Revista Rua

Fernando Tordo: “Depois de tantos anos de profissão, subir a palco tem de ser um divertimento!”

Estão agendados espetáculos para a Casa das Artes de Arcos de Valdevez (18 de dezembro), Casa da Música no Porto (19 de dezembro) e Teatro Maria Matos em Lisboa (20 de dezembro).
Fernando Tordo ©D.R.
Andreia Filipa Ferreira9 Dezembro, 2021
Fernando Tordo: “Depois de tantos anos de profissão, subir a palco tem de ser um divertimento!”
Estão agendados espetáculos para a Casa das Artes de Arcos de Valdevez (18 de dezembro), Casa da Música no Porto (19 de dezembro) e Teatro Maria Matos em Lisboa (20 de dezembro).

Ele é composição e voz, com alma de Lisboa em cada canção. Aos 73 anos, Fernando Tordo é um dos artistas mais acarinhados pelo público português e, hoje, continua a subir a palco para contar as suas histórias – como é o caso das sessões Natal em Casa de Ary, uma série de concertos que leva as memórias do processo de criação com Ary dos Santos a várias cidades durante este mês de dezembro. Assumindo que subir a palco, depois de tantos anos de carreira, só faz sentido se for para se divertir, Fernando Tordo fala com a RUA sobre os seus planos para o próximo ano.

Durante o mês de dezembro, o Fernando está em digressão com o espetáculo Natal em Casa de Ary. Pode apresentar-nos o conceito por detrás destes concertos?

Habitualmente, em concertos, eu conto histórias sobre o processo de criação de canções que acontecia entre mim e o Ary dos Santos, que é algo que as pessoas em geral não conhecem. Normalmente, conto episódios muito engraçados e o público diverte-se com isso, ficando a saber coisas que não sabia antes. No entanto, esta ideia de concertos de natal surgiu apenas há uns meses. Juntamente com a minha agência, pensei em fazer um concerto mais dedicado ao Natal e daí este título: Natal em Casa de Ary, em que canto muitas canções que eu fiz para o Ary com a temática do Natal. Convidamos uma cantora lírica, porque era algo que eu queria há muito tempo incluir num concerto e, ainda, em cada cidade, chamamos coros infantis locais para participar no concerto. As novidades são estas e tem sido muito divertido! Já fizemos dois concertos (na Figueira da Foz e em Sintra) com um resultado muito agradável e temos ainda agendados espetáculos para a Casa das Artes de Arcos de Valdevez (18 de dezembro), Casa da Música no Porto (19 de dezembro) e Teatro Maria Matos em Lisboa (20 de dezembro).

É um espetáculo que é quase uma viagem no tempo, recordando composições e poemas da altura em que colaborava com Ary dos Santos. Tem sido interessante para si recordar estas memórias?

Sim, porque eu trabalhei durante muitos anos com o Ary. Fui, aliás, o compositor com quem ele mais trabalhou durante toda a carreira e, portanto, sobro eu para contar as histórias. E tem sido muito agradável. É importante que as pessoas possam confrontar-se com Ary desta forma, perceber como é que as canções foram feitas… é muito atrativo para o público – que se diverte com isso… e eu também!

É dessa forma que faz sentido, não é?

Com a idade que tenho já só alinho nisto para me divertir! (risos) Sinto-me perfeitamente bem, dominando a matéria. Os públicos são diferentes e vou-me adaptando conforme as reações. Mas sim, acima de tudo, depois de tantos anos de profissão, subir a palco tem de ser um divertimento!

Com o convite aos coros infantis, o Fernando acaba por juntar em palco gerações muito diferentes. É interessante essa partilha?

Sim, é muito interessante porque os coros infantis cantam as três canções finais do espetáculo – duas delas fazem parte de um célebre disco gravado há quase 50 anos: Operários do Natal. É uma emoção muito boa porque estão a cantar estas canções pessoas cujos pais ainda não eram nascidos quando as canções foram feitas! (risos) É muito interessante a aprendizagem, a alegria com que eles cantam. É um fenómeno muito interessante para quem é compositor, para quem tem muitos anos de ligação a isto. É muito enternecedor ver miudinhos a cantar canções que, tal como eu disse, foram feitas ainda os pais deles não eram nascidos… quanto mais eles! (risos) É fantástico! É um conjunto de experiências muito emocionantes. É bom!

Convém frisarmos que isto não é apenas um concerto. É uma partilha de memórias, correto?

Exatamente! Há uma emoção que está muito ligada: a emoção do tempo, do recordar… do voltar a relembrar e ser um êxito tão grande como foi há 48 anos. Isso é muito bom!

O Fernando é um artista multifacetado e é muito comum expressar a sua arte através de outras vertentes para além da música. Recentemente, lançou o seu segundo livro de poesia, por exemplo. O mundo da poesia é algo que lhe interessa explorar mais?

Sim, porque a poesia que eu escrevo não tem a ver com a música. Claro que é uma prática que eu adquiri juntamente com a música e inclusivamente com o trabalho com o Ary dos Santos, porque entreajudávamo-nos muito, mas é um tipo de escrita diferente. Se me perguntasse se eu era capaz de musicar um poema meu, diria que não tenho grande interesse. Em princípio, não o desejaria. A poesia (enquanto poesia exclusivamente) é uma outra linguagem para mim. Eu escrevo coisas para cantar e outras coisas para um livro de poesia. São discursos diferentes.

Que planos tem o Fernando para o próximo ano? Já tem projetos para desenvolver em 2022?

Posso dizer que, em breve, vai sair um disco meu, que foi gravado durante a pandemia. Chama-se Os Fados Que Eu Fiz. Eu compus muitos fados para outros cantores ou intérpretes do Fado, como Carlos do Carmo, Mariza, Carminho, Beatriz da Conceição… Ao longo de cinco décadas compus muita música para essas pessoas. Resolvi então fazer um disco em que eu canto algumas dessas canções originais. Num dos originais canto com Paulo de Carvalho e noutro com Cuca Roseta.

O outro projeto que tenho para partilhar tem a ver com a minha estadia no hospital, quando estive internado com Covid-19 durante 28 dias. Durante esses dias escrevi o guião Suíte das Mulheres de Azul, que, quando regressei a casa, musiquei. Esse será o projeto em que eu vou trabalhar com os meus orquestradores (que são os meus dois músicos habituais) e que me vai ocupar durante janeiro e talvez fevereiro para começar a ser apresentado a partir de março ou abril. É um projeto pelo qual tenho uma estima muito grande e uma ansiedade por apresentar ao público ainda maior!

Partilhar Artigo: