Revista Rua

2020-12-14T11:00:05+00:00 Descobrir, Radar, Viagens

Covilhã: o admirável refúgio do centro de Portugal

Uma visita à Covilhã: o que não podemos deixar de conhecer?
©D.R.
Redação
Redação3 Dezembro, 2020
Covilhã: o admirável refúgio do centro de Portugal
Uma visita à Covilhã: o que não podemos deixar de conhecer?

Por Sofia Rodrigues

Não é possível classificar a Covilhã em apenas uma palavra. Desde o clima particular da Serra da Estrela, à conotação histórica da indústria dos lanifícios, ao quotidiano tranquilo da cidade universitária ou ao encantador cenário de belezas naturais, são inúmeros os fatores que a tornam tão única e especial. A verdade é que este pequeno refúgio, protegido por majestosas montanhas, tem um leque de locais, monumentos e curiosidades que não pode perder e, por isso, decidimos criar uma rota com os locais de visita obrigatória.

A Arte Urbana da Covilhã

Passear na zona histórica da cidade da Covilhã é encontrar, a cada passo, o talento de consagrados artistas da street art, do grafitti, da ilustração e da fotografia, que dão nova vida às ruas, dando um toque moderno às construções históricas da cidade.

Este surpreendente conjunto de intervenções artísticas dão, de facto, uma nova aparência estética aos locais e despertam o interesse pela cultura e arte contemporânea, o que transforma a cidade num verdadeiro “museu ao ar livre” onde se presta culto, fundamentalmente, ao passado glorioso dos lanifícios. Por trás de todas essas “interferências” no espaço da cidade e também de um vasto projeto de valorização turístico-patrimonial aparece a assinatura do reconhecido Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã, pioneiro com estas características no interior do país, que tem vindo a recontar a história da Covilhã através da linguagem do grafitti de artistas nacionais e internacionais.

A Covilhã mostra-se sempre inquieta no que diz respeito à arte urbana e aos notáveis trabalhos que recebe e que deve, sem dúvida, visitar.

©SCRP Município da Covilhã

Os miradouros da Covilhã

Miradouro Marquês D’Ávila e Bolama

Situado no centro da cidade da Covilhã, este miradouro com uma vista privilegiada da cidade e da Cova da Beira, conta com um café-restaurante com uma esplanada panorâmica e ainda um telescópio. O Miradouro da “Minerva”, como já é apelidado pelos covilhanenses por ali ter funcionado a histórica Tipografia Minerva, pela sua localização e pelas suas valências, é de facto um local a visitar.

©D.R.

Miradouro das Portas do Sol

Do Miradouro das Portas do Sol é possível ter a noção do domínio da paisagem que o castelo dispunha, a partir do qual se controlavam os principais acessos à cidade e onde podemos deslumbrar os contornos da antiga fronteira com o reino de Castela. Para além da vista inexplicavelmente tranquilizante, o miradouro conta ainda com duas belas intervenções artísticas.

Varanda dos Carqueijais

A Varanda dos Carqueijais é um miradouro que existe a meio do caminho entre a cidade da Covilhã e as Penhas da Saúde, na Serra da Estrela. Este miradouro permite ver a superfície plana da Cova da Beira, no fundo da encosta está a cidade da Covilhã que se prolonga até à base da serra, onde começa a elevação da Serra da Estrela, tornando-o outro local de paragem obrigatória.

Miradouro Nossa Senhora da Conceição

Perto da Universidade da Beira Interior, o miradouro de Nossa Senhora da Conceição possui um jardim muito agradável e com uma vista magnífica sobre a cidade da Covilhã. A estátua, erguida no início do século XX, ostenta a figura da Virgem Santíssima que protege a cidade, os seus habitantes, e recebe anualmente a cerimónia singular da Benção das Pastas. Os jardins do miradouro convidam a uns bons minutos de descanso e reflexão, acompanhados pela beleza natural e sossego que o local transmite.

OS JARDINS DA CIDADE

 Jardim das Artes

O Jardim das Artes é uma verdadeira conjugação entre o verde, a interatividade e a contemporaneidade. Situado na zona nova da cidade, junto à rua Centro de Artes, dispõe de um percurso pedonal de 840 metros quadrados envolvido por uma vasta zona verde com um jardim de esculturas.

Este espaço possui o maior parque infantil do concelho, um quiosque com esplanada, centro de atividades físicas para adultos, skate parque, espelho de água e uma área com 400 lugares sentados para atividades culturais.

Jardim do Lago

Este encantador manto verde oferece aos visitantes um restaurante, dois bares, um espelho com queda de água, percursos pedonais, barcos de recreio, parque de desportos e um parque infantil. O jardim é complementado com uma piscina-praia que funciona durante os meses de verão, onde são proporcionadas várias atividades. É de destacar “A Sereia”, uma misteriosa escultura que se encontra junto ao lago.

Jardim Público

Construído nos antigos terrenos da cerca conventual do extinto convento de São Francisco, o Jardim Público foi, nos princípios do século XX, palco de espetáculos de beneficência, local das festas complementares da Feira de São Tiago e no seu coreto, até 1938, tocava todos os domingos e quintas-feiras da quadra estival, a banda do “21”.

Atualmente, o Jardim Público foi remodelado de forma a proporcionar uma maior área relvada, intercalada por passeios de madeira, um passadiço sobre o lago, um pequeno anfiteatro e ainda um excelente espaço infantil. O jardim é complementado por um quiosque, um moderno bar esplanada e uma das vistas mais belas da cidade.

Palacete do Jardim

Projetado pelo arquiteto Ernesto Korrodi, na década de 20 do século XX, o Palacete Jardim é considerado o exemplar arquitetónico de Arte Nova mais “característico” da Covilhã. Mandado edificar por José Maria Bouhon, no seu conjunto, destaca-se a harmoniosa mistura de materiais, como o granito, azulejo, mármore e ferro. Dividindo-se em dois pisos, o palacete apresenta na fachada principal um alpendre e várias janelas de diferentes molduras.
No interior destacam-se os salões nobres, decorados ao gosto da Arte Nova, a escadaria e o átrio principal, cujo teto apresenta uma inscrição em latim alusiva ao ano de edificação da casa.

Classificado como monumento de interesse nacional, o Palacete do Jardim encontra-se mesmo ao lado do Jardim Público e chama à atenção de todos que por ali passam.

 

Jardim Botânico de Montanha

O Jardim Botânico de Montanha, inserido no Parque Alexandre Aibéo, reúne uma vasta diversidade de espécies da flora característica da Serra da Estrela, bem como das zonas montanhosas do Sul, do Centro da Europa e do Norte de África.

Através de percursos pedonais devidamente identificados, pode-se apreciar mais de noventa espécies diferentes de árvores, plantas e arbustos – como carvalhos, azinheiras, sobreiros, freixos, ulmeiros, árvores de fruto, faias, ginkgo, cedros, abetos, teixos, giestas e sequóias.

O espaço pedagógico e de lazer dispõe ainda de uma infraestrutura de apoio com receção, sanitários, bar e esplanada panorâmica.

OS MARCOS IMPERDÍVEIS

Ponte da Ribeira da Carpinteira

Uma das mais recentes obras de arquitetura da Covilhã, a Ponte sobre a Ribeira da Carpinteira, também conhecida por Ponte PI, é da autoria do arquiteto João Luís Carrilho da Graça e elevou a cidade a um dos sete destinos mais interessantes do mundo no que respeita ao DesignThe World’s Coolest Destinations, uma distinção da revista Travel & Leisure. Com um design de linhas sinuosas, foi a solução encontrada para dar acesso a uma das zonas mais íngremes da Covilhã. Para além de facilitar a passagem para o outro lado do vale, é também um excelente miradouro sobre a região, avistando-se a Serra da Estrela, de um lado, e a vastidão da paisagem da Cova da Beira, do outro.

 Rota de elevadores

Esta rota circular de cerca de 9km tem início e fim na piscina municipal da Covilhã, englobando a passagem na maioria das estruturas arquitetónicas novas e pinturas da Wool da cidade. Os elevadores espalhados ao longo da cidade permitem conhecer as suas renovações e vislumbrar as belíssimas paisagens que nos oferece. Para além disso, ajudam a evitar subir pelas escadarias, com especial destaque para o elevador que sai da Escola Do Rodrigo para a Garagem de S. João, onde teria de enfrentar 453 longas escadas.

As Muralhas da Cidade da Covilhã

Sancho I, o rei que afirmou a Reconquista Cristã nesta parte do território, mandou construir o Castelo e as muralhas, reforçadas mais tarde pelo rei D. Dinis. O castelo era feito de pedra de cantaria, tinha sete torres e cinco grandes portas, ficando uma delas virada para sul, a Porta de São Vicente, duas para nascente, as Portas da Vila e do Sol, outra para norte, a Porta de Altravelho, e a quinta virada para poente, a do Castelo.

O castelo tinha, de área circundante, nove hectares e a abundância de granito na Serra da Estrela facilitava a construção das muralhas da Covilhã.

Atualmente pouco resta dessas fortificações, servindo alguns antigos muros de contrafortes a habitações, como se pode observar às chamadas Portas do Sol, onde se encontra o miradouro já referido.

A Igreja de Santa Maria Maior

A igreja de Santa Maria Maior é a mais emblemática e a maior igreja da cidade. Foi construída no século XVI sobre o templo medieval de Nossa Senhora do Castelo, por ordem do bispo D. Cristóvão de Castro. A igreja apresenta uma tipologia revivalista e neobarroca e no seu interior é de realçar o retábulo-mor, em estilo rococó, trazido do extinto convento de Santo António e a imaginária ali existente, nomeadamente a de Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Boa Morte ou Nossa Senhora da Assunção.

Museu dos Lanifícios

A Covilhã é a cidade dos lanifícios e, por isso, mesmo tem um património valioso que merece ser visitado. O Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior, integrado na Rede Portuguesa de Museus desde 2002, oferece-lhe um património associado a uma das mais antigas indústrias humanas. Ao visitá-lo, através da singularidade, autenticidade e exemplaridade dos testemunhos nele preservados, vai ficar a conhecer melhor uma das mais antigas indústrias, a de lanifícios, que começou por um trabalho de sobrevivência, mas que foi assumindo uma crescente qualidade e expressão artística até aos dias de hoje.

New Hand Lab

O New Hand Lab é um espaço que promove a criatividade, a inovação e o empreendedorismo através da concretização de ideias, produtos e iniciativas. A procura permanente de materializar a espontânea criatividade de todos aqueles que trabalham no projeto conjunto, deu origem ao Hand Lab, que agora se dá a conhecer publicamente através desta exposição 100% lã, onde se consagra a sustentabilidade da tecnologia criativa. O objetivo é motivar e partilhar este espaço livre com aqueles que se interessam por este tipo de iniciativas.

Museu do Queijo

Localizado na freguesia de Peraboa, o Museu do Queijo pretende homenagear todos os homens e mulheres que se dedicaram à pastorícia e, sobretudo, o queijo. O Museu do Queijo pretende difundir as tradições, o brado dos campos férteis, o pastor, os rebanhos, a transumância e é uma verdadeira viagem sensorial tanto à volta do Queijo da Serra da Estrela, como pelas planícies da Cova da Beira. Este Museu é único em Portugal e dá a conhecer, numa primeira fase, a fauna e a flora no contexto da Serra da Estrela. É também um excelente local para degustar o excelente queijo que se produz na região.

Museu de Arte e Cultura

“Patrimonivs – Museu de Arte e Cultura” é o nome do museu localizado num edifício do século XX, que expõe cerca de cem obras de arte de cariz religioso e arquitetónico espalhadas por cinco pisos que espelham a história do concelho. Um local de visita obrigatória para os amantes de História ou para aqueles que querem saber mais sobre a região

PARQUE NACIONAL DA SERRA DA ESTRELA

Esta é a maior e uma das primeiras áreas protegidas do país. Aqui é possível desfrutar da grandiosa e agreste paisagem da serra. Em pleno Parque Natural, o pastoreio e a agricultura convivem harmoniosamente com inúmeras espécies de fauna e flora. Destacam-se algumas espécies, como o lobo, o javali, a lontra, a raposa, a lagartixa-de-montanha, a cegonha negra, os narcisos e as orquídeas selvagens, espécies estas que poderá eventualmente encontrar num percurso pedestre, uma das muitas atividades que a serra lhe oferece.

©D.R.

A Torre

Um dos pontos de paragem obrigatória da Serra Da Estrela é a Torre, um edifício, localizado no topo da imensa Serra, que simboliza o ponto mais alto de Portugal Continental. Elevada a 1993 metros, a Torre tem sete metros e completa os 2000 metros de altura da Serra da Estrela.

Alguns pontos turísticos encontram-se instalados no edifício da Torre à disposição de quem visita este esplêndido local: lojas que oferecem produtos regionais, como o famoso Queijo da Serra, o mel, o pão, os enchidos e o artesanato variado.

As Penhas da Saúde

Esta aldeia em pleno coração da Serra da Estrela distingue-se pelo seu sumptuoso cenário de montanha. A uma altitude de 1500 metros, a zona é principalmente um resort de inverno. Entre o ar puro e uma preciosa quietude, encontrará um hotel, chalés de montanha e uma aconchegante e moderna Pousada da Juventude.

Da Lagoa Comprida ao Covão dos Conchos

Esta é a maior das lagoas da Serra e tem por finalidade a produção de energia elétrica. Mas, para além de poder apreciar o meio aquático da lagoa, é pelo meio envolvente que a zona é conhecida. Perto, encontra-se também a cada vez mais atrativa Lagoa do Covão dos Conchos, onde existe um pequeno buraco, construído em 1955 para encaminhar as águas da ribeira das Naves para a albufeira da Lagoa Comprida, que proporciona um belíssimo espetáculo ótico que vale a pena descobrir.

Nossa Senhora da Boa Estrela

Situada no lugar de Covão do Boi encontra-se esculpida na rocha a Senhora da Boa Estrela. Inaugurada em 1946, a escultura com mais de sete metros de altura foi elaborada por António Duarte, em homenagem à santa protetora dos pastores. Vale a pena fazer uma paragem e ver a notável obra.

Poço do Inferno

O Poço do Inferno leva milhares de visitantes a subir a íngreme e perigosa escadaria para ver de perto a memorável cascata. O Poço, situado a 1080 metros de altitude, ostenta uma queda de água de dez metros que atravessa a singela Ribeira de Leandres, acabando por desaguar no grande Rio Zêzere.

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