Revista Rua

2022-12-15T14:21:24+00:00 Cultura, Em Destaque, Música

GUIdance: a força da (trans)formação que conduz à felicidade

De 2 a 11 de fevereiro, a programação cultural, ambiciosa e irreverente, alastra-se por toda a cidade de Guimarães.
BAqUE, Gaya de Medeiros ©Diana Tinoco
Maria Inês Neto15 Dezembro, 2022
GUIdance: a força da (trans)formação que conduz à felicidade
De 2 a 11 de fevereiro, a programação cultural, ambiciosa e irreverente, alastra-se por toda a cidade de Guimarães.

O GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea regressa para ser um lugar de encontros, por meio de uma série de probabilidades inesperadas. De 2 a 11 de fevereiro, a programação cultural, ambiciosa e irreverente, alastra-se por toda a cidade de Guimarães, nesta que se apresenta como a edição “mais extensa e mais estimulante”, impulsionando uma onda de “trans formação” que contagia tudo e todos.

A 12ª. edição pretende aproximar-se ainda mais dos públicos, colocando-os em contacto com práticas mais sensíveis, numa viagem ao centro do corpo, da natureza e do mundo. Há estreias nacionais, debates, conversas pós-espetáculos, masterclasses e visitas às escolas, entre outras atividades paralelas que reforçam a programação. “É, seguramente, um dos pontos altos da programação nacional no que diz respeito à Dança”, introduz o diretor artístico do GUIdance, Rui Torrinha, acrescentando: “Os nossos corpos tinham sido violentados por decisões que não eram tomadas de livre vontade e a edição de 2022 retratou a escuridão e a incerteza que fomos sentindo. Hoje, percebemos que o caminho tem de se abrir pelo campo do sensível. A transformação é mais do que uma constatação, é um processo em curso imparável. Há várias coisas no Festival que nos mostram que a sociedade está a evoluir”.

Com um arranque ambicioso no dia 2 de fevereiro, é Gaya de Medeiros a marcar o ponto de partida. A criadora trans brasileira vive atualmente em Lisboa e chega a Guimarães para apresentar BAqUE, em coprodução com o Festival, no Grande Auditório Francisca Abreu do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). “Esta conceção vai procurar colocar em palco todas as diferenças que existem nos nossos corpos”, completa Rui Torrinha. Depois de estrear em Lisboa, BAqUE sobe ao grande palco do CCVF para se apresentar como um espetáculo-concerto que celebra identidades não normativas, com cinco artistas em palco.

O recém reestruturado Teatro Jordão será palco das apresentações promovidas pela companhia de inclusão social Dançando com a Diferença, sendo a primeira apresentada no dia 3 de fevereiro: Blasons + Doesdicon, do coreógrafo francês François Chaignaud e Tânia Carvalho. “Pessoas com corpos diferentes podem fazer arte também. Têm espaço no palco, na sociedade e em qualquer lugar. Foi o nosso maior desafio e acho que fui cumprido. Convidar coreógrafos e diferentes pessoas para construir o repertório da Companhia faz parte da minha visão”, partilha o diretor artístico da Dançando com a Diferença e do Teatro Viriato, Henrique Amoedo. No sábado, dia 4, há dose dupla de estreias nacionais: Some Choreographies, do coreógrafo italiano Jacopo Jenna, no CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães, e Gran Bolero, de Jesús Rubio Gamo, no CCVF. Ainda neste dia, é apresentada a peça imersiva Silent Disco, promovida pelo Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser. Já no dia 8, Marco da Silva Ferreira, um dos coreógrafos portugueses mais promissores na dança internacional, apresenta Carcaça, uma peça que mergulha nas influências do universo do folclore.

Na segunda semana: Beautiful People, uma peça emblemática da Dançando com a Diferença é revisitada por Rui Horta no dia 9 de fevereiro, no Teatro Jordão, seguindo-se a estreia nacional de Soirée d’études, de Cassiel Gaube, que parte da influência da música house na dança. A promissora o Vânia Doutel Vaz apresenta O Elefante no Meio da Sala, uma coprodução do festival, praticamente em estreia, no dia 11 de fevereiro. Nesse dia, o CCVF recebe Junfle Book reimagined, uma estreia nacional de Akram Khan Company, sendo uma peça ambiciosa com diferentes níveis sensoriais. E é “na selva” que o Festival termina para conhecer o caminho de possibilidades para a transformação, quer a partir dos corpos como da mente.

“É possível ver, pela quantidade de estreias nacionais e de artistas internacionais, o grau de exigência na programação, na vanguarda e na contemporaneidade dos espetáculos apresentados. A Oficina tem essa missão pública de correr o risco, de ver mais longe e de abrir portas à população com uma programação cultural que é já tão relevante no nosso território”, partilha o vereador da cultura do Município de Guimarães e presidente d’A Oficina, Paulo Lopes Silva.

A par da programação principal, o Festival conta uma importante componente de atividades paralelas promovidas pela Educação e Mediação Cultural, nomeadamente: conversas pós-espetáculo com Henrique Amoedo, Marco da Silva Ferreira e Akram Khan Company, masterclasses, debates, oficinas, e visitas às escolas com os Embaixadores da Dança: Gaya de Medeiros e Henrique Amoedo. De 1 a 28 de fevereiro, estará patente a exposição Pato Lógico, na Sala Pátria da Casa da Memória de Guimarães. O diretor da Educação e Mediação Cultural d’A Oficina, Francisco Neves, acrescenta: “É muito importante A Oficina enriquecer processos trabalhados nas escolas que mudem o paradigma, em que o corpo também conta e em que procuramos outras formas de expressão”.

Esta edição privilegia de packs de desconto especiais para dois ou mais espetáculos. Os bilhetes estão disponíveis aqui.

Partilhar Artigo: