Revista Rua

2019-02-28T11:19:21+00:00 Cultura, Música

KRAKE apresenta disco de estreia

Depois de se apresentar em Bristol a 3 março, o músico português chega a Barcelos a 24 de abril com o disco "Clifton Bridges Landscapes".
Miguel Estima28 Fevereiro, 2019
KRAKE apresenta disco de estreia
Depois de se apresentar em Bristol a 3 março, o músico português chega a Barcelos a 24 de abril com o disco "Clifton Bridges Landscapes".

Sob o alter-ego de KRAKE, Pedro Oliveira recolhe inspiração na mitologia nórdica para se aventurar a solo num projeto que, partindo da percussão, explora uma linguagem mais experimental e eletrónica. Pedro vai apresentar no Teatro Gil Vicente, em Barcelos, no próximo dia 24 de abril, o disco de estreia Clifton Bridges Landscapes. A Revista RUA aproveitou a ocasião para conversar com o músico de Barcelos e saber um pouco mais sobre este projeto.

Sempre esteve em bandas com vários elementos, como começou essa aventura na bateria a solo? 

Aconteceu um pouco por acaso. Foi um processo de exploração sonora e de timbres, que me levaram certo dia a pensar porque não construir qualquer coisa a solo. Na altura andava a ser inspirado por tipos como o Julian Sartorius ou o Will Guthrie e fiquei com vontades. Foi uma coisa natural e nada forçada, cheguei à conclusão que aquilo não cabia em nada do que andava a fazer.

Um projeto a solo é sempre um desafio pela solidão em palco ou é um momento de explorar novas sonoridades sem o compromisso de estar com outros músicos em palco?

Penso que acaba por ser ambas as coisas. Há dias em que é realmente um desafio fazeres muitos quilómetros e teres de, sozinho, arranjar argumentos para defenderes o teu espetáculo em palco. Outras vezes acontece uma coisa muito engraçada: as sonoridades que crias vão gerando um caminho que não se estava à espera e ir atrás disso em tempo real é realmente desafiador. Acabo por ir para onde eu quero ou para onde me levam esses sons, quase como as viagens que fazemos sem destino certo.

Apesar de existir um disco físico, existe sempre espaço para o improviso quando se está em palco? Ou é toda uma experiência nova que começa em cada atuação?

Este projeto especialmente só existe com esse espaço para o improviso, é essa exploração que me interessa com KRAKE. Mesmo havendo músicas definidas não é certo que elas vão ser tocadas tal e qual as ouvimos no disco. Aquilo é apenas o ponto de partida que, por vezes, até se torna difícil de encontrar as semelhanças com esse ponto de partida. Por vezes, esses momentos nascem de palavras e não de notas ou ritmos.

“A pré-apresentação do disco será primeiro em Bristol a 3 março e só depois em Barcelos a 24 de abril”

Apesar da referência à inspiração “na mitologia nórdica”, o título do disco parece mais inspirado em Bristol e nas paisagens da cidade Inglesa, incluindo uma ponte, o que leva à parte sempre inacabada da improvisação, sempre à procura de novas sonoridades. É assim?

A mitologia nórdica está relacionada com o nome do projecto KRAKE em alusão a duas coisas: em primeiro lugar, o KRAKEN, o polvo gigante; depois, o KRAKE enquanto onomatopeia associada a ritmo.

O disco é claramente inspirado em Bristol e nos ares que a cidade nos dá. Desde sempre fui influenciado pelas sonoridades da cidade. Dos Portishead aos Massive Attack, passando pelo Tricky ou pelo Roni Size. Todos eles me tiravam o sono quando era mais novo. O ano passado pensei: porque não ir lá gravar? E assim foi. Tive o prazer de o fazer com o Jim Barr dos Portishead e estou bastante satisfeito. Tive a sorte de me encontrar também com bons amigos (Jake McMurchie e Pete Judge) que acabaram por contribuir para aquilo que o disco acabou por ser. Toda a narrativa está ligada à cidade e aos momentos que por lá vivi nesses dias. Este disco e estas sonoridades são claramente o resultado desse caldeirão de som, improvisação, a cidade e os amigos.

O que podemos esperar no concerto em Barcelos onde estará acompanhado por músicos dos Get The Blessing?

A pré-apresentação do disco será primeiro em Bristol a 3 março e só depois em Barcelos a 24 de abril, por isso teremos uma primeira ronda para afinar aquilo que será o discurso narrativo e sonoro desse concerto. Ainda estamos a tentar compreender se o melhor caminho será a utilização de um fio condutor ou se a improvisação geral tendo como ponto de partida as sonoridades do disco e as de KRAKE. Nestas coisas da improvisação uma boa dose de risco normalmente costuma correr bem.

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