Revista Rua

2020-05-21T14:35:15+00:00 Opinião

Escolhas na adolescência; heróis para a vida

Cinema
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
21 Maio, 2020
Escolhas na adolescência; heróis para a vida
Filme Império do Sol, de Steven Spielberg, com Christian Bale.

Há dias estava a rever o Império do Sol e vi o brilho nos olhos de Jim, vestido de arlequim, numa festa de jardim e a olhar os aviões da guerra. Sentou-se num e imaginou uma batalha, relatou-a como se estivesse a viver toda a intensidade do combate.

Esvaiu-se o sorriso, para, num instante, voltar num campo de refugiados, ao ver o amigo a tentar cumprir o seu sonho de ser piloto de caças. Chorei, assim como chorei quando ele cantou magistralmente o Suo Gân, antes da chegada dos B 51 que acabariam com a guerra no Pacífico.

Ali nasceu uma estrela: Christian Bale.

Parte da minha quarentena, além de me ter dedicado à cozinha, foi a ver filmes. Vi e revi coisas que já nem me lembrava que existiam.

Spielberg, que nunca foi dos meus favoritos, tem filmes que me marcaram a transição da meninice para a adolescência. O Império do Sol foi um desses filmes e, sobretudo, a trilogia do Indiana Jones. Ainda hoje, conforme comprovei, sei as falas do Indy, da Marion, do Salah, dos generais nazis, do pequeno príncipe de um qualquer Reino na Índia.

Na minha adolescência havia um programa ao Sábado à noite na RTP2 em que um famoso ia apresentar um filme. Recordo-me perfeitamente de Rui Reininho ir lá falar do “Indiana Jones da época dele”: Lawrence da Arábia.

Magnífico! Se eu era apaixonado pelo deserto por causa do Dakar, mais ainda fiquei.

Do início trágico, com a Brough Superior, que qual fénix renasce agora bela, à história de um homem de honra num mundo desconexo, ou não tivesse o jovem Ned Lawrence tido uma educação puritana, tendo estudos clássicos de grego e a cavalaria uma paixão. Peter O´Toole, Omar Sharif, Anthony Quinn, Alec Guiness, num filme de David Lean com direito a Óscar e, sobretudo, a memória.

Não me foi difícil imaginar T.E. Lawrence e Winston Churchill, entre whiskey e charutos, numa noite quente do Cairo, a dividirem a península árabe, do Mar Vermelho ao Eufrates, num guardanapo.

De Lawrence a Le Carré foi um pequeno passo; ou como tudo se intercala num mundo moderno.

Assim nasceram os meus heróis.

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