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2021-03-12T18:32:20+00:00 Bússola, Viagens

Há cada vez mais locais a perder tipicidade devido às alterações climáticas

Alguns dos locais devastados com as alterações climáticas são Veneza, Alpes, Amazónia, Mumbai, Rio de Janeiro, Alasca, Maldivas, Madagáscar, Napa Valley e Key West.
Redação28 Janeiro, 2021
Há cada vez mais locais a perder tipicidade devido às alterações climáticas
Alguns dos locais devastados com as alterações climáticas são Veneza, Alpes, Amazónia, Mumbai, Rio de Janeiro, Alasca, Maldivas, Madagáscar, Napa Valley e Key West.

Por Mariana Sousa Lopes

Mudanças de temperatura, ondas de calor, cheias, subida do mar, inundações e incêndios destroem várias cidades do mundo. Alguns dos locais mais devastados com as alterações climáticas são Veneza, Alpes, Amazónia, Mumbai, Rio de Janeiro, Alasca, Maldivas, Madagáscar, Napa Valley e Key West.

As alterações climáticas são a maior ameaça vivida a nível ambiental, alastram vários problemas sociais, económicos, sociais e políticos. As alterações climáticas acontecem devido à imensa emissão de gases de estufa, como CO2 (Dióxido de Carbono), que acontece naturalmente, mas a intervenção do Homem torna o perigo mais eminente. Os principais fatores que contribuem para emissão de gases com efeito de estufa é a queima de combustíveis fósseis, a desflorestação, aterros sanitários, utilização de fertilizantes com azoto e a atividade pecuária.

Um dos marcos mais importantes para a resolução deste problema foi o Acordo de Paris, assinado em 2015, por vários países a nível mundial, onde o principal objetivo passa por descarbonizar as economias mundiais e limitar o aumento de temperatura média global. A China é responsável por mais de um quarto das emissões, Estados Unidos e União Europeia responsável por 10%.

Em 2018, a jovem Greta Thumberg ganhou grande visibilidade quando adotou as “Sextas-feiras para o futuro”, com o objetivo de apelar à atenção do Governo para cumprir o Acordo de Paris e diminuir as emissões de CO2. Em 2019, mais de um milhão de jovens de 100 países lutaram pelo clima, seguindo o exemplo da ativista. Greta conseguiu tornar-se uma figura de destaque pelo mundo, chegando a receber distinções pela Revista Times, Amnistia Internacional e nomeada para o Nobel da Paz.

Segundo os resultados de 2019 do Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, Portugal encontra-se em 17º lugar, subindo oito lugares desde a última avaliação. No entanto, as organizações responsáveis não indicaram países nos três primeiros lugares, por notarem que nenhum país está a caminhar para os objetivos delineados no Acordo de Paris. Ao longo dos anos, a União Europeia tem prestado uma grande atenção a este tema, criando objetivos a médio e curto prazo, complementadas com o Pacto Ecológico Europeu. As metas da União Europeia para 2030 passam por uma aposta na redução de emissões de gases com efeito de estufa, aumento da quota das energias renováveis e eficiência energética e segurança energética.

Veneza, Itália

Veneza, Itália

Conhecida pela cidade das gôndolas, Veneza tem sofrido vários desastres com as alterações climáticas. Em 2019 suportou uma das maiores cheias dos últimos 50 anos, que inundou 85% da cidade. A Praça de São Marcos encheu e litros de água entraram na Basílica de São Marcos alagando o pavimento e partindo várias janelas. Os cientistas acreditam que fenómenos destes poderão acontecer repetidamente, com o rápido avanço das alterações climáticas, que têm vindo a aumentar constantemente o nível da água. Assim como o solo da cidade, que tem vindo a afundar-se. Prevê-se que esse fenómeno aconteça constantemente até 2100. Em 2020 foi concluída a construção de um sistema de defesa Mose, constituído por 78 barreiras, para impedir as inundações na cidade.

Alpes

Alpes

Um dos grandes ícones da Europa, que anualmente conta com cerca de 50 milhões de turistas, sofre constantemente com desfechos muito negativos das alterações climáticas. Nos últimos 100 anos verificou-se um aumento de 2ºC da temperatura. Desde 1850, perdeu-se metade do volume de gelo, sendo que a diminuição foi de 28% entre 1973-2010 e o prognóstico é de perder aproximadamente 35% nos próximos anos. O Glaciar Trient, próximo da fronteira de França, está quase desaparecido e o derretimento provocará um aumento do nível do mar e a queda de rochas.

Amazónia, Brasil

Amazónia

A Amazónia é uma das áreas com mais biodiversidade do mundo. A floresta tropical corre o risco de se tornar uma savana, devido aos incêndios, desflorestação e a diminuição das chuvas. Esta mudança coloca em causa milhões de seres humanos e animais. Os incêndios florestais de 2019 arderam cerca de 9762 km2 de área. Atualmente, a mudança de temperatura e ondas de calor já colocam o modo de sobrevivência e de vida da população em causa, os pescadores apenas conseguem pescar entre as cinco e as nove da manhã, devido às temperaturas humanamente impossíveis de suportar. Por outro lado, os anos de seca e as chuvas intensas aumentam o nível dos rios em 18 centímetros a cada cheia, em vez dos previsíveis dez centímetros. Todos estes fenómenos causam degradação do sistema de água doce, a perda de solos valiosos para ecologia e agricultura.

Mumbai, Índia

Mumbai

Segundo o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, a Índia será um dos países mais afetados pelas alterações climatéricas. As ondas de calor são cada vez mais frequentes, longas e intensas. Quando as temperaturas atingem os 45ºC é declarada uma onda de calor. Em 2010 foram identificadas 21, oito anos depois existiram 484, que provocaram a morte de 5 mil pessoas. Com todas estas situações, prevê-se um aumento de cinco centímetros de água até 2050, deixando Mumbai com inundações constantes.

Rio de Janeiro, Brasil

Rio de Janeiro

As praias, os bairros e o aeroporto do Rio de Janeiro correm o risco de ser cobertos, pois a compilação do aumento de temperatura proporcionará uma subida do nível do mar de 32 polegadas até 2100. As chuvas fortes começam a ser cada vez mais frequentes. Atualmente, o Brasil é um dos países com maior dificuldade em cumprir o Acordo de Paris. O presidente, Bolsonaro, é alvo de várias críticas sobre o atual estado climático do Brasil. Apesar de em 2019 na Semana do Clima da ONU delinearem o objetivo de existir um desenvolvimento sustentável e a criação do Programa Carbono Zero.

Alasca, EUA

Alasca

Prejuízos das alterações climáticas no Alasca são recorrentes. Em 2016, dez comunidades votaram num referendo para uma mudança de localização, devido às alterações climáticas. A aldeia de Newton já foi obrigada a mudar devido ao degelo.

Erosão costeira, recuo do gelo marinho, altas temperaturas, aumento de temperaturas são algumas das consequências já vividas pelas alterações climáticas. Julho de 2019 foi um dos meses mais quentes da História, com 32.22ºC, mais 5ºC do que nos anos anteriores.

Maldivas

Maldivas

Em 2009, o Governo reuniu-se debaixo de água para sensibilizar o mundo para a ameaça da subida dos níveis de água. De seguida, assinaram o “SOS desde a Linha da Frente para as Nações Unidas”, referindo: “Temos de nos unir num esforço mundial para parar com mais aumentos de temperatura”. Nasheed liderou uma Conferência de Katowice sobre as alterações climáticas e manifestou tristeza por pouca coisa ter mudado: “As emissões de dióxido de carbono aumentam, aumentam, aumentam e tudo o que parece que fazemos é falar, falar, falar”.

Atualmente, mais de 80% das Maldivas está um metro abaixo do nível do mar, a população está muito vulnerável a: inundações, ondulação do mar e fenómenos meteorológicos.

Napa Valley, EUA

Napa Valley, Califórnia

Napa Valley é reconhecida pela produção de vinho, mas está a sofrer cada vez mais consequências das alterações climáticas. Os incêndios têm-se tornado cada vez mais frequentes, devido às altas temperaturas. Em 2020 tiveram o maior incêndio, acompanhado por uma vaga de calor, que destruiu 4.500 hectares de terrenos. Até agora, as elevadas temperaturas não prejudicam o vinho, mas é expectável que as vinhas de Napa Valley se mudem para Washington. O que se traduzirá num grande problema para as empresas e para o turismo.

Madagáscar

Madagáscar

Grande parte da fauna e da flora do Madagáscar foi eliminada no último milénio, outra recente preocupação é extinção de lémures. Madagáscar vive um clima de seca prolongada, inundações frequentes e elevações do nível do mar, que provocaram a destruição de vários habitats.

O país da África Oriental foi identificado como um dos cinco países com maior área propícia a reflorestação, que é importante para a saúde do planeta agora e para futuras gerações. Por outro lado, proporciona uma mudança das comunidades locais, que se adaptam com o cultivo de café e cacau.

Key West, EUA

Key West, Florida

Reconhecido pelas suas inúmeras praias, o futuro de Key West não é o mais positivo em relação ao clima. Além do furacão Irma, em 2017, existem desafios como a previsão da subida do mar até 15 polegadas nos próximos 30 anos, causando inundações. Cientistas temem que as cheias passem a ser diárias, concluindo num desfecho muito complicado para toda a população.

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