Revista Rua

2019-12-05T18:28:37+00:00 Atelier, Histórias, Moda

Fernanda Velez: “A existência do Blog da Carlota rapidamente passou de boca em boca”

Fernanda Velez está em entrevista na RUA.
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto5 Dezembro, 2019
Fernanda Velez: “A existência do Blog da Carlota rapidamente passou de boca em boca”
Fernanda Velez está em entrevista na RUA.

Dias depois de mais uma grande edição do Mercadito de Natal, conversámos com Fernanda Velez, a autora do Blog da Carlota, um projeto pioneiro no mundo digital, que continua, ainda hoje, a ser um dos mais influentes. A criação do blog surge há oito anos, aquando o nascimento da primeira filha de Fernanda, a Carlota, a quem se veio juntar, pouco tempo depois, a Maria do Carmo.

Tudo começou com o intuito de dar a conhecer as marcas que escolhia para vestir as filhas, mas rapidamente o interesse por parte de quem a seguia incentivou à partilha de outras temáticas, nomeadamente lifestyle, moda, viagens e um pouco da sua rotina diária. Do digital saltou para a organização dos Mercaditos, onde anualmente une várias marcas nacionais, valorizando a qualidade dos seus produtos e a originalidade dos designs inovadores e modernos.

Em 2018, o blog foi nomeado na categoria de lifestyle para o prémio de Blog do Ano, enquanto o Mercadito Blog da Carlota conta já com 20 edições de sucesso. Fernanda Velez está em entrevista na Revista RUA e descreve como tudo começou.

Dias depois de mais um Mercadito de Natal, que balanço faz desta edição? Superou as expectativas? 

O balanço desta edição do Mercadito de Natal é muito positivo. Superou bastante as minhas expectativas no sentido em que voltámos a ultrapassar o número de visitas, num fim de semana em que concorríamos com a Black Friday nos shoppings e havia vários mercados e programas de Natal a acontecerem ao mesmo tempo.

O primeiro Mercadito de Natal foi há oito anos e o Mercadito Blog da Carlota já vai na 20ª edição. O que é que a motivou a criar este conceito de unir produtos, exclusivamente de marcas portuguesas? 

A ideia surgiu do sucesso que era a procura dos produtos que eu escolhia mostrar no meu blog, o Blog da Carlota. O feedback que as marcas me davam – uma vez que optei, desde o início, por dar a conhecer marcas portuguesas, numa altura em que ainda ninguém o fazia – era que as peças que eu escolhia esgotavam no momento. Do online para reunir as marcas portuguesas que mais gostava num espaço físico, passaram só alguns meses. No primeiro Mercadito reuni 20 marcas, provenientes de norte a sul, a maioria só com loja online e criei um programa paralelo de entretenimento para as famílias. Surgiu assim o conceito Mercadito. O facto é que essa microeconomia das marcas portuguesas sofreu um enorme crescimento desde essa altura, conseguimos ver isso pela data de criação de muitas marcas portuguesas que hoje existem no mercado. Porquê as marcas portuguesas? Porque na altura eram subvalorizadas, o grande público não as conhecia, só se fazia publicidade/divulgação às grandes marcas estrangeiras (os blogs inclusive) e eu gostava tanto e via que os produtos portugueses eram de excelente qualidade, design e originalidade. Aliás, quando viajava com a minha filha mais velha, a Carlota, era comum virem elogiar ou perguntar de onde era a roupa dela. E eu respondia, até com orgulho, que eram marcas portuguesas.

De que forma, ano após ano, procura inovar com esta iniciativa?

Essa é a parte mais trabalhosa: surpreender e inovar de edição para edição. Vou alterando o espaço e a localização, também porque a afluência vai aumentando, há sempre marcas novas para descobrir, a decoração também é cada vez mais cuidada e também vou dinamizando o programa de animação e entretenimento. Este ano organizei workshops de Natal e havia um serviço premium de Shuttle SEAT que trazia gratuitamente as pessoas à porta da Cordoaria.

Os Mercaditos têm tido cada vez mais sucesso e acabaram por trazer um maior impacto para a sua profissão, enquanto blogger. Concorda que foi um crescimento paralelo e mútuo? 

Penso que trará maior visibilidade. Embora no meu caso nem tenha chegado a perceber o que era ser blogger sem ter um mercado. Porque criei os dois projetos praticamente em simultâneo.

Começou o Blog da Carlota aquando o nascimento da sua primeira filha. Aquilo que começou por ser uma “brincadeira” tornou-se numa coisa bastante séria. O que a motivou a criar este blog

Exatamente, era um hobby apenas. Uma coisa que me dava prazer fazer, porque estava em casa com a minha bebé (primeira filha) e ela era tão tranquila que tinha tempo para ir publicando uns posts. Basicamente, vestia-a, tirava-lhe uma foto, como qualquer mãe encantada, e colocava os links das roupas no meu blog.  Um dia houve um boom e passei das sete ou dez visitas (as amigas a quem tinha contado) para 1.000 visualizações, depois 3.000 e as marcas começaram a enviar-me e-mails a querer oferecer roupa. A existência do Blog da Carlota rapidamente passou de boca em boca e acabou por se tornar numa plataforma de divulgação e vendas imediatas. Às tantas, percebi que se tinha tornado num negócio e parti para o Mercadito da Carlota.

O blog começou por ser direcionado para mães e pais. Conforme foi evoluindo, enquanto mãe, passou também a incluir outras vertentes, tornando-se num projeto de lifestyle, incluindo moda de senhora e até decoração. Esta evolução era necessária para o seu projeto?

Mais uma vez, não foi pensado como sendo uma coisa necessária para o meu projeto. Aconteceu ao contrário. Às vezes eu aparecia nas fotos com as minhas filhas, a dar colo, a dar a mão, lá ao fundo… E comecei a perceber o interesse das seguidoras por mim, pelo que eu vestia, o que gostava de fazer, as férias… tudo era alvo de perguntas e interesse. Um dia uma marca ligou-me a dizer que “queria vestir-me”. Eu aceitei a medo e, mais uma vez, as peças que eu vestia esgotavam. Foi assim que evoluiu para um blog e hoje Instagram de lifestyle, cada vez mais assente em mim, na moda de mulher, em viagens, decoração… No fundo, nos meus interesses e no que me dá mais gozo abordar e partilhar.

Presumimos que as suas filhas são a sua maior inspiração. O que é que mais a inspira?

O que mais me inspira são as minhas filhas e a minha família, mas também os projetos profissionais que desenvolvo. Acima de tudo, escolho ver o lado bom e bonito da vida.

A Fernanda já conta com alguns anos nesta área digital. Começou com um blog, mas agora o seu trabalho passa, inevitavelmente, pelas redes sociais. Qual é a sua análise face ao crescimento da exploração das redes sociais enquanto plataformas de promoção de conteúdos? 

Sim. Os blogs foram ultrapassados pelo Instagram e agora ganha relevância o que é mais imediato, sendo que a imagem tem o primeiro lugar no podium. Acho que quem começou há mais tempo, começou de forma genuína, mais ingénua, pelo que atualmente quem cria uma página no Instagram sabe que está a tentar entrar num negócio. Mas todas os “inícios” são igualmente válidos, depois o que conta é a coerência em transmitir algo às pessoas.

Com o crescente sucesso dos Mercaditos e do seu trabalho no mundo digital, qual é o seu foco nesta fase? O que é gostava de ainda fazer no próximo ano?

Gostava acima de tudo de manter os meus projetos atuais. Tenho algumas ideias para o próximo ano, mas ainda não posso revelar (risos).

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