Revista Rua

2020-10-19T23:11:25+00:00 Cinema, Cultura

CINEECO 2020: E o vencedor é… “O Que Arde” de Oliver Daxe

A direção do CineEco frisou que a pandemia não pode impedir de levar a cabo uma missão: “a divulgação e sensibilização para as temáticas ambientais”.
Redação
Redação19 Outubro, 2020
CINEECO 2020: E o vencedor é… “O Que Arde” de Oliver Daxe
A direção do CineEco frisou que a pandemia não pode impedir de levar a cabo uma missão: “a divulgação e sensibilização para as temáticas ambientais”.

Por Sara Araújo

Face ao cenário de pandemia mundial, a 26ª edição do CineEco, um festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, decorreu em formato físico e digital, entre os dias 10 e 17 de outubro, numa edição marcada por cinema português. A direção do CineEco frisou que a pandemia não pode impedir de levar a cabo uma missão: “a divulgação e sensibilização para as temáticas ambientais”. Realizado na Casa Municipal da Cultura de Seia, o programa do festival desdobrou-se em EcoTalks, exibição de 77 filmes e entrega de prémios, onde a obra cinematográfica de Oliver Daxe, O Que Arde, arrecadou o prémio mais importante, o Grande Prémio Ambiente – Município de Seia na Competição Internacional de Curtas-Metragens.

Numa história envolvente, O Que Arde fala-nos de uma comunidade que vive tranquila nas montanhas da Galiza e vê a sua paz perturbada com um fogo que ameaça destruir toda a natureza. Ao mesmo tempo, um condenado regressa à comunidade e todas as suspeitas caem sobre ele. Na mesma categoria, El Tren de Los Pies Ligeros, de Miguel Coelho, conquistou o Prémio Antropologia Ambiental – Zurich Seguros. Este documentário leva-nos até à Sierra Tarahumaraao, no México, e dá-nos a conhecer a realidade de um povo indígena. A menção honrosa foi atribuída a Oriane Descout com a obra Castelo de Terra, no interior do Brasil.

Ainda na Competição Internacional de Curtas-Metragens, a animação Entre Baldosas, do argentino Nicolas Conte, ficou com o Prémio Curta Metragem Internacional – Turistrela. Já na na Competição de Séries e Reportagens Televisivas, a obra de Vera Moutinho, Anna Mergulha no Lixo para Combater o Desperdício Alimentar, conquistou o Prémio Televisão. Este trabalho aborda o conceito de dumpster diving, que consiste em mergulhar dentro dos contentores para onde são descartados os alimentos que as grandes superfícies descartam e desta forma, combater o desperdício alimentar.

O Prémio Valor da Água – Águas do Vale e do Tejo foi para o trabalho de Henry M. Mix e Boas Schwarz com On Thin Ice, um documentário sobre os efeitos das alterações climáticas no Ártico russo. Na secção da Juventude, composta por um júri de seis jovens, entre os prémios atribuídos podemos destacar: o Prémio da Juventude Longas Metragens Internacionais atribuído a The Village and the Wildfire, de Kathrin Reichwald, o Prémio da Juventude Curta-Metragem Internacional entregue a Bruno Caetano pelo trabalho O Peculiar Crime do Sr. Jacinto e o Prémio da Juventude para Série e Reportagem de TV recebido por Miguel Cortes Costa e Ricardo Guerreiro graças à obra Malcata – Conto de uma Serra Solitária.

Marcada por um forte patriotismo, nesta edição cerca de metade das obras em competição eram portuguesas. Por exemplo, Nuno Tavares estreou-se na realização com A Alma de Um Ciclista e arrecadou o Prémio Melhor Longa Metragem em língua portuguesa. Também Patrícia Pedrosa distinguiu-se com Viragens, conquistando o Prémio Melhor Curta Metragem em língua portuguesa. Já o jovem Tiago Cerveira voltou a receber o Prémio Panorama Regional – Casa da Passarella com a Máscara de Cortiça, depois de, no ano passado, ter subido ao palco a agradecer o mesmo galardão por Pagar a Promessa.

As implicações da pandemia e o futuro dos festivais de cinema serviu de assunto para as EcoTalks, assim como outros temas atuais, como o crescimento das transmissões streaming, film comissions e a valorização dos territórios, as novas tecnologias e a educação ambiental, o papel do cinema ambiental na formação dos públicos em idade escolar e as interligações e diferenças entre cinema e televisão. Sem necessidade de pré-registo ou inscrição obrigatória, as EcoTalks foram transmitidas em formato live, no Facebook do CineEco.

O festival contou ainda com a apresentação do livro de Ana Pêgo e Isabel Minhós Martins, Plasticus Maritimus, uma obra que retrata o flagelo do plástico e incentiva os leitores a procurar formas de reduzir o consumo deste material.

Com uma história de mais de 25 anos, o CineEco é um projeto pioneiro por ser o único festival de cinema em Portugal dedicado ao ambiente. Com grande prestígio internacional, este festival recebe, habitualmente, mais de 600 participações, com propostas de diversos países. Distingue-se ainda pela divulgação de projetos cinematográficos menos conhecidos e pela procura de novos públicos, aproveitando os turistas da Serra da Estrela.

O CineEco 2020 é organizado pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas. Conta ainda como patrocinador principal a Lipor e com o patrocínio das Águas do Vale do Tejo.

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao festival deste ano, já se sabe que a 27ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela terá lugar em Seia, entre os dias 9 e 16 de outubro de 2021.

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