Revista Rua

2021-05-31T14:44:31+01:00 Cultura, Teatro

Festivais Gil Vicente celebram o teatro, cedendo palco às novas criações

De 2 a 11 de junho, Guimarães apresenta uma programação completa que ocupará o CCVF e o CIAJG.
©Alípio Padilha
Redação31 Maio, 2021
Festivais Gil Vicente celebram o teatro, cedendo palco às novas criações
De 2 a 11 de junho, Guimarães apresenta uma programação completa que ocupará o CCVF e o CIAJG.

“Formas de imaginar o fim para lançar outros começos”. É a partir deste mote que os Festivais Gil Vicente se preparam para dar início a mais uma edição que promete dedicar maior protagonismo às novas gerações e à valorização de dramaturgias emergentes. De 2 a 11 de junho, Guimarães apresenta uma programação completa que ocupará o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). A programação contempla seis peças, três das quais são estreias absolutas, que acontecem de quarta a sexta, às 19h30.

A tempo de marcar a abertura de um novo (e aguardado) ciclo dos Festivais Gil Vicente, falamos com o programador de artes performativas e festivais d’A Oficina, Rui Torrinha, para nos dar a conhecer os desafios inerentes à concretização desta edição face ao panorama atual. “A edição pretende retratar estes tempos que estamos a passar, abordando um qualquer fim que se abateu sobre nós, no sentido de lançar possibilidades sobre outros começos”, começa por abordar Rui Torrinha.

Depois de um ano de interrupção, a edição 33 arranca já no dia 2 de junho com o coletivo SillySeason a apresentar Fora de Campo, um momento de construção de um imaginário que dialoga permanentemente com os acontecimentos em palco. Segundo o programador, a peça terá em palco “três ações distintas no tempo e que desafiam o espectador a decidir para onde quer colocar a atenção”, no sentido de nos permitir fazer uma analogia com o “excesso que nos rodeia, em que a única responsabilidade do cidadão é escolher a fonte de informação e aquela que o deve orientar”. Nessa bifurcação entre o possível e o imaginário a ideia de fim continua a ser explorada em Cordyceps, uma obra erguida por Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça, instalada no último dia da democracia que dará lugar a uma nova ordem, pela qual já não será possível ter acesso à cultura ou a qualquer outra forma de expressão e de livre pensamento. Estas duas peças acontecem no CCVF, respetivamente, no dia 2 e 3 de junho.

A programação apresenta seis peças, três das quais são estreias absolutas em coprodução, no seguimento da intenção de investir na criação – uma estratégia comum n’A Oficina. A Fragilidade de Estarmos Juntos, de Miguel Castro Caldas, António Alvarenga e Sónia Barbosa é uma das estreias absolutas que será apresentada no dia 4 de junho, na Black Box do CIAJG. Como destaques da programação, Rui Torrinha acrescenta: “Há um outro fator que atravessa os Festivais: a importância da memória. Ela está subtilmente presente numa série de peças, inclusive no Memorial, de Lígia Soares, e que nos leva a refletir sobre a forma como isso se constitui e define caminhos futuros. Até que ponto podemos confiar na nossa memória?”. Destaque ainda para a peça Off, de Mala Voadora, que é apresentada no dia 10 de junho e Ainda Estou Aqui, de Tiago Lima, que resulta de uma estreia absoluta, apresentada no dia seguinte, também no CCVF.

Numa edição que se compromete a dar mais protagonismo às novas criações e dramaturgias, o programador afirma: “Esta é a base permanente dos Festivais daqui para a frente. Independentemente da temática ou do conceito de cada edição, na verdade, a primeira matriz tem a ver com essa ideia de dar espaço, voz e protagonismo às novas gerações do teatro”. O objetivo passa por estimular continuamente a identidade do teatro em Portugal, “não só as recriações dos clássicos, mas esta ideia de continuarmos a produzir algo que parte de nós”. Uma vontade que é comum a praticamente todos os eventos culturais promovidos pel’A Oficina, com o intuito de promover e impulsionar artistas, projetos e criações. Com uma programação renovada e diferente do habitual, a concretização da agenda cultural exigiu uma abordagem mais sociológica, pela que a própria configuração do Festival é uma novidade. “É uma resposta, não só às restrições, mas a um olhar sociológico acerca destes novos tempos e isso é um desafio geral para a arte e para a cultura”, termina Rui Torrinha.

A 33ª. edição dos Festivais Gil Vicente é uma organização d’A Oficina, em parceria com a Câmara Municipal de Guimarães e o CAR. A programação completa encontra-se disponível no site d’A Oficina.

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