Revista Rua

2020-05-06T12:37:18+00:00 Em Destaque, Sabores, Vinhos

Herdade Aldeia de Cima, a preservação de um saber antigo e intemporal

A Herdade Aldeia de Cima assume uma forte procura pela sustentabilidade e o respeito pela terra.
Redação
Redação4 Maio, 2020
Herdade Aldeia de Cima, a preservação de um saber antigo e intemporal
A Herdade Aldeia de Cima assume uma forte procura pela sustentabilidade e o respeito pela terra.

É entre o Alto e o Baixo Alentejo, na zona da Vidigueira, que nasce a primeira vinha plantada em patamares, à semelhança do Douro. A Herdade Aldeia de Cima foi projetada com o intuito de explorar o inigualável potencial deste Alentejo adormecido, fazendo renascer o espírito comunitário da aldeia e produzir vinhos que evidenciem o caráter da serra e dos planaltos. Trazer à memória o melhor dos vinhos complexos, texturados e frescos, com castas portuguesas ou adaptadas ao lugar.

É a 424 metros de altitude que nasce a primeira vinha plantada em patamares tradicionais do Alentejo. Retratar um saber antigo é a premissa deste novo projeto pessoal de Luísa Amorim e Francisco Rêgo, um casal que vive agora este sonho, juntamente com as duas filhas. Conhecedora destas terras que foram outrora propriedade do pai, Luísa Amorim revela desde cedo uma relação de proximidade com o Alentejo. A par da cortiça, um produto também central no seu universo familiar, há 20 anos que o vinho é uma das suas grandes paixões, assumindo a gestão da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, e mais recentemente a Taboadella, no Dão.

Com uma biodiversidade particular, a Herdade da Aldeia de Cima desvenda a implantação de 20 hectares de vinha, respeitando as diferentes curvas de nível das encostas e vales, em dois terroirs distintos: um no planalto e outro na Serra do Mendro. Os vinhos são desenhados na própria vinha, na qual há uma procura constante pela diversidade da oferta, a mineralidade dos solos e as texturas sedosas que a história desvenda.

Sendo o Alentejo uma região de poucos recursos, é sem dúvida uma fortíssima região vinícola nacional, com quase todos os tipos de solos existentes em Portugal. As terras altas da Herdade possuem uma enorme extensão de sobro e azinho e solos tipicamente de aproveitamento mediterrâneo, ricos em xisto e com uma enorme diversidade. Uma equipa de geólogos analisou o património geológico da Herdade Aldeia de Cima e, entre a serra e o planalto, foi possível identificar quatro zonagens distintas, nas quais o objetivo é explorar o melhor de cada tipo de solo. Dois anos após a vindima e numa produção pequena, os vinhos chegaram ao mercado, clássicos e elegantes, preservando a tipicidade do seu lugar, uma vez que são oriundos de solos heterogéneos e de castas indígenas e portuguesas.

Ficou decidido que a gama se estenderia a quatro vinhos, dois icónicos (o Alyantiju Tinto e o Alyantiju Branco) e dois reservas, o Herdade Aldeia de Cima Tinto e o Herdade Aldeia de Cima Branco.

O local escolhido para a construção da adega foi o imponente Armazém das Ramadas, construído em 1953. A sua recuperação foi planeada pelas designers Ana Anahory e Felipa Almeida, do atelier Anahory Almeida, cuja assinatura e bom gosto são facilmente identificáveis pela forma como trabalham a ligação à cultura e ao artesanato alentejano. A Herdade Aldeia de Cima assume uma forte procura pela sustentabilidade e o respeito pela terra – valores que regem todo o processo – privilegiando a recuperação de todo um território, que não se traduz apenas na redução do uso de químicos, mas na recuperação do ecossistema único da Serra do Mendro, contribuindo para preservar este património natural e cultural.

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