Revista Rua

2022-09-21T16:04:47+01:00 Cultura, Fotografia

Encontros da Imagem 2022: o reencontro com a fotografia

O festival internacional de fotografia mais antigo do país regressou uma vez mais e, desta feita, ao formato de inaugurações presenciais com artistas e convidados.
©Miguel Estima
Miguel Estima21 Setembro, 2022

Encontros da Imagem 2022: o reencontro com a fotografia

O festival internacional de fotografia mais antigo do país regressou uma vez mais e, desta feita, ao formato de inaugurações presenciais com artistas e convidados.

Com tantas mudanças constantes pelo mundo, a fotografia torna-se um dos meios que mais facilmente consegue acompanhar e adaptar-se às novas realidades. O festival internacional de fotografia mais antigo do país regressou uma vez mais e, desta feita, ao formato de inaugurações presenciais com artistas e convidados, numa mística muito própria dos Encontros da Imagem.

Com o título de “Common Places”, a quase centena de fotógrafos disseminou-se não só pelo centro da cidade de Braga, mas também pelas cidades vizinhas de Guimarães, Barcelos, Porto e Avintes, num conjunto de 25 espaços com 50 exposições.

Nos últimos anos, o polo central tem sido a Galeria do Largo do Paço, que merece uma bela hora de visita para apreciar as exposições. Talvez por ser um local com tanto para ver que existem três exposições com destaque. Daniel Castro Garcia com  “I Peri N’Tera” explora o multifacetado impacto da migração para Itália desde África, atravessando a Líbia através do Mar Mediterrâneo. Os indivíduos que sobrevivem a esta jornada experimentam múltiplos incidentes traumáticos e, mais tarde, descobrem que a vida em Itália e em toda a Europa se resume ao gueto, xenofobia, desemprego, trabalho exploratório e um longo e difícil processo para conseguir documentação. A exposição, “The Truth is in the Soil” da grega, Ioanna Sakellaraki é uma exploração do luto, desenvolvida durante cinco anos, que representa uma elegia ao seu pai e à quase extinta tradição do luto na Grécia. Após a sua perda pessoal, o próprio processo de luto de Sakellaraki tornou-se a lente através da qual investiga o luto coletivo na sociedade grega, a interseção de rituais ancestrais, o trauma privado e a passagem do tempo. Destaque ainda para a exposição “Nothing Gold Can Stay”, de Matthew Ludak, um projeto documental em desenvolvimento que explora os efeitos da globalização económica a longo prazo nas antigas cidades industriais e a intersecção da depressão económica em pequenas cidades da América.

Do roteiro ainda a destacar duas exposições: a primeira, no sempre acolhedor Museu Nogueira da Silva, Rita Lino apresenta “Replica”, em que a própria define como ”uma nova leitura do corpo e do modelo como uma imagem pura, uma ferramenta pura, sem se referir a qualquer identidade representativa, ignorando assim a sociedade contemporânea de hoje aquilo que o Eu deveria ser.”; Destaca-se ainda o trabalho contínuo que a Associação Encontros da Imagem tem desenvolvido ao longo do ano, com exposições de dois em dois meses na Galeria da Estação. André Castanho é assim o convidado a expor e mostrar uma Braga diferente e ao mesmo tempo tão identitária. “Todos os sítios” é o nome da série que o André foi desenvolvendo durante quase três anos e que procura exercer uma reflexão sobre as condições da paisagem na sua relação com a representação fotográfica.

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