Revista Rua

2020-03-24T16:34:22+00:00 Negócios, Radar

Comerciantes de Braga pedem apoio do Governo. Manifesto criado já conta com centenas de assinaturas de empresários nacionais

O Manifesto "Pelos Comerciantes" pede ajuda para pagamento de salários e rendas.
Fotografia ©Nuno Sampaio
Redação
Redação24 Março, 2020
Comerciantes de Braga pedem apoio do Governo. Manifesto criado já conta com centenas de assinaturas de empresários nacionais
O Manifesto "Pelos Comerciantes" pede ajuda para pagamento de salários e rendas.

A já descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pandemia de Covid-19 tem feito o nosso país despertar para os riscos do contacto social. Em todas as cidades, mesmo antes do Estado de Emergência ser oficialmente decretado pelo Governo, são várias as atividades comerciais que fecharam por iniciativa própria, numa tentativa de minimizar a propagação do vírus. O caso específico do ramo da restauração, que está parado há quase duas semanas, é neste momento motivo de grande consternação – são já muitos os responsáveis por estabelecimentos comerciais que pedem a atenção do Governo para o drama vivido neste período: a falta de apoio para o pagamento de salários, evitando uma consequente onda de despedimentos, é o principal motivo de manifestação.

Em Braga, por exemplo, há restaurantes históricos fechados, há lojas sem forma de pagar contratos de arrendamento e há um número crescente de funcionários do ramo com receio de despedimento. Numa tentativa de salvaguardar o futuro do sector, foi criado um manifesto a favor dos comerciantes, pedindo medidas específicas ao Governo. A suspensão imediata do pagamento das rendas para todos os estabelecimentos comerciais impedidos de realizar a sua atividade, a não cobrança de quaisquer impostos/obrigações fiscais durante o período de inatividade, assim como a não cobrança dos serviços de água, luz e gás, são os primeiros três pontos destacados por este manifesto. Depois, a criação de linhas de crédito ágeis e rápidas, sem burocracias paralisantes e a juro zero; o adiamento do pagamento de compromissos bancários contraídos antes do cenário de pandemia; a revisão do layoff para os últimos 30 dias; a assumpção, pelo Governo, através da Segurança Social ou de outro mecanismo adequado, de 100% das retribuições até 635€ (salário mínimo nacional) e de 80% até ao valor das retribuições de 1000€, de todos os trabalhadores das empresas encerradas; e a isenção de cobrança de todas as taxas e tarifas municipais (como resíduos sólidos) são pedidos que, de acordo com os comerciantes bracarenses, merecem ser atendidos nesta fase de encerramento de estabelecimentos ao público.

Fotografia ©Nuno Sampaio

“Nós todos, os portugueses, pagamos a crise da banca. Estamos a falar de empresas extraordinariamente grandes, com poder económico que nós não temos. E nós pagamos! Está na altura agora de olharem para nós e nos ajudarem também”, afirma uma das comerciantes, em declarações à RTP.

“Face a este contexto, já vários Governos europeus, assim como o Governo Regional dos Açores, assumiram medidas de apoio verdadeiramente extraordinárias, de injeção direta e imediata de capital na economia, nas empresas e, obviamente, nas famílias, o que, até ao dia de hoje, ainda não aconteceu por parte do Governo português”, criticam os comerciantes bracarenses, fazendo referência às palavras proferidas pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que no passado dia 20 de março, após aprovar a cláusula geral de exclusão do Pacto de Estabilidade e Crescimento, referiu:  “os governos nacionais podem injetar na economia tanto dinheiro quanto for necessário (…) relaxamos as nossas regras para permitir que façam exatamente isso”.

Recorde-se que, em Braga, este seria um período de grande afluência aos estabelecimentos comerciais graças ao movimento que tradicionalmente a Semana Santa potencia. Com as celebrações pascais canceladas devido ao coronavírus, assim como muitas das festividades bracarenses que se avizinhavam, como a Braga Romana, os responsáveis pela restauração da cidade mostram-se preocupados. “A nossa vontade e ambição é manter as empresas, manter os postos de trabalho, pagar os salários, mas é muito claro que só o conseguiremos fazer se o Governo e demais poderes públicos forem capazes de sair, urgentemente, do seu enredo de medidas pouco firmes e ambiciosas”, rematam os comerciantes.

“Nós todos, os portugueses, pagamos a crise da banca. Estamos a falar de empresas extraordinariamente grandes, com poder económico que nós não temos. E nós pagamos! Está na altura agora de olharem para nós e nos ajudarem também”, afirma uma das comerciantes, em declarações à RTP.

Já mais de 700 empresários de todo o país se juntaram ao grupo de reivindicação.

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