Revista Rua

Coimbra: entre o amor e as lágrimas, um roteiro romântico imperdível

Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira13 Fevereiro, 2019
Coimbra: entre o amor e as lágrimas, um roteiro romântico imperdível

É na companhia do Mondego que começamos a escrever este roteiro. Coimbra é cidade calma, apesar do movimento que tão calorosamente acolhe quem chega. Nas ruas da baixa da cidade, há esplanadas convidativas, há esconderijos que revelam o melhor da gastronomia, há História que ecoa pelo tempo. A pé, num dia em que o sol de inverno nos mostrou o cenário perfeito, percorremos o romantismo de Coimbra, uma cidade em que o conhecimento e as lendas se apresentam de mãos dadas, numa autêntica história de amor – quase tão forte como a de D. Pedro e D. Inês.

Iniciámos o percurso no coração de Coimbra, junto à icónica Sé Velha, vagueando pelas artérias que nos convidam a descer, até à baixa. Se há melodia que acompanha a descida, certamente é o Fado de Coimbra, que se faz ouvir pelos recantos, como um cântico antigo que nunca é esquecido. Neste registo, a paragem obrigatória é o Fado ao Centro, uma casa de Fado que, todos os dias, sem exceção, apresenta um espetáculo de Fado ao vivo (pelas 18h).

Cruzando a Porta de Almedina, a antiga porta de entrada da cidade, encaminhamo-nos para a zona mais central da cidade, onde a arte urbana coabita com as fachadas antigas, mas cheias de vida. É nesta zona que podemos encontrar os cafés e algumas lojas perfeitas para encontrar o presente ideal para este Dia dos Namorados.

Mas, por muito que o centro de Coimbra nos convide a descer e a subir, visitando os museus, a Universidade, a Biblioteca Joanina e gravando a paisagem sob o Mondego na nossa memória, não há lugar mais perfeito para visitar neste mês romântico do que a imponente Quinta das Lágrimas. É aqui que a História se preserva e é aqui que o amor se imortaliza.

Quinta das Lágrimas ©Nuno Sampaio

A Quinta das Lágrimas é, ao mesmo tempo, amor e tragédia – não fosse este o local emblemático da história marcante entre D. Pedro e D. Inês de Castro. Se são vários os elementos que por toda a cidade de Coimbra celebram o amor de Pedro e Inês (como a bela ponte pedonal Pedro e Inês), é na Quinta das Lágrimas que o amor perdura e as juras eternas parecem ouvir-se ainda, passados mais de 650 anos. Vamos à História? A Quinta das Lágrimas remonta a 1326, apesar do palácio em si ser do século XVIII. Hoje em dia, a Quinta das Lágrimas é o único hotel de cinco estrelas na cidade de Coimbra, com 55 quartos e vários hectares compostos por jardins e mata. Reabilitado como hotel há cerca de 25 anos, a Quinta das Lágrimas é composta por três alas: a ala Palácio, que é a mais histórica; a Jardim, que dá acesso direto aos magníficos jardins da quinta; e a ala 4 elementos, uma parte mais moderna e com decoração mais clean. É nesta última ala que se encontra o spa e, desde já, deixamos a sugestão para os casais de apaixonados: a massagem Pedro e Inês, com opção de 30 minutos (110 euros) ou 50 minutos (155 euros) e ainda o programa Amores, que inclui uma esfoliação, uma massagem de corpo inteiro e uma massagem facial. Informe-se com a Quinta das Lágrimas porque há ainda possibilidade de usufruir de pacotes especiais com almoço, por exemplo.

Relativamente aos quartos, há várias opções, de decoração mais clássica à mais contemporânea, mas o ex-libris é, claro, a suite chamada Pedro e Inês. É uma suite duplex, ricamente ornamentada, com uma ampla sala de estar e um quarto, no andar superior, digno de filme romântico.

Já nos restaurantes, a Quinta das Lágrimas tem duas opções de escolha – e uma para uma refeição mais leve. Começamos pela joia da coroa, o Restaurante Arcadas, com vista para o jardim e com funcionamento por reserva (sempre aconselhável). É um espaço intimista, ideal para um jantar romântico. Aqui há menus de degustação e também sugestões à la carte, sempre acompanhados por um bom vinho da Bairrada – sugerimos o vinho branco ou tinto com rótulo Pedro e Inês, produzido exclusivamente para a Quinta das Lágrimas. Depois, há o Restaurante Pedro e Inês, equipado com esplanada e com opções de menu executivo. Também aqui a cozinha é tradicionalmente portuguesa, apesar de existirem sempre influências do mundo. Por fim, para as refeições mais leves, snacks ou simplesmente um aperitivo ou bebida, existe o gastro bar – anteriormente conhecido por “restaurante mais pequeno do mundo”. É um ambiente acolhedor e indicado para uma boa conversa na companhia da sua cara-metade.

Mas, vá, sabemos que o leitor está à espera da parte romântica, de um passeio pelos reconhecidos jardins da Quinta das Lágrimas. Ora cá vamos: a quinta tem cerca de 12 hectares, divididos entre a mata e os chamados jardins históricos. São estes jardins históricos que colocam a Quinta das Lágrimas no mapa e convidam mais e mais visitantes a conhecer a impactante e triste história de amor de Pedro e Inês. Convém, desde já, referir ao leitor que a visita aos jardins é gratuita para os hóspedes do hotel, mas é paga para os restantes visitantes – mesmo assim, é uma visita imperdível. Começámos por destacar a “floresta de bamboo” e o seu belíssimo espelho de água. Vai poder ver aqui algumas gravações de amor cravadas nas árvores, mas aconselhamos a eternizar essas juras nas fitas vermelhas que o hotel coloca à disposição, pendurando-as depois nos ramos das plantas, por exemplo. Depois, a imponente figueira australiana dá-nos entrada à icónica Fonte dos Amores – e agora sim, caro leitor, falamos de Pedro e Inês. Tal como ficou marcada na História portuguesa, D. Pedro, futuro rei de Portugal, apaixonou-se perdidamente por uma dama espanhola, D. Inês de Castro. Um amor proibido por razões várias, mas principalmente por D. Inês de Castro ser de nacionalidade espanhola e isso, por si só, ser uma ameaça ao trono português. Mas a força do amor entre os dois era tanta que era impossível não estarem juntos. Então, esta Fonte dos Amores é um símbolo dessa paixão: a fonte é nada mais, nada menos que um cano de água mandado construir por D. Isabel de Aragão, avó de D. Pedro, para fornecer água ao Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha e, dessa forma, permitir a subsistência das freiras no mosteiro e consequente desenvolvimento da cidade. Numa altura da História, D. Inês de Castro passa a residir nesse mosteiro e, D. Pedro, utiliza esse sistema de água para enviar mensagens a D. Inês, através de barquinhos de madeira. Este é, portanto, um dos principais pontos de atração destes jardins.

Mais à frente, encontramos o principal destaque da quinta, o motivo do seu nome e o local onde, reza a lenda, o fatídico destino do amor de D. Pedro e D. Inês é traçado: a Fonte das Lágrimas, assim apelidada por Luís de Camões, n’Os Lusíadas. A História conta-nos que o amor do futuro rei de Portugal por Inês de Castro era imenso. Quando D. Constança, a esposa de D. Pedro, morre ao dar à luz, D. Pedro inicia uma verdadeira desavença com o pai, o rei D. Afonso IV, que tinha mandado D. Inês para exílio, numa tentativa (falhada) de afastar o casal. Causando um escândalo na corte, D. Pedro ordena que D. Inês regresse do exílio e une-se a ela, com quem tem quatro filhos. Muitos foram os rumores de pretensão espanhola ao trono, de tentativas de assassinato do infante D. Fernando, legítimo herdeiro de D. Pedro com D. Constança, etc., o que levou o rei D. Afonso IV a tomar uma atitude extrema, em proteção do trono português face aos supostos avanços espanhóis: matar D. Inês. De acordo com a crença popular, D. Inês é morta no local desta Fonte das Lágrimas. Mas porquê? Porque a fonte apresenta-se em forma de cruz, sinal de morte, e porque o sangue de D. Inês mantém-se na rocha, numa mancha que o tempo não apaga. Bem, esta é a versão romântica! A mancha vermelha que, de facto, existe nesta fonte tem como causa uma microalga que, por muito que se tente, não desaparece. Mas, lá está, microalga ou não, a verdade é que o sangue derramado de D. Inês continua a cativar os visitantes.

E a si, caro leitor, conseguimos cativar a visitar Coimbra?

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