Revista Rua

2019-10-30T15:51:41+00:00 Atelier, Moda

Manjerica, os Açores ficam-nos tão bem!

A marca portuguesa inspira-se nas paisagens dos Açores.
Andreia Filipa Ferreira21 Outubro, 2019
Manjerica, os Açores ficam-nos tão bem!
A marca portuguesa inspira-se nas paisagens dos Açores.

Teresa Bettencourt é natural da ilha Terceira e é o rosto de uma marca bem portuguesa: a Manjerica. Com as memórias de infância a inspirar as suas sugestões para a marca, a designer açoriana apresenta-nos, nesta entrevista, os seus anseios para um projeto que alia passado e presente, num misto de contemporaneidade e detalhes vintage, com toda a beleza do arquipélago açoriano a conduzir as tendências.

Quem é Teresa Bettencourt e quais os seus principais desejos ao criar esta marca de malas contemporâneas?

Nasci em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira e vivi lá uma infância muito feliz. Aos 17 anos decidi vir para Lisboa estudar Design de Moda na Faculdade de Arquitetura.

Depois de terminar o curso, estagiei no atelier da Alexandra Moura, uma designer que admiro muito e cuja estética me atrai imenso. Já gostava muito de acessórios, e durante o estágio essa paixão aumentou ao participar numa coleção de malas e sapatos para a Alexandra Moura.

Depois de terminado o estágio, decidi juntamente com o meu marido Carlos Elavai, criar uma marca de malas. O nosso maior desejo é ser uma referência no mundo dos acessórios em Portugal e de certa forma, levar o designed and made in Portugal para o mundo. Para além disso, queremos partilhar as nossas vivências nos Açores e expressar o que elas significam para nós de uma forma muito bonita, através de um produto que está intimamente ligado com o seu portador.

Porquê “Manjerica”? E que balanço faz da marca até ao momento?

O nome Manjerica surgiu duma história muito engraçada. Andávamos à procura dum nome que fosse fresco e que tivesse um cunho português. Fizemos uma grande lista e até mostrámos aos nossos amigos, para darem uma opinião. No entanto, não havia nenhum que achássemos ser o certo… Durante os Santos Populares, ao passearmos por Lisboa, passámos junto a um outdoor com um grande manjerico, a anunciar as festas daquele ano. Foi naquele momento que decidi que teria de ser o nome Manjerica, porque para além de ser um nome português e único, era o nome que o meu pai me chamava quando era pequena (ainda hoje em dia me chama).

A marca foi criada em 2011 e a primeira coleção foi lançada em setembro desse mesmo ano. Temos vindo a consolidar a marca no mercado português e a receção do público e imprensa tem sido muito positiva. Podemos hoje dizer que somos uma das melhores marcas de acessórios em Portugal. Desde há cerca de quatro anos que temos vindo a iniciar um processo de expansão da marca para mercados externos. O impacto também tem sido muito interessante, tendo lojas clientes na Austrália, Egipto, Estados Unidos e China.

Quais os principais propósitos da marca Manjerica? Há uma preocupação relacionada com a nostalgia, a memória e as emoções, correto? De que forma é que a Teresa passa essas sensações para as malas?

O nosso maior objetivo é partilhar as nossas emoções e vivências açorianas. Essa nostalgia que temos das nossas memórias de infância, muito ligadas à natureza e à despreocupação típicas duma infância num meio pequeno e isolado, mas extremamente conectado com o meio ambiente e as pessoas.

Tento transmitir essas emoções nas malas principalmente através da cor e das suas combinações. Para além da cor, o tipo e formato de mala é de inspiração vintage. São formas de malas que me recordo de ver no armário da minha mãe quando era pequena e que associo muito a esses tempos de descoberta e de imaginação. Por exemplo, a nossa fivela, tão característica da marca, surge duma memória dum cinto com fivela forrada a tecido que a minha mãe tinha guardado. Portanto, são tudo combinações de memórias que tenho e tento colocar em cada produto.

A beleza do arquipélago está então presente nas sugestões da marca…

Sim, sem dúvida! Nos Açores, toda a paisagem é muito intensa, mas transmite uma sensação de leveza e conexão. Temos um mar com um azul muito interessante que muda de cor quase de minuto a minuto e, logo ao lado, na costa, temos a rocha basáltica preta, sinuosa e quente. Os cerrados verdes, que em certos dias quase parecem fluorescentes, o nevoeiro misterioso que cobre as zonas montanhosas, etc… a natureza açoriana é mesmo muito inspiradora para nós.

Manjerica é então passado e presente, com cores vibrantes e design apelativo. É esta a principal premissa da marca: uma ligação cuidada e alegre entre o vintage e o contemporâneo?

Sim, exatamente. Mas especialmente uma ligação cuidada e bonita entre o passado, que não precisa de ser necessariamente vintage, mas sim a memórias que temos, e o contemporâneo. Hoje em dia, o facto de vivermos em cidades cosmopolitas e estarmos em menor sintonia com a natureza, aumenta a necessidade de nos querermos conectar. E a Manjerica é um pouco isso, podermos voltar a relembrar e a ter aquela nostalgia duma infância e de memórias familiares que nos voltam a conectar e a dar um sentido de pertença. O objetivo é que cada cliente possa voltar a olhar também para o seu passado, “usando-o” através dos nossos produtos no presente.

Pode explicar-nos o seu processo criativo? Como é que surge uma mala Manjerica? Sabemos, ainda, que há um cunho artesanal também, correto?

As malas Manjerica surgem de imagens e memórias que me vão inspirando, especialmente quando estou nos Açores. Por exemplo, todas as vezes que estou no jardim de casa dos meus pais gosto de ir ver as novas flores que vão desabrochando e os novos frutos das árvores que conheço desde infância. Depois disso, vou pegando em imagens de referência e pesquisando cores que acho que fazem sentido dentro da inspiração que tenho. Um dos processos que acho mais interessante é o de combinar as várias cores. É um processo muito intuitivo e sinto grande satisfação quando faço uma combinação que à primeira vista não faria sentido, mas que afinal fica coerente e bastante agradável.

Depois desenho o modelo, faço a sua ficha técnica e envio para a fábrica produzir o protótipo. Após ver como ficou o protótipo e fazer algum ajuste ou alteração, fabricam-se todas as malas nas cores finais. É sempre muito emocionante quando vemos os produtos finais fisicamente.

Onde pode o público encontrar a sua Manjerica?

Poderão encontrar a Manjerica na nossa loja online em www.manjerica.com assim como nas lojas The Feeting Room no Porto e Lisboa, na loja 39A em Lisboa e na loja Tom sobre Tom em Vila do Conde.

Que anseios tem a Teresa para o futuro da marca? Há planos que tencione desenvolver para impulsionar a marca?

Temos como estratégia mantermo-nos fortes no mercado português e aumentar a nossa presença nos Estados Unidos e alguns países da Europa, como a Espanha e Reino Unido.

Para além disso, também estamos a analisar o potencial do mercado asiático que poderá ter uma boa reação ao nosso produto.

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