Revista Rua

2020-11-29T12:02:45+00:00 Histórias

Folgar rapazes! Folgar, folgar… que só para o ano torna a voltar

Com a pandemia, a tradição reinventa-se este ano e os vimaranenses são convidados a celebrar à janela.
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Maria Inês Neto
Maria Inês Neto29 Novembro, 2020
Folgar rapazes! Folgar, folgar… que só para o ano torna a voltar
Com a pandemia, a tradição reinventa-se este ano e os vimaranenses são convidados a celebrar à janela.

Se leu este título ao som do tradicional Hino de S. Nicolau, já sabe do que estamos a falar: as exímias Festas Nicolinas de Guimarães. Para quem não está (ainda) familiarizado com o tema, passamos a descrever esta que é uma das tradições mais antigas do país. Além de ser uma das festividades mais esperadas na cidade, é também uma altura que se caracteriza pelo retorno de muitos vimaranenses, espalhados pelo mundo, à sua cidade-casa para cumprir a tradição.

Também retratadas como as Festas de São Nicolau – nome em honra ao santo padroeiro dos estudantes vimaranenses – são celebrações escolásticas que, ano após ano, preenchem as ruas de Guimarães com celebrações e festejos, enaltecendo os costumes populares da região. Ao som do troar de bombos e caixas, o mês de novembro é caracterizado pelos vários números e momentos que determinam a matriz das Festas Nicolinas. São eles: o Pinheiro, as Novenas, as Posses/Magusto, o Pregão, as Maçãzinhas, as Danças de São Nicolau, o Baile e as Roubalheiras.

Inicialmente, estas Festas eram apenas assinaladas no dia 6 de dezembro, como consta no calendário religioso a São Nicolau. Nessa manhã, era costume os estudantes participarem na tradicional missa com sermão e, de tarde, prosseguiam as celebrações de carácter profano, com a participação em jogos tradicionais. Os tempos passaram e a ânsia pela tradição levaram a estender cada vez mais o calendário das festividades: primeiro em dois dias e, mais tarde, em oito.

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Desta feita, o arranque das Festas Nicolinas assinala-se a 29 de novembro, com a celebração do Pinheiro: a honrosa tradição vimaranense que anuncia o começo das festividades com a implantação de um enorme mastro – um pinheiro – junto à Igreja de São Gualter. Há mais de 80 anos que a família Aldão assegura a oferta do tão exaltado pinheiro, que é transportado ao longo de um percurso assinalado pelo centro da cidade até ao local onde é “enterrado”. Num toque ritmado, ao som do rufar das caixas e dos bombos, o cortejo é acompanhado por Velhos e Novos Nicolinos, bem como curiosos oriundos de toda a parte que vivamente se juntam. Além de ser o primeiro número assinalado das Festas é também o mais participado e mais difundido no país.

Como é habitual, a noite do Pinheiro começa com a tradicional Ceia Nicolina, que acontece em casa ou nos vários restaurantes da cidade, num momento de comemoração conjunta de amigos e familiares. Mudam-se os sítios, mas a ementa é (quase) obrigatória: caldo verde, rojões com grelos, papas de sarrabulho e, a acompanhar, (bastante) vinho verde da região, branco ou tinto. Com as castanhas assadas a marcar o fim da refeição, é tempo de reunir junto ao Campo de São Mamede para o arranque do cortejo – que terminará, então, no Largo de S. Gualter. O calendário das Festas prossegue com os exímios números: as Novenas (de 1 a 7 de dezembro), as Posses (4 de dezembro), o Pregão (5 de dezembro), as Maçãzinhas e as Danças de São Nicolau (6 de dezembro), o Baile (7 de dezembro) e as habituais Roubalheiras que acontecem em dia incógnito.

Num ano particularmente atípico e inesperado, também as Festas Nicolinas viram comprometida a comemoração usual, obrigando a um novo panorama. A convite do Município e também da Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães, fundada em 1961, os vimaranenses são convidados a ecoar o Toque do Pinheiro a partir das suas varandas, no próximo dia 29 de novembro, não deixando, assim, de assinalar a honrosa tradição.

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