura do museu conta com a curadoria geral de Marta Mestre e será assinalado pela inauguração de oito exposições inéditas, com intervenção de vários artistas de diferentes origens. O objetivo passa por proporcionar novos diálogos com a coleção permanente do artista José de Guimarães.

O novo programa artístico sucede a Para além da história, que teve autoria de Nuno Faria e completou oito anos, em 2020. Nas margens da ficção procura debruçar-se sobre o fazer ficcional da arte e remete para a polifonia e o emaranhado de vozes – ainda que contraditórias – que disputam o museu, caminhado no sentido de dar margem à ficção. Recorrendo à imaginação, é possível convocar formas de conhecimento esquecidas ou em desuso, assim como especulações digitais, tradições orais, construções mitológicas e até fábulas. Segundo a curadora do museu, Marta Mestre: “Usar intensivamente a ficção no rearranjo entre nós e os outros e experimentar formas de existirmos juntos é uma forma de reescrever a gramática do museu, questionando os seus processos de seleção e exclusão. O museu é a máquina, a engrenagem, deste fazer ficcional e narrativo. Espaço tradicional da purificação dos discursos, mas também da fratura entre objetos, subjetividades e ideias, importa repensá-lo”.

Ao longo dos próximos três anos, todas estas ideias agora apresentadas serão exploradas através de ciclos de exposições e programas públicos compostos por visitas, conversas, debates, sessões de cinema e performances. O museu abre-se a uma permanente crítica e construção, na procura por dar resposta a questões como: “O que narram hoje os artistas?”; “Como olham o passado?”; “Que narrativas e mitos nos propõem num mundo em que a proximidade e a distância se reconfiguram?”. Responder a estas perguntas é a experiência que dita o novo programa artístico.

O ciclo programático procura dar vida às mostras Cosmic Tones, com Francisca Carvalho a apresentar um conjunto de desenhos a pastel de índole visceral, musical e futuristas, assim como Passado, de Rodrigo Hernández, um artista mexicano com intervenção na coleção permanente e que irá ficcionar a ideia de tempo passado através de objetos de diferentes épocas. Segue-se Blindado, em que Fernão Cruz constrói e desconstrói memórias de infância por intermédio de uma instalação de grandes dimensões, composta por figuras em papel maché e pinturas em tecido. Já Complexo Colosso destaca o “Colosso de Pedralva”, um caso de arqueologia especulativa com desdobramentos no imaginário português e galego que contará com a participação de diversos artistas, como Alisa Heil e André Sousa, Andreia Santana, Carla Filipe e Gareth Kennedy, ente tantos outros. Algumas exposições constituem-se como remontagens que dizem respeito ao trabalho artístico, a partir da coleção permanente do museu e das várias ficções e narrativas, nas quais se incluem amostras Mistérios do fogo – uma exposição coletiva que estreia um conjunto assinalável de 50 esculturas africanas. Sala das Máscaras convida…Sarah Maldoror, uma artista que ocupará uma das salas mais emblemáticas do CIAJG para apresentar uma ideia de “cinema crítico”. A exposição Signos Sinais surge como um breve capítulo da longa narrativa sobre o signo realizado por José de Guimarães e que o CIAJG assume como linha de pesquisa continuada em que o número, a letra ou a grafia, entre outros, são elementos de uma crítica ao signo na obra do artista.

O novo ciclo de exposições que reabre o CIAJG foi apresentado a 16 de abril e ficará patente no museu até dia 5 de setembro. A 18 de abril, pelas 11h00, o serviço de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina leva a cabo uma visita orientada para dar a conhecer um pouco melhor o novo programa artístico do CIAJG.

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