Revista Rua

2021-05-06T10:09:43+01:00 Cultura, Outras Artes

FIMFA Lx 21, O mundo encantado das personagens presas por um fio

Além de criações originais e incríveis provenientes da China, França, Bélgica, Itália, Alemanha e Chile, também em algumas coproduções, caberá sempre destacar e revisitar o repertório nacional.
©Christophe Raynaud de Lage
Cláudia Paiva Silva6 Maio, 2021
FIMFA Lx 21, O mundo encantado das personagens presas por um fio
Além de criações originais e incríveis provenientes da China, França, Bélgica, Itália, Alemanha e Chile, também em algumas coproduções, caberá sempre destacar e revisitar o repertório nacional.

Falar do Festival Internacional de Marionetas e Figuras Animadas de Lisboa é, invariavelmente, falar de Cultura. Da falta que ela nos faz, de tudo o que ela implica, do que aconteceria se deixasse de existir de vez, radicalmente. Literatura, Música, Teatro, Cinema, Documentários, Tradição Popular, Tradição Histórica, bem como, claro, o que aconteceria a todas as pessoas envolvidas nesta “indústria”, que, queiram ou não, faz parte de cada um de nós, das nossas bases, da nossa forma de pensar, até mesmo das nossas ideologias, desejos ou ensejos. Poucos se poderão lembrar do papel das marionetas ao longo da história popular de tradição oral e musical em Portugal, cujas histórias e representações tinham sempre um duplo papel. Por um lado educativo, talvez um pouco moralista digamos, mas por outro, talvez mais importante até, bastante crítico do rumo dos acontecimentos da sociedade, do país, brincando com ironia suficiente para que todos (o povo) entendessem o que se estava realmente a passar, para que todos pudessem ganhar uma consciência e uma opinião.  Um pouco como o que acontece ainda nos dias que correm. Posto isto, a Marioneta não desapareceu, ou não está apenas guardada em museus. Há que recuperar a tradição e chamar mais público a esta arte de fios, equilíbrio, coordenação, música e muito espanto. Também ela, Cultura única.

©Pedro Sardinha

Neste ano de 2021 celebra-se o 21º aniversário do FIMFA Lx que continua, como os próprios diretores artísticos, Rute Ribeiro e Luís Vieira, afirmam “na corda bomba”. Não sendo fácil gerir a situação que desde 2020 nos assola, este ano de 2021 ainda se apresenta cheio de incertezas, mas com olhos de esperança no futuro, e como tal o FIFMA Lx, aguarda ansiosamente pelo público nos espaços onde este ano irá decorrer o Festival, mediante todas as medidas de segurança essenciais para que esse mesmo futuro possa sem dúvida acontecer. Será entre 4 a 23 de maio que companhias nacionais e muitos convidados internacionais irão apresentar as suas encenações, repartindo-se a destreza coreográfica entre o Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Municipal São Luiz, Teatro Luís de Camões, Teatro da Malaposta (pela primeira vez a integrar o painel), Teatro do Bairro, Teatro Taborda e o Palácio Pimenta. A verdade é que Lisboa será o palco para as danças de bonecos animados, corpos humanos a recriarem espaços de magia, e só isso, numa altura em que todos precisamos de sentir a vida voltar ao normal, é um bem precioso.

Além de criações originais e incríveis provenientes da China, França, Bélgica, Itália, Alemanha e Chile, também em algumas coproduções, caberá sempre destacar e revisitar o repertório nacional. Um regalo para a vista, mas se calhar com uma emoção desmesurada, vale a pena ver o Auto da Criação do Mundo com os Bonecos de Santo Aleixo, Teatro Dom Roberto, pela Limite Zero, e também Cinderela – numa construção um pouco diferente da habitual, onde várias outras personagens de outras histórias aparecem para gerar ainda mais atribulações à heroína – pelo Teatro de Marionetas do Porto. Desengane-se quem pensa que ficamos por aqui – mais uma vez falamos de movimento, de animação, de teatro circo também, onde atores reais darão origem a fábulas, trazem à luz do palco tradições e mitos como em Optraken e Histórias Suspensas. E ainda haverá tempo para rever cinema onde as marionetas interagem com os atores de carne e osso, e também animação (na Cinemateca Júnior será apresentado As Aventuras do Príncipe Achmed, primeiro filme animado realizado em 1926 por Lotte Reiniger, onde através de sombras chinesas, conta-se a história do príncipe árabe que torna amigo de Aladino).

Um mundo de fantasia, mas onde a realidade está sempre presente.

Mais informações: TARUMBA|FIMFA

©Michael Gálvez
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