Revista Rua

2019-03-21T18:03:57+00:00 Opinião

Green Book (2018)

Literatura
Carolina Nelas
Carolina Nelas
21 Março, 2019
Green Book (2018)

Baseado numa história real, Green Book refere-se ao livro onde estavam indicados os hotéis que aceitavam afrodescendentes na zona sul dos Estados Unidos. Esta é, portanto, uma longa metragem onde o racismo e a desigualdade estão bem presentes, e que funciona como mais um abre-olhos numa altura em que (ainda) se constroem muros e se fecham fronteiras.

Green Book poderia ser, na verdade, apenas mais um filme sobre as limitações dos negros nos Estados Unidos, mas a dinâmica profissional inverte-se quando um homem branco (racista e descendente de italianos) é contratado para trabalhar como motorista, segurança e assistente de um negro, homossexual, pianista aclamado nos palcos de todo o mundo, mas discriminado nas situações mais banais. Pode parecer apenas um pormenor, mas é isto que transforma o filme em algo mais complexo e menos visto – o músico não é aceite na comunidade afrodescendente porque é rico e famoso e não é aceite na comunidade para a qual dá concertos porque não tem o mesmo tom de pele. Onde se enquadra, afinal?

Assim, surge uma amizade feita na estrada. Ao longo da viagem um conservador racista e mal-encarado transforma-se numa pessoa tolerante. Com muito humor à mistura – e cenas mais sérias que nos fazem refletir – esta é também uma viagem introspetiva para quem assiste a Green Book. Os anos 60 não foram assim há tanto tempo e ainda que já existam leis contra a discriminação e o racismo, a verdade é que continua a acontecer dia após dia. Com um elenco de excelência e uma banda sonora clássica maravilhosa, é mesmo um filme para ver com atenção e mente aberta.

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