Revista Rua

2018-12-19T12:04:39+00:00 Opinião

INEM: Integridade, Nobreza, Entrega e Memória

Catherine Pereira
Catherine Pereira
19 Dezembro, 2018
INEM: Integridade, Nobreza, Entrega e Memória

Existem dias onde a força das notícias faz-nos refletir sobre os outros… Os outros que, muitas vezes, passam despercebidos nesta azáfama a que chamamos dia a dia. A notícia de passado sábado, fez-me parar e refletir. Refletir na importância que os outros (mesmo que desconhecidos) podem ter na nossa vida. Aqueles que nas horas mais difíceis cruzam os nossos caminhos, quase que como de anjos se tratassem.

Acredito que cuidar nem sempre é fácil. A responsabilidade de uma vida humana estar nas nossas mãos deve ser um processo complexo e muito exigente, apenas possível para aqueles que se entregam ao outro na esperança de lhes resgatar a vida. E, no passado sábado (como em todos os outros dias), foi assim: a missão de se salvar uma vida foi cumprida, numa viagem que não teria regresso…

Falamos de homens e mulheres que não tendo asas, voam para salvar os outros, onde o tempo e a distância apenas importam para se devolver ao mundo aqueles que, um dia, também podem ser os nossos (ou nós mesmos). E isto bastaria para valorizarmos estes profissionais que se entregam à causa, numa prova de fogo diária onde dar-se aos outros não tem horas, nem espaço.

Hoje, pela memória dos que partiram e pelas centenas que continuarão esta missão, diria que o INEM tem um outro significado, onde a Integridade, Nobreza, Entrega e Memória são valores maiores que, em qualquer ocasião, devem ser lembrados.

O que aconteceu no passado sábado deveria trazer-nos às nossas origens, relembrando-nos da importância que o outro tem e que o trabalho em equipa é, também, uma forma de amor e partilha.

A vida, mesmo que muitas vezes incoerente e injusta, traz-nos sinais de que o tempo é efémero e que é neste tempo entre o nascer e o morrer que devemos ser e fazer o melhor pelos outros… Acho que esta foi a mensagem que estes quatro heróis nos deixaram.

Apesar deste final menos feliz, quero acreditar que o céu precisou de mais anjos sem asas e que o bem que aqui faziam pelos outros continuarão a fazê-lo através de um outro olhar.

Coincidência ou não, os quatro heróis de sábado passado partiram no dia 15, número que no catolicismo representa a décima quinta estação da Via Sacra, que significa a Ressureição. E se acreditarmos nisto, percebemos que estes quatro heróis ficarão para sempre bem vivos nas nossas memórias. Numa eterna imagem, onde “a vida não termina, apenas se transforma”.

Obrigada.

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