Revista Rua

2018-05-29T09:05:12+01:00 Cultura, Música

Mano a Mano

Os irmãos Bruno e André Santos, Mano a Mano, atuaram no passado sábado no Santa Luzia ArtHotel, em Guimarães.
Nuno Sampaio28 Maio, 2018
Mano a Mano
Os irmãos Bruno e André Santos, Mano a Mano, atuaram no passado sábado no Santa Luzia ArtHotel, em Guimarães.

Os irmãos Bruno e André Santos são, atualmente, dois dos guitarristas portugueses mais virtuosos. Juntos formam o projeto Mano a Mano, onde buscam transformar e renovar alguns conceitos do Jazz e Bossa Nova. Com uma mistura frenética e ousada de arranjos singulares que nos transportam para um universo de fantasia, os manos Bruno e André, a convite do Live on Tape, apresentaram no passado sábado no Santa Luzia ArtHotel, em Guimarães, alguns dos seus trabalhos. Um concerto intimista, quase familiar, que nos fez lembrar o conforto de uma qualquer sala de estar.

Como é que tudo começou?

Bruno – O meu percurso é o típico de um guitarrista. Ainda na Madeira tive uma banda de Rock e aos dezoito anos comecei a entusiasmar-me com o Jazz e a Bossa Nova por causa do meu professor do conservatório. Na altura andei perdido entre a gestão de empresas e a música e em 1995 fui para o Hot Club da Madeira estudar Jazz. A partir daí fiz um percurso normal, estudei lá, dei aulas lá e estou à frente da escola há uns anos.

André – Eu não fiz o percurso típico dos guitarristas porque fui influenciado pelo meu irmão. Comecei logo pelo Jazz e sempre tive esse gosto especial porque o ouvia lá em casa. Decidi, dez anos depois, estudar também no Hot Club da Madeira. Depois fui para Lisboa e nunca mais parei. Aos poucos comecei a levar isto mais a sério e foi algo que aconteceu naturalmente. Tínhamos uma empatia musical, assim como pessoal muito grande. Começamos a apresentar o projeto ao vivo, apenas para amigos. Depois gravamos o primeiro disco.

Bruno – O primeiro concerto foi em 2009, num conceito ainda de ‘chegar e tocar’. A partir de 2014, quando gravamos o primeiro disco, começamos a definir um rumo e para o segundo disco decidimos assumir o duo totalmente, Mano a Mano.

 Como descrevem a vossa música?

Bruno – A nossa música é influenciada por tudo aquilo que ouvimos e gostamos. Não só o Jazz, mas toda a música que nos rodeia e de alguma maneira nos agrada.

As vossas raízes vêm do Jazz. O Jazz está sempre presente nas vossas composições?

Bruno – Sim. Depois de tantos anos a tocar Jazz é o que sai mais naturalmente.

As vossas musicas passam muito pelo cancioneiro americano e também pela música popular brasileira. Como é que se gere todo este ritmo e atitude, ainda por cima com toda uma precisão e humor à mistura?

André – Tudo isso é muito natural para nós. Os arranjos que fazemos não são nada forçados, são coisas que vão surgindo e partem do nosso imaginário. Em relação ao humor nós gostamos de rir e mandar umas piadas, nem sempre bem-sucedidas (risos), mas fazemos por isso.

Bruno – Todas essas correntes musicais, assim como os nossos originais, tem um fio condutor. Tentamos com que as coisas tenham alguma fluidez para que não andemos muito à deriva. Por essa razão é possível fundir estes mundos todos.

 Qual a importância que vocês atribuem a eventos como o Live on Tape?

 André – Uma importância extrema! A residência artística, a gravação de áudio e vídeo é muito importante para os músicos. Poder fazer uma residência artística durante três a quatro dias, trabalhar descansados sem pensar em mais nada e tocar à noite é muito bom!  Acho que deviam haver mais iniciativas como esta por todo o país.

Bruno – Tudo isso permito-nos desacelerar, tempo para pensar, algo que faz falta. Estas residências são muito importantes para isso.

Nos concertos trazem sempre um pouco da vossa sala.  Como foi a experiência de tocar numa sala (um pouco maior que a vossa), neste hotel com este público?

Bruno – Eu diverti-me muito. Foi como tocar numa sala dentro de outra sala. Quando fomos convidados para tocar num hotel ficamos um bocadinho apreensivos por causa de todo o conceito e direção que estão associados à animação num hotel.  Fomos surpreendidos brutalmente pela positiva!

Projetos e objetivos para o futuro.

André – Continuar a trabalhar com as ideias que tiramos daqui e outras composições e arranjos que vamos fazer. Gravar e continuar a tocar por todo o país e no próximo disco gostávamos de sair de Portugal. Somos nós que fazemos o trabalho todo de agenciamento por isso, neste disco, focamo-nos em consolidar o nosso nome cá. No próximo vamos apostar lá fora também. Vamos tocar eternamente! (risos).

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