Revista Rua

2021-05-12T10:49:52+01:00 Opinião

Maio na História

História
Pedro Nascimento
12 Maio, 2021
Maio na História
©D.R.

Maio é um mês com um marco muito especial na História. Maio celebra o Dia do Trabalhador e o Dia da Mãe. Maio viu nascer Nicolau Maquiavel, um dos fundadores do pensamento e da ciência política moderna. Maio coroou Napoleão Bonaparte Imperador de França. Maio foi o mês em que nasceu Karol Wojtyla, o Papa e agora São João Paulo II.

Mas, de todos os vastíssimos e relevantes acontecimentos que Maio viu brotar, há um que se destaca particularmente pela importância que teve num momento crucial da História Mundial: a 10 de Maio de 1940, Winston Churchill tornou-se Primeiro-Ministro do Reino Unido.

A data em que Churchill chegou a Primeiro-Ministro coincide com a data da invasão alemã dos Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo. Este era um momento em que a “Blitzkrieg” alemã varria completamente a oposição adversária, ao mesmo tempo que a Força Expedicionária Britânica se via encurralada juntamente com os seus aliados franceses, no prólogo de uma derrota anunciada.

Num momento de crise nunca antes experimentado na História do Império, os britânicos estavam na iminência de sofrer uma invasão alemã na sua própria ilha. E Churchill tinha já alertado para esta possibilidade. Aliás, Churchill foi dos poucos que reconheceu precocemente, muito antes do início da Segunda Guerra Mundial, a crescente ameaça que Hitler representava e o primeiro a exprimir as suas preocupações. E foi amiúde criticado por isso.

Na Câmara dos Comuns, Winston notabilizou-se por críticas violentíssimas ao nazismo, rogando diversas vezes ao governo britânico por um investimento na militarização, pois previa um ataque alemão num futuro próximo e temia que o Reino Unido não estivesse preparado para resistir. Mas naqueles dias, Churchill foi acusado de ser um belicista e um alarmista.

E se Churchill foi ostracizado naquele período pré-guerra, muitos estudiosos entendem que o acerto das suas supostas e tendenciosas previsões também foi uma das principais razões que o levaram ao comando dos destinos do país. E em boa hora!

Com a máquina alemã extremamente afinada perante um adversário em vésperas de sofrer a maior derrota da História, quem melhor do que aquele que já previa há anos o que estava a acontecer e que estava ansioso por derrotar Hitler para ocupar o cargo de Primeiro-Ministro?

Este foi o homem que esteve ao leme da Grã-Bretanha durante um dos períodos mais negros da sua História. Churchil incentivou o povo britânico a ter esperança e determinação com os seus inspiradíssimos discursos. E a sua firme recusa de considerar a possibilidade de derrota ou de sequer negociar com os nazis galvanizou a resistência britânica, sobretudo no início da guerra, quando a Grã-Bretanha era a única nação a opor-se verdadeiramente a Hitler.

Churchill deixou-nos também um dos mais brilhantes discursos de sempre – “We shall fight on the beaches” -, na esteira da evasão de Dunquerque: “Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande porção dela fosse subjugada e passasse fome, então o nosso Império de além-mar, armado e guardado pela Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora de Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho.”

O exemplo de Churchill, com uma oratória incendiária, permitiu manter a coesão do povo britânico nas horas mais duras, quando ocorriam bombardeamentos sistemáticos da Alemanha sobre Londres e outras cidades do Reino Unido. O Primeiro-Ministro ia para as ruas com os bombeiros, chorava juntos dos seus compatriotas que perderam familiares, sem nunca se esconder ou envergonhar por isso. Mas também sem nunca perder a resiliência!

Muito mais se passou conforme o tempo correu durante a Segunda Guerra Mundial. Mas Churchill nunca cedeu um palmo na sua visão. Mesmo no momento em que o país estava mais vulnerável, sempre fez frente à Alemanha nazi e nunca por um momento sequer considerou a hipótese de obter uma paz negociada com Hitler.

Este foi definitivamente um acontecimento digno de relevo, no meio de tantos outros ocorridos no mês de Maio ao longo dos tempos. No meio de tantos heróis da Segunda Guerra Mundial, Churchill foi um dos que indubitavelmente se destacou. E se o nazismo viu o dia 10 de Maio de 1940 como o início de uma caminhada triunfante, descobriu por fim que se tratou da sua Némesis.

Nota: O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor

Advogado. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Aficionado por música e desporto. Entusiasta de História Militar e autor da página WWII Stories Group.

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