Revista Rua

2020-10-19T17:41:34+00:00 Cultura, Fotografia

Mais de cem fotografias guardadas, durante várias décadas, encontradas no arquivo pessoal do realizador Manoel de Oliveira

Sem título, Manoel de Oliveira, c. 1944 © Acervo Manoel de Oliveira – Fundação de Serralves
Redação
Redação19 Outubro, 2020
Mais de cem fotografias guardadas, durante várias décadas, encontradas no arquivo pessoal do realizador Manoel de Oliveira

Foram encontradas, no arquivo pessoal do realizador Manoel de Oliveira, – integralmente depositado em Serralves – mais de cem fotografias, na sua maioria inéditas.  Captadas entre finais de 1930 e meados dos anos 1950, esta descoberta revela uma faceta desconhecida do realizador e abre novas perspetivas sobre a evolução da obra do realizador.

A passagem de Manoel de Oliveira pela imagem estática é determinante do seu percurso como cineasta. Em diálogo com o pictorialismo, o construtivismo e com as experiências da Bauhaus, as suas fotografias estão a meio caminho entre a exploração dos valores clássicos da composição e o espírito modernista que animou toda a primeira fase da sua produção cinematográfica.

Sem título, Manoel de Oliveira, c. 1944 © Acervo Manoel de Oliveira – Fundação de Serralves

Investida, quase sempre, de propósitos artísticos, a fotografia é para o realizador um instrumento de pesquisa formal e de experimentação, uma outra modalidade para interrogar, muitas vezes em relação direta com os filmes, a construção de uma linguagem visual própria.

As imagens que agora se revelam acrescentam, certamente, um novo capítulo à história da fotografia portuguesa dos anos 1940/50. Constituem, também, um precioso instrumento para enquadrar o modo como Manoel de Oliveira passa a assegurar, durante um período de dez anos, a direção de fotografia dos seus próprios filmes, bem como para contextualizar, numa perspetiva mais ampla, o rigor de composição que, de uma maneira geral, caraterizam todos os seus filmes.

Olhando para estas imagens, não interessará muito saber onde começa o fotógrafo e acaba o cineasta, nem definir, com precisão, até que ponto o primeiro poderá ter tomado, por vezes, o lugar do segundo. Importará, sim, questionar o modo como esta convivência entre dois modos de pensar, de olhar e de registar se corporiza na obra de Manoel de Oliveira.

Partilhar Artigo: