Revista Rua

2018-11-08T14:57:24+00:00 Cultura, Música

Mariana Costa Pinheiro

Um talento com sotaque vimaranense
Maria Inês Neto3 Maio, 2018
Mariana Costa Pinheiro
Um talento com sotaque vimaranense

Mariana Costa Pinheiro é uma jovem artista promissora no mundo da música. Natural de Guimarães e com apenas 13 anos, Mariana tem traçado um percurso exigente e trabalhoso que lhe permitiu já algumas conquistas na sua ainda curta carreira musical. Sonha um dia pisar grandes palcos pelo mundo fora, continuar a fazer aquilo que lhe dá mais gosto, aprender tudo o que de melhor a música lhe possa proporcionar e poder encantar as pessoas com a sua arte musical.

O seu caminho no mundo da música teve início desde muito cedo, aos seis anos de idade, altura em que, por influência da avó, Mariana descobre o gosto pela arte musical. Iniciou os seus estudos musicais no Conservatório de Guimarães com o intuito de desenvolver outras competências pessoais, educativas e criativas, sempre numa perspetiva lúcida, e foi lá onde começou por aprender a tocar guitarra com o professor Ricardo Cerqueira. Dois anos mais tarde, pela vontade de conhecer um novo instrumento, aprende a tocar piano com a professora Ingrid Sotorolova, tendo atualmente Simão Neto como professor.

“Até aos nove anos de idade tinha a sensação de não estar a perceber nada de música. De repente, deu-se um click”, afirma. “Com dois instrumentos, acabamos por ter de estudar muito mais e ler um maior número de partituras e isso acho que ajuda a melhorar”, acrescenta. Mariana conta que foi a exigência de começar a aprender um novo instrumento, o piano, que a fez ficar motivada e com vontade de aprender ainda mais sobre a arte musical. Quando questionada sobre o que sente ao tocar, Mariana é rápida na resposta. “Quando toco sinto-me bem. Muito feliz! É algo que me imagino a fazer para o resto da vida”, confessa. Quanto à escolha dos instrumentos afirma que não foi planeada, tendo assim surgido gradualmente de forma inesperada e linear. “Na altura, a minha avó deu-me uma guitarra e eu gostei muito! E prossegui com este instrumento. Como os meus pais também apreciam guitarra, foi muito fácil aprender a gostar deste instrumento. É claro que o professor também ajudou”, partilha. “O gosto pelo piano surgiu mais tarde. O piano é um instrumento que considero esteticamente bonito e com uma sonoridade muito bela. Na altura, por sugestão da professora de piano Ingrid Sotorolova para experimentar, fiquei imediatamente cativada e comecei mais uma viagem musical de aprendizagem deste belíssimo instrumento”, continua.  Mas Mariana não se ficou pela guitarra e o piano. Numa evolução de aprendizagem e contacto com alguns instrumentos foi igualmente desenvolvendo a sua capacidade de canto. “O canto tem vindo a surgir naturalmente. Participei em coros musicais desde muito cedo. Iniciei no grupo coral de Azurém e desde aí tenho vindo a colaborar com outros coros. Quando se chega a uma fase de maturidade musical, sente-se necessidade de desenvolver a técnica vocal. Nesta matéria, a professora Sandra Azevedo tem contribuído e muito para o meu desenvolvimento”, acrescenta.

Com uma agenda preenchida, Mariana destaca algumas dificuldades em conseguir gerir o seu tempo necessário para os ensaios diários e conciliar ainda com a escola, os estudos, os ensaios para concertos e ainda eventos em que participa. Pratica piano, guitarra e canto cerca de duas horas e meia, por dia, para além da escola e das disciplinas musicais nas escolas de música que frequenta. “É uma gestão de tempo e um trabalho árduo de dedicação em que participo com muito agrado”, afirma. Como inspirações musicais, no piano reconhece Bach e Mozart, na guitarra aprecia Francisco Tárrega e Matteo Carcassi e no canto identifica-se com o estilo pop e lírico.

O apoio dos pais é essencial para Mariana que confessa estarem sempre presentes, tanto nos momentos positivos como nos menos bons, e diz ainda que deve a eles tudo o que é hoje. Igualmente importante é o apoio dos professores que acompanham e fazem parte do seu percurso tanto na guitarra como no piano e no canto, e que a ajudam diariamente a evoluir e projetar uma carreira de sucesso. “Na guitarra tenho o professor Ricardo Cerqueira, no piano o professor Simão Neto e na técnica vocal a professora Sandra Azevedo. A professora Janete Costa Ruiz dirige os Jovens Cantores de Guimarães (JCG), de que também faço parte. Todos têm sido incansáveis. O acompanhamento tem sido grande e a disponibilização de apoio também. Todos têm contribuído para o meu crescimento musical. Agradeço os diferentes projetos que conjuntamente nos envolvemos, a confiança depositada, a criatividade, a partilha de saberes e conhecimento. Ao professor Ricardo Cerqueira agradeço o especial acompanhamento, empenho e a disponibilização de tempo da sua vida pessoal para me preparar para os concursos em que participo e me acompanhar no meu crescimento musical”, confessa.

“Ainda não me sinto uma artista. Sei que tenho trabalhado muito. Vou continuar a trabalhar e espero ver o meu trabalho reconhecido. É óbvio que quando tudo corre bem, fico feliz. Mas tenho a consciência que ainda tenho muito que evoluir”, admite Mariana. Do seu percurso, é possível destacar alguns eventos e espetáculos importantes, dos quais Mariana menciona alguns daqueles que a marcaram pelo prestígio e experiência de participação. Em 2012 participou na cerimónia de encerramento oficial de Guimarães Capital Europeia da Cultura, dirigida pelo maestro Rui Massena e promovida pela RTP. Um outro espetáculo que admite tê-la marcado foi a Gala Ibero Americana de Jovens Talentos 2016, no Theatro Circo de Braga. “Tenho integrado estágios de orquestras de cordas que muito têm contribuído para o meu crescimento pessoal”, acrescenta. Participou nas duas edições do concurso A Voz de Pevidém, consagrando em ambas o 3º lugar, e ganhou já por duas vezes o 1º prémio ex-aequo no Concurso Internacional Cidade do Fundão.

Quando questionada sobre projetos futuros, Mariana admite que este ano quer desenvolver as suas capacidades de teatro musical e desta forma adianta que vai participar na peça A Bela e o Monstro, no papel de Bela. “Fazer teatro, decorar as falas, cantar e dançar envolve muito trabalho, mas no final sai um bom resultado”, acrescenta entusiasmada. Mariana pretende manter um foco na sua formação musical que diz ser fundamental para a sua carreira uma vez que acredita que o trabalho árduo e a dedicação são essenciais.  “O caminho é árduo. O trabalho, a dedicação e o dispêndio de tempo é imenso. É preciso gostar! Se gostarem e trabalharem, o talento desenvolve-se e o reconhecimento aparece. Nunca desistam”, conclui Mariana.

Fotografia: Nuno Sampaio

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