Revista Rua

2019-09-23T10:23:14+01:00 Opinião

É a moda, estúpido!

Sociedade
João Rebelo Martins
23 Setembro, 2019
É a moda, estúpido!

As alterações climáticas são um problema a nível mundial; isso é inegável e há 30 anos que se fala desse problema porque todos os estudos apontavam para o que estamos a viver agora; e a ficção científica, em Hollywood, BD, romance, acompanhou esses estudos e problemas.

Al Gore fala exaustivamente sobre este tema, pelo menos desde 1993, quando era Vice-Presidente da Administração Clinton. Um dos slogans da sua campanha presidencial, em 2000, contra George W. Bush, foi “Leadership for the New Millennium“. O outro, mais conservador, foi “Prosperity and Progress“.

Quem conhecia o passado ambientalista de Gore previa a Casa Branca a assinar o protocolo de Quioto, a adopção de medidas da chamada economia-circular, o pensamento verde.

Gore perdeu as eleições para Bush, mas ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2007, juntamente com o grupo de trabalho da ONU que se debruçou sobre as alterações climáticas.

Ou seja, nada do que se está a passar hoje em dia é novo e ninguém poderá dizer que foi apanhado despercebido.

Com tamanhas alterações, até as empresas energéticas mudaram o seu core e, no site da Eni – uma das maiores energéticas a nível mundial e a maior empresa italiana -, pode ler-se “A fim de garantir um crescimento de longo prazo, uma Companhia deve ser económica, técnica e ambientalmente eficiente. Eficiência é um conceito amplo que inclui evolução contínua, tendo em vista o crescimento, a regeneração do que foi construído no passado, de acordo com as perspetivas que o futuro está a moldar e também a capacidade de se sustentar enquanto elimina desperdícios e perdas. Esse conceito amplo de eficiência está no centro da estratégia da Eni e é executado em toda a empresa, desde processos e produtos até ativos que são regenerados e revitalizados por meio de pesquisas (…)”.

Ou seja, excepto Trump, Bolsonaro e os seus seguidores, há muita gente altamente qualificada, em todo o mundo, a pensar em economia circular, meio-ambiente, sustentabilidade. Não só num plano macro, mas, também, vocacionado para as famílias e a economia doméstica. Até aqui, há anos, a Quercus tem uma rubrica na RTP intitulada “Minuto Verde”.

E, quando estas pessoas pensam, há uma estratégia e um plano de acção. Não é preciso ter um PhD para perceber isso.

Daí saiu a electrificação automóvel, estando todas as marcas a mudar conceitos de construção automóvel, sistemas de car-sharing e mobilidade partilhada, o uso de leds na iluminação pública, a redução do uso de ar-condicionados, o regresso ao vidro e ao metal no embalamento alimentar, etc. São 1001 formas diferentes e práticas de se poupar o planeta.

Há quem tenha começado a fazer reciclagem agora, há quem tenha começado a fazê-lo no início dos anos 90 do século passado. O que importa é que se faça. E não é preciso grandes alaridos!

“Ou seja, excepto Trump, Bolsonaro e os seus seguidores, há muita gente altamente qualificada, em todo o mundo, a pensar em economia circular, meio-ambiente, sustentabilidade. Não só num plano macro, mas, também, vocacionado para as famílias e a economia doméstica.”

Actualmente, no cerne de toda esta questão ambiental, está Coimbra; porque pelos vistos lá, nestes dias, descobriram como reduzir a emissão de gases para atmosfera: eliminar a carne de vaca nas cantinas da Universidade. Não o porco, o borrego, peru ou frango, mas especificamente a vaca.

Sendo Coimbra uma das mais antigas e prestigiadas Universidades mundiais, o discurso de Sua Excelência o Reitor, na abertura do ano escolar, deveria vir acompanhado por um estudo. Mas não. Parece que há regras que só se aplicam na apresentação de trabalhos e teses nos mais diversos graus académicos, mas ficam postas de lado quando se mandam postas de pescada no café, nas redes sociais e, agora, num discurso.

É a moda, estúpido. Poderia ser a frase que resume a actuação dos lentes de Coimbra.

Em Coimbra simplificaram, de forma populista e pseudo-ambiental, anos e anos de estudo.

Por estes tempos, em Coimbra, parece que ficou esquecida a função social e fundamental do Estado, no acompanhamento aos alunos mais carenciados, e que essa função começa na sala de aula e estende-se à mobilidade, alojamento e alimentação.

Para muitos jovens, as cantinas escolares são o único sítio onde podem ter uma alimentação equilibrada e a preço acessível. Muitas famílias necessitam daquela refeição por aquele preço.

Os lentes acham que não.

É a moda, estúpido. E o que é preciso é andar na moda!

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

Partilhar Artigo: