Revista Rua

Eugénio Campos, o homem que melhor entende as mulheres

"A mulher Eugénio Campos é uma mulher elegante, requintada e sensual. É neste perfil que eu me inspiro para desenvolver as minhas coleções"
Fotografia ©Nuno Sampaio
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira3 Outubro, 2019
Eugénio Campos, o homem que melhor entende as mulheres
"A mulher Eugénio Campos é uma mulher elegante, requintada e sensual. É neste perfil que eu me inspiro para desenvolver as minhas coleções"

Numa visita ao atelier em Vila Nova de Gaia, sentámo-nos para conversar com o mestre por detrás do sucesso de uma marca que é um exemplo da excelência da joalharia em Portugal. Eugénio Campos é o fundador da Eugénio Campos Jewels, uma marca que se orgulha da capacidade de criar joias elegantes, sofisticadas e inovadoras. Sempre com a valorização da mulher como linha orientadora de um design arrojado e excecional.

Fotografia ©Nuno Sampaio

A Eugénio Campos é uma marca de referência a nível de joalharia no nosso país. Conte-nos a história desta marca.

Há 30 anos, por iniciativa minha, nascia a empresa Eugénio Campos, focada em produtos e joias só em prata. Tentei desmarcar-me da ideia de um sector com oferta pouco diversificada e sem grande criatividade. Com muito empenho, com uma atitude de uma grande força de vontade, a empresa foi crescendo, mantendo uma ótima relação com os representantes, ou seja, os donos das ourivesarias e joalharias. Em 2002, percebi que faria sentido criar uma marca, associada a uma imagem corporativa e a uma comunicação que marcava uma posição pioneira em Portugal. Nessa altura, Portugal só tinha empresas que, tal como a minha, produziam linha branca.  Foi um trabalho difícil, mas fomos inovadores! Considero que tive dois grandes desafios nesse momento: o primeiro foi crescer no sector e o segundo foi conseguir fazer da empresa uma marca à escala daquilo que eu considero que deve ser uma marca, porque uma marca não é ser um nome, é muito mais do que isso. Portanto, a marca Eugénio Campos oferecia uma comunicação de excelência e coleções próprias exclusivas, tentando marcar um posicionamento único no mercado com um produto que fosse diferenciador. Foi um percurso longo, mas eu sempre acreditei nos meus projetos, no meu trabalho. Sempre acreditei que era possível efetivamente fazermos em Portugal aquilo que outros faziam lá fora. Foi um percurso que me orgulho de ter feito porque revolucionamos completamente aquilo que era o sector da ourivesaria. Fui pioneiro e levei uma lufada de ar fresco ao sector numa altura em que o país precisava realmente de dinâmicas, de inovação. Sem dúvida, o meu projeto fez com que o sector mexesse e surgisse concorrência. Hoje vemos um sector completamente modernizado e isso deixa-me mesmo muito orgulhoso!

Inovação, elegância, vontade, design arrojado. São esses os principais pilares da marca Eugénio Campos?

Diria que, principalmente, gostamos de fazer as coisas de uma forma diferente, única. Cada joia com a minha assinatura é pensada, desenvolvida e criada sempre com um sentimento ou uma história. Uma mensagem. Acho que é isso que caracteriza a minha oferta. Penso que a inovação é fundamental em termos de criatividade porque cada coleção tem de surpreender o mercado – foi isso que fizemos este ano com a coleção de São Valentim, de Dia do Pai, de Dia da Mãe e ainda com a coleção atual de primavera-verão. Claro que estamos já a preparar a coleção de outono-inverno, também para surpreendermos quem acompanha o nosso trabalho. Quero que os nossos clientes sintam que realmente vale a pena usar as minhas joias!

 

“Permitam-me a falta de modéstia, mas eu quero continuar a ser a marca com mais notoriedade em Portugal, quero ser a marca que os portugueses mais reconhecem”

Apesar de ter alguma oferta masculina, o grande destaque das coleções Eugénio Campos é dedicado às mulheres. Consegue traçar-nos então o perfil da mulher Eugénio Campos?

Sim, claro! É uma mulher elegante, requintada e sensual. É neste perfil que eu me inspiro para desenvolver as minhas coleções. É uma mulher que, quando se olha ao espelho, sabe que para qualquer ocasião terá uma joia especial. Seja para uma ida à praia, um almoço ou um jantar casual ou até para a melhor festa. A mulher Eugénio Campos é uma mulher urbana e ativa.

Este ano, as coleções Eugénio Campos desenvolvem-se em torno do tema “Ama-te”, correto?

Esse é o tema âncora, que traz à luz do dia a mulher que se ama, que se cuida e, se possível, que se sente especial usando joias Eugénio Campos. Mas pensamos sobretudo no valor da mulher. Todas as coleções criadas sob o tema “Ama-te” têm a ver com a valorização da mulher. Eu costumo dizer que crio para as rainhas que são as nossas mulheres.

Qual é a sua opinião relativamente ao estado do sector da ourivesaria e joalharia em Portugal?

Sem dúvida que a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) tem feito um trabalho fantástico a nível de comunicação, sobretudo levando a marca made in Portugal aos quatro cantos do mundo. É um trabalho que nos devemos orgulhar, porque abre portas a possíveis negócios e a um crescimento internacional. Contudo, é preciso referir que não é um caminho fácil. Temos, claramente, que optar por uma estratégia muito bem definida, especializando-nos em determinados produtos. Temos a tendência de querer fazer quase tudo e esse não é o caminho. Nesse aspeto, nessa necessidade de especialização do nosso produto, acho que o sector tem de evoluir um pouco. Mas, felizmente, podemos considerar este sector está na linha da frente a nível de design, de tendências e de qualidade. Não tenhamos dúvidas que nós, Portugal, somos do melhor do mundo! Mas temos problemas de dimensão, o que dificulta os processos de internacionalização porque não temos produção de grande escala. Por isso é que digo que é preciso definir bem o que cada empresa quer fazer.

Qual é então o plano da Eugénio Campos?

Acima de tudo, pretendemos continuar a ser os melhores em Portugal! Permitam-me a falta de modéstia, mas eu quero continuar a ser a marca com mais notoriedade em Portugal, quero ser a marca que os portugueses mais reconhecem. É para isso que trabalho todos os dias! Quero continuar a ser a única marca portuguesa a ter disponível joias que vão desde os 25 mil euros aos 50 euros. Quero estar em todos os patamares e em todos os segmentos. Oferecemos hoje o melhor da alta joalharia, em qualquer parte do mundo. Mas também oferecemos opções para um segmento casual, que permite até às camadas mais jovens usarem uma joia Eugénio Campos, com todo o prestígio que a marca tem, embora mais económica. A principal estratégia que eu tenho é trabalhar para o segmento de luxo, mantendo o crescimento neste segmento, mas também trabalhar para sermos os melhores no segmento moda.

Eugénio Campos com a esposa, Rosa Maria, no evento de apresentação da nova coleção na Portojóia

E em termos de internacionalização?

Não esqueço nunca a oportunidade de internacionalização. Aliás, estamos presentes em vários países do mundo, sendo os EUA o nosso segundo maior mercado, depois de Portugal. Quero crescer aquilo que puder em termos internacionais, mas o meu foco principal é o nosso mercado.

Não é um homem ambicioso?

Sou muito ambicioso em termos daquilo que quero para a minha marca em Portugal. Mas não sou tão ambicioso em relação àquilo que quero para a minha marca em termos internacionais. Porque sei a dificuldade que uma marca portuguesa tem para se posicionar em termos internacionais. Sei o investimento que é necessário. E, ser mais um lá fora, não é um trabalho que me interesse. Eu não quero ser, lá fora, mais um no meio de muitos! Também quero ser uma marca e, para isso, tenho de dar passos assertivos, seguros e lentos. Portanto, sou muito ambicioso com a minha marca e o meu mercado. Quanto à internacionalização, sou muito comedido e, acima de tudo, muito realista.

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