Revista Rua

2019-12-18T13:59:49+00:00 Opinião

E agora Boris?!

Sociedade
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
18 Dezembro, 2019
E agora Boris?!

Boris Johnson venceu as eleições da passada quinta-feira, o Partido Conservador ganhou a maioria, arrasou o Partido Trabalhista. O Reino Unido pode, finalmente, fazer o seu Brexit.

Estudar o Brexit poderia ter sido a salvação da União Europeia; compreender o que leva um país, um povo a querer sair de um projecto de sonho, de união, comunidade, que levou os europeus a terem o maior avanço civilizacional  de que há memória e em paz, seria compreender o mundo, a geopolítica e a geoestratégia a médio e a longo prazo.

Mas os actuais líderes da Europa, de dedo em riste e longe do projecto de Schuman, Adenauer, Monnet e Gasperi, preferiram culpar os britânicos e exigir um pagamento pela ousadia de dizerem que não, a pensar o que deveriam mudar no intrincado tabuleiro de xadrez burocrático e de yes man, em que se tornou a UE, a darem o braço a torcer e a manter o Reino Unido connosco.

Punir financeiramente o Reino Unido abriu a porta à independência da Escócia – pela votação da passada quinta-feira, os 48 em 59 deputados alcançados pelo SNO de Nicola Sturgeon, e o referendo exigido – e, quem sabe, da Irlanda do Norte; com consequências em Espanha, Itália e Bélgica.

Três anos depois do referendo em que o Brexit saiu vencedor, há um parlamento que poderá dar seguimento ao que o povo escolheu. A bem ou a mal, já não era sem tempo para se encontrar uma saída para o impasse criado.

O Reino Unido, ou Inglaterra, Gales e a Irlanda do Norte, ou só Inglaterra e Gales, sairão da União Europeia.

E agora Boris?!

Agora há um intrincado jogo entre vários países: joga-se no plano militar e comercial porque, no fundo, é tudo uma questão de poder e dinheiro.

Do lado Atlântico, Donald Trump dá hurras de alegria porque poderá negociar o inegociável com o Boris Johnson.

Do lado do Mar do Norte há a plutocracia russa e Vladimir Putin a sonhar com Londongrado cada vez mais subalterno à mãe Rússia.

Do outro lado do mundo há a China.

Por isso, a partir de agora, deixo a sugestão de lerem Le Carré e o seu último romance: Agente em Campo.

Saiu em Outubro mas parece que foi escrito na sexta-feira.

Mais uma vez o escritor e ex-espião traz um banho de realidade e imoralidade tão presentes na relação entre Estados, e alerta para o perigo que aí vem.

E agora Boris?!

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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