Revista Rua

2018-05-09T13:36:46+00:00 Opinião

Educar para a igualdade e a diversidade: o papel da família

Educação
Carla Cerqueira
Carla Cerqueira
3 Maio, 2018
Educar para a igualdade e a diversidade: o papel da família

Educar para a igualdade e a diversidade – de géneros, raças, etnias, idades, classes, etc. -, é uma tarefa tão difícil quanto necessária. É aqui que reside o papel crucial da família enquanto espaço que permite despertar consciências desde muito cedo e levar à transformação social. Não existem “receitas” para uma educação promotora destes valores porque cada dia é um desafio, mas existem algumas linhas que podem ajudar a refletir e a agir nas práticas quotidianas.

Em primeiro lugar, é fundamental dar o exemplo e isso serve para muitas atividades e contextos no seio da família. Tão importante como explicar, e muito mais do que teorizar, é fazer e incentivar sempre à compreensão do mundo que nos rodeia, o que implica um olhar (auto)crítico e que vá além das dicotomias.

Em casa é importante partilhar tarefas entre todas as pessoas, mostrando que não existem atividades mais direcionadas para meninas ou meninos. Além disso, educar no sentido da responsabilidade e autonomia de cada pessoa é fulcral. Isto vai contribuir para que as crianças e jovens possam mais tarde fazer escolhas, por exemplo vocacionais, mais livres de estereótipos.

Nas tarefas do quotidiano deve educar-se no sentido da diversidade humana. Isto pode ocorrer, por exemplo, através das histórias, dos brinquedos e das roupas que são escolhidos. Estes devem refletir precisamente estes valores e desconstruir estereótipos e preconceitos. Mostrar que não existem brincadeiras de raparigas e rapazes, que as pessoas são diferentes, têm culturas muito variadas, mas não há umas melhores do que outras e que é fundamental (re)conhecer essa diversidade. Incentivar o conhecimento e o contacto pode ajudar muito nesse sentido.

A construção de uma sociedade mais justa, promotora de igualdade e de diversidade começa precisamente em casa, no contexto da família, por isso urge educar para transformar.

A linguagem é outra dimensão crucial, pois é a forma utilizada para nomear as pessoas e o mundo. Assim, nunca se deve recorrer a uma linguagem pejorativa e preconceituosa, a qual será reproduzida. Paralelamente, deve questionar-se as “piadas” que muitas vezes são ditas e que vão contribuindo para perpetuar os sexismos, racismos e muitas outras opressões sociais.

O espaço da família também deve contribuir para a literacia crítica mediática, no sentido em que se deve incentivar um olhar reflexivo relativamente aos vários conteúdos com os quais as crianças e jovens se confrontam diariamente. Não devem existir temas proibidos. Tudo deve ser conversado para que se possam desconstruir determinado tipo de ideias e valores.

Por fim, o contrário da igualdade é a desigualdade e não a diferença e a diversidade. Ao educar é importante que as crianças percebam desde cedo que não se pode ser indiferente às situações de desigualdade social, sejam estas baseadas género, raça, etnia, idade, classe, entre outras pertenças identitárias. A construção de uma sociedade mais justa, promotora de igualdade e de diversidade começa precisamente em casa, no contexto da família, por isso urge educar para transformar.

Sobre o autor:

Investigadora de pós-doutoramento em género e media do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Uni. do Minho e auxiliar na Uni. Lusófona do Porto.

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