Revista Rua

2019-02-05T11:49:59+00:00 Cinema, Cultura

Filme de Filipe Martins premiado no Festival de Cinema de Roterdão

Chama-se “Casa de Vidro” e é uma curta-metragem realizada por Filipe Martins e produzida pelo Balleteatro. Venceu a secção Voices Short do 48.º Festival Internacional de Cinema de Roterdão.
Redação
Redação5 Fevereiro, 2019
Filme de Filipe Martins premiado no Festival de Cinema de Roterdão
Chama-se “Casa de Vidro” e é uma curta-metragem realizada por Filipe Martins e produzida pelo Balleteatro. Venceu a secção Voices Short do 48.º Festival Internacional de Cinema de Roterdão.

Envolvido num conceito entre o documentário e a ficção, Casa de Vidro é um trabalho do realizador, professor e investigador Filipe Martins e traz-nos a história de Carlos, um sem-abrigo toxicodependente da cidade do Porto cujo dia a dia é passado entre o parque de estacionamento de um supermercado e a sua “casa de vidro”, um stand de automóveis abandonado onde costumava dormir.

“O Carlos viveu durante ano e meio num expositor de carros abandonado na marginal do Douro, muito próximo de onde eu vivo. Via-o frequentemente na sua rotina entre as esmolas do supermercado e as idas ao Bairro do Aleixo. Aos poucos, eu e a Né Barros (produtora do filme) começámos a alimentar uma curiosidade muito particular por este homem: um toxicodependente que, apesar do seu aspeto, colhia a simpatia e hospitalidade da vizinhança, incluindo os funcionários e clientes do supermercado. Era um homem na casa dos 40, muito fragilizado pelos longos anos de consumo de crack e heroína, mas ao mesmo tempo um ser humano delicado, de uma comovente sensibilidade. Um dia, no início do verão, convidei-o para fazermos um pequeno filme. Durante cinco dias, o Carlos abriu-nos a porta da sua “casa de vidro” e partilhou connosco um mundo reduzido a muito pouco. Minimalismo extremo de uma vida consumida. O Carlos morreu ainda durante a pós-produção do filme, em 2018, e nunca chegou a vê-lo finalizado. Mas, desde o início, foi sempre evidente a importância que esta experiência cinematográfica tinha para ele: uma missão, um trabalho, um sentido. E a possibilidade da memória”, explica o realizador.

Este filme híbrido conquistou a escolha do público do 48.º Festival Internacional de Cinema de Roterdão e segue agora para competição internacional no 41.º Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand, que decorre até 9 de fevereiro em França.

Partilhar Artigo: