Revista Rua

2018-06-04T08:18:35+00:00 Opinião

É da nossa natureza

Humor
João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
4 Junho, 2018
É da nossa natureza

Em mais um episódio de “Sítios que não visitei e vivências que não experienciei o suficiente para escrever sobre elas”, trago um texto sobre a beleza natural do Minho, com especial enfoque no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ou só Gerês, a designação toda era só para ocupar espaço.

Realmente, no meu Minho diário há muitos prédios e pouco verde. E ainda bem, por um lado, já que, quando eu era criança, deitei fora um relógio, como vingança por ter sido obrigado a comer uma sopa muito verde. A justificação “eu não sou do Sporting, portanto deitei o relógio ao lixo” é recordada até hoje. Sobretudo porque eu só avisei uns dias depois e, inocente, pensei que o relógio ainda estaria no caixote.

Bem, mas vivemos numa região muito bonita, não vivemos? Vivemos, sim senhor. No que os nossos amigos madeireiros e pirómanos – que são os manos mais pirados que há, como o nome indica – deixam que reste nas nossas paisagens, temos excelentes sítios para fazer caminhadas e tirar fotos para o Instagram, sempre #semfiltro. Pelo menos é o que eu vejo, porque, como saberão, não sou muito de caminhadas, por essa característica que invariavelmente têm, a de serem atividades que cansam, e tão-pouco tiro fotos sem filtro.

“Se eu fosse jogador da bola e me perguntassem se queria pitões de alumínio ou pitões de borracha, eu responderia: “Não, quero Pitões das Júnias. Atarraxar pedrinhas nas chuteiras, de forma a raspar a pele do adversário””.

Como referi lá em cima (não no Gerês, mas no texto), não sou frequentador tão assíduo da zona para explanar aqui uma opinião irónica sobre factos reais. Por isso é que já estou no quarto parágrafo dizendo nada de jeito e assim continuarei até ao fim. E nas próximas crónicas, também, se aqui continuar, que isto nunca se sabe.

Mesmo assim, tenho idiossincrasias a destacar. Mesmo que não tivesse, arranjava, só para poder escrever “idiossincrasias”. A primeira são os excelentes nomes que a região da Peneda-Gerês traz ao léxico português, como o rio Homem, o Castro Laboreiro e a minha preferida, que é Pitões das Júnias. Se eu fosse jogador da bola e me perguntassem se queria pitões de alumínio ou pitões de borracha, eu responderia: “Não, quero Pitões das Júnias. Atarraxar pedrinhas nas chuteiras, de forma a raspar a pele do adversário”.

Outro segmento particular e moderno são as termas e os spas. A zona já não é muito agitada, pelo que ir para um spa é elevar o grau de relaxamento a um nível de Buda com dois Alprazolam no bucho. E que grande bucho tinha o Buda! Imagino que os que frequentam a sauna e o banho turco nestes estabelecimentos sejam os mesmos que, cá fora, se queixam quando a temperatura está acima dos 25 graus e o sol bate forte.

Finalmente, a água. Só não me posso alongar muito, porque começo a pensar em cascatas, depois vem-me a imagem de atrizes brasileiras a tomar banho de cachoeira e… é melhor não. Mas fica aqui registado que a cascata do Tahiti dá um ar exótico à cena e dá também uma excelente mentira para contar aos amigos. Podemos fingir que fomos à Oceânia, mas afinal ficámos cá e com melhor fuso horário.

Pronto, estão feitos os considerandos. Custou, mas custa mais ir a pé ao São Bento da Porta Aberta. Só faltava esta referência, para fechar.

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

Partilhar Artigo:
Fechar