Revista Rua

2021-05-04T12:35:40+01:00 Cultura, Outras Artes, Pintura

Julião Sarmento: um eterno legado de uma obra notável e sem limite

Aos 72 anos, vítima de doença prolongada, Julião Sarmento deixa-nos um eterno legado de uma arte que despertava emoções e gritava aquilo que queria dizer ao mundo.
Maria Inês Neto4 Maio, 2021
Julião Sarmento: um eterno legado de uma obra notável e sem limite
Aos 72 anos, vítima de doença prolongada, Julião Sarmento deixa-nos um eterno legado de uma arte que despertava emoções e gritava aquilo que queria dizer ao mundo.

Um dos artistas contemporâneos portugueses mais reconhecidos mundialmente não precisava de biografia para o apresentar. O nome chegava-lhe e em tantos momentos representou o país de uma forma honrosa e notável, numa visão artística e cultural que lhe era muito particular.

Nascido em Lisboa, a 4 de novembro de 1948, Julião Sarmento é um nome conceituado no mundo das artes plásticas em Portugal – e no mundo. Aos 72 anos, vítima de doença prolongada, Julião Sarmento deixa-nos um eterno legado de uma arte – muitas vezes impulsionada pela literatura, o cinema, o digital, a música e a arquitetura – que despertava emoções e gritava aquilo que queria dizer ao mundo. Parte da figura humana para um caminho infinito de possibilidades de expressar os estímulos de uma sociedade moderna, marcada pelo desejo, o erotismo, as relações pessoais ou o voyeurismo, mas também pela violência e a compulsividade, através da sobreposição ou fragmentação intencional de imagens e dos títulos que conferia às suas obras. O resultado é direto: uma fusão eclética e brilhante de uma arte que se assume em diferentes suportes e contextos.

Passada uma breve temporada em Londres (1964-65), retorna à capital para estudar Pintura e Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes. Inicia a sua carreira na década de 70, desvendando um portefólio de renome e identitário, numa idílica conjugação de artes distintas: a pintura, a escultura, o desenho, a fotografias, o som, o vídeo e até a performance. Desde cedo, definiu um contexto artístico de exploração conceptual, associando-se aos campos da fotografia e do filme, paralelamente às artes plásticas. A sua obra foi amplamente exposta em diversos momentos, quer em exposições individuais como coletivas, um pouco pelo mundo, destacando a presença na 46ª. Bienal de Veneza, em 1997, onde representou o país. Anos antes, o artista já teria participado em feiras de arte contemporânea, como Documenta 7 e Documenta 8 de Kassel (1982 e 1987, respetivamente), e na Bienal de São Paulo (2002). Foi ainda distinguido com o Prémio Internacional Il Lazio (Itália), em 2009.

Em 2012, o Museu de Serralves expõe a sua vasta obra, numa exposição que viria a atribuir-lhe o Prémio AICA da Associação Internacional de Críticos de Arte. Em Café Bissau, um livro lançado no ano passado, Julião Sarmento reúne cerca de uma centena de imagens digitais e analógicas – a cores ou a preto e branco – captadas ente a década de 60 e o ano de 2017. Em setembro de 2019, o artista marca a sua estreia numa galeria nova-iorquina, ao expor a obra Undisclosed – que consiste num cubo que se encontra coberto por um pano, com a intenção de esconder “algo que se recusa ser revelado”, segundo a descrição da galeria sobre a peça.

Atualmente, as suas obras podem ser admiradas na Fundação Calouste Gulbeikian e na Fundação Serralves, em Portugal, e no museu Guggenheim de Nova Iorque ou no Tate Modern, no Reino Unido, estando ainda expostas internacionalmente em diversas coleções privadas e públicas pela Europa, no Japão e na América do Sul.

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