Revista Rua

2019-07-26T14:36:28+01:00 Opinião

Idosos atuando nas redes

Humor
João Lobo Monteiro
26 Julho, 2019
Idosos atuando nas redes

Eu, normalmente, já tenho o costume de refletir sobre os grandes temas da vida, mas nesta altura de calor e de férias, dá-me mais tempo para isso. Antes de ir ao assunto que me traz aqui neste mês, tenho de dizer que respeito muito as pessoas de idade. Os idosos. A terceira idade. Os velhos, vá. Eles e elas têm muita coisa para nos ensinar, muita experiência de vida, passaram pela ditadura e por tempos em que uma sardinha dava para quatro, enquanto eu vivo num tempo em que passo a minha sardinha e praticamente todas as espécies marítimas que me possam aparecer no prato. Mas, senhores e senhoras, precisamos de falar sobre o vosso comportamento nas redes sociais.

Desde logo, alguns de vós podem ser surdos, podem falar muito alto na rua ou ao telemóvel com alguém – e falam, é uma verdade -, mas não é preciso transportarem isso para os vossos murais. Tenho uma novidade: a tecla do caps lock dá para desativar e podem escrever assim, como este. Não na parte do brilhantismo, que isso já é pedir demasiado, mas com maiúsculas e minúsculas, como as pessoas normais. Atenção: não é estar a escrever assim, direitinho, e DE REPENTE meterem assim umas MAIÚSCULAS pelo meio. Isso está tão ou mais errado do que ESCREVER TUDO EM CAPS LOCK.

“Pronto, caros anciãos, espero que tenham aprendido com os erros que vos apontei neste texto e passem a agir de maneira consentânea nas redes sociais. Podem até dar like quando isto for publicado, mas não partilhem e deem like na vossa própria publicação. Não sejam velhotes, mas não sejam também jovens de 15 anos.”

Outra coisa que inquieta é caírem sempre, mas sempre, nos textos repassados sobre a política de privacidade do Facebook, que mudou porque a legislação do parlamento de Malta diz que não sei quê. Tenho outra novidade: a partir do momento em que vocês entraram numa rede social, a vossa privacidade acabou. Não é com avisos postados que isso vai deixar de acontecer.

Depois, falemos de fotos. Houve evolução, sim senhor, já perceberam que há uma câmara frontal para tirarem selfies. No entanto, continuam a trabalhar só com o indicador para carregar nos botões. A não ser que tenham artrose, podem usar um polegar, por exemplo, que nada de mal vos acontece. E mais: nada de mal acontece à foto, pelo contrário, até a melhora. Isto se não cederem à tentação de usar excessivamente o zoom, em vez de andarem na direção da pessoa, monumento ou placa de trânsito que pretendem fotografar ou filmar.

Finalmente, as fake news. Todos os internéticos, de todas as idades, podem cair em fake news. Pessoas de todas as idades partilham coisas do Tá Feio e do Tuga Press, o que é errado em várias vertentes, mas não há espaço que chegue para falar sobre isso. No entanto, alguns dos mais jovens sabem quem é a Mia Khalifa, e não partilham imagens a dizer que ela venceu as olimpíadas da matemática e não foi notícia como a transferência do João Félix. Fiquem alerta, mas não pesquisem muito sobre a atividade da senhora, porque pode fazer-vos mal.

Pronto, caros anciãos, espero que tenham aprendido com os erros que vos apontei neste texto e passem a agir de maneira consentânea nas redes sociais. Podem até dar like quando isto for publicado, para ajudar este pobre escriba, mas não partilhem e deem like na vossa própria publicação. Não sejam velhotes, mas não sejam também jovens de 15 anos.

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

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