Revista Rua

2020-01-27T12:07:13+00:00 Cultura, Dança

GUIdance: 10.ª edição chega com uma programação surpreendente

De 6 a 16 de fevereiro, o CCVF, em Guimarães, recebe a edição comemorativa dos dez anos de GUIdance.
Akram Khan Company ©Jean Louis Fernandez
Maria Inês Neto27 Janeiro, 2020
GUIdance: 10.ª edição chega com uma programação surpreendente
De 6 a 16 de fevereiro, o CCVF, em Guimarães, recebe a edição comemorativa dos dez anos de GUIdance.

São dez anos de GUIdance, o reconhecido Festival Internacional de Dança Contemporânea, celebrados com uma célebre programação a não perder, de 6 a 16 de fevereiro. Akram Khan Company, Compagnie Marie Chouinard, Tânia Carvalho, Marlene Monteiro Freitas e Vera Mantero – que este ano será a coreógrafa em destaque – são apenas alguns dos nomes que contemplam o programa de eventos. Ao todo serão cerca de 11 espetáculos, quatro deles em estreia nacional e dois em estreia absoluta, assim como diversas masterclasses, debates, talks e ensaios abertos para as escolas, alargando-se pela cidade de Guimarães e tendo o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) como refúgio principal.

A 10.ª edição dá continuidade e força à expressão “dança é uma palavra no feminino”, promovendo o regresso de importantes coreógrafas que assinaram momentos fundamentais no percurso traçado pelo GUIdance durante esta última década, assim como a chegada de outras que, pela primeira vez, se preparam para deixar a sua marca. Este movimento feminino do elenco coloca intencionalmente o papel da mulher no centro da criação e das atenções, reforçado pela presença de homens que acentuam ainda mais essa qualidade.

A programação arranca a 6 de fevereiro, a partir das 21h30, no Grande Auditório do CCVF, com a criadora Tânia Carvalho a colocar em palco sete bailarinos, em Onironauta. Depois da estreia em Marselha e da passagem por Lisboa, Tânia Carvalho regressa ao GUIdance, depois de ter estreado Captado pela Intuição, em 2017, para inaugurar agora mais uma surpreendente edição. A coreógrafa em destaque desta edição, Vera Mantero, vestirá várias peles, começando por apresentar o seu Esplendor e Dismorfia, a 7 de fevereiro, numa estreia nacional, em colaboração com o construtor sonoro e cénico, Jonathan Uliel Saldanha. Vera Mantero surgirá novamente para abrir a segunda semana do festival, a 12 de fevereiro, com Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional, uma criação de 2012 que se debruça sobre a desertificação e desumanização da Serra do Caldeirão, no Algarve. A célebre coreógrafa portuguesa, cujo trabalho já percorreu vários continentes, estará ainda em contacto com o público numa conversa próxima e descontraída, que terá lugar no final da apresentação deste seu último espetáculo.

Sofia Dias & Vítor Roriz ©Filipe Ferreira

Voltando um pouco atrás no calendário, o dia 8 de fevereiro está reservado para uma dupla apresentação. A tarde trará uma estreia absoluta de Rite of Decay, da coreógrafa e performer Joana Castro, criadora com passagem pelo Centro de Criação de Candoso (CCC), em Guimarães, para uma residência artística prévia ao arranque do festival. A noite promete o regresso da efervescente e impetuosa Akram Khan Company que oferece a estreia nacional de Outwitting the Devil. A coreógrafa Marlene Monteiro Freitas convida-nos para Bacantes – Prelúdio para uma Purga, uma tragédia grega que subirá ao placo maior do CCVF, a 13 de fevereiro. A noite seguinte é protagonizada por uma dupla de criadores portugueses com uma vasta história colaborativa: Sofia Dias & Vítor Roriz, que trazem O que não acontece até ao festival.

Já a 15 de fevereiro, é tempo de receber uma tripla de propostas a não perder: um espetáculo para toda a família (às 16h00), uma estreia absoluta (às 18h30) e uma estreia nacional (12h30). O primeiro evento do dia será o espetáculo Caixa para Guardar o Vazio, da autoria de Fernanda Fragateiro, com coreografia de Aldara Bizarro. Segue-se a estreia de Dias Contados, de Elizabete Francisca, criadora que também habita o CCC para uma residência artística antes do início do festival. O imaginário desta peça transporta-nos para Lisboa, mas poderia ser outra cidade qualquer, cujas transformações socioeconómicas radicalizam a vida da pessoa. A Elizabete Francisca junta-se Vânia Rovisco, que através de gestos, imagens e palavras irão restituir um olhar sobre a conceção da comunidade e pertença. O terceiro evento do dia conta com a bailarina e coreógrafa canadiana Marie Chouinard, que irá estrear-se no GUIdance com duas peças particularmente significativas do seu repertório: A Sagração da Primavera (1993) e Henri Michaux: Mouvements (2011). Esta edição encerra no dia 16 de fevereiro com a estreia nacional de Des gestes blancs, um espetáculo para famílias, produzido pela fábrica de espetáculos ao vivo, a Naïf Production.

Como é já habitual, decorrerá, ao longo dos dias de GUIdance, uma programação de atividades paralelas, com o intuito de promover a oportunidade de contacto com alguns dos mais importantes e célebres coreógrafos internacionais, assim como profissionais e alunos de dança de nível avançado, como acontecerá nas masterclasses com Akram Khan Company (a 7 de fevereiro) e a Compagnie Marie Chouinard (16 fevereiro). Também haverá espaço e tempo para a concretização de dois debates moderados por Cláudia Galhós, em torno do mote Pensar, Sentir, Dançar, bem como conversas pós-espetáculo que marcam encontros entre criadores e público, para momentos de proximidade e interação. De entre outras atividades que contemplam a programação, haverá ensaios abertos para escolas de dança de Guimarães.

Os bilhetes para os espetáculos estão disponíveis nas bilheteiras do CCVF, Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), Casa da Memória de Guimarães (CDMG) e Loja Oficina, bem como no site do CCVF.

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