Revista Rua

Matias Damásio

“Em nenhuma parte do mundo me sentiria tão feliz como em Portugal. Estou em casa”
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira5 Fevereiro, 2018
Matias Damásio
“Em nenhuma parte do mundo me sentiria tão feliz como em Portugal. Estou em casa”

É um homem habituado aos ritmos quentes africanos e invadiu Portugal com o sucesso do tema “Loucos”, que ainda é cantarolado nas ruas. De Angola diretamente para as bandas sonoras das telenovelas portuguesas, Matias Damásio reúne legiões de fãs por todo o país. Desta vez, os vimaranenses vão poder ouvi-lo de perto, no dia 17 de março, no Pavilhão Multiusos.

Fotografia: Carlos Mateus Lima

Já são dez anos de carreira. Que memórias guarda daquele início dos concursos televisivos e dos festivais da canção em Luanda? Quem era o Matias Damásio dessa altura e o que é que ele pretendia?

Guardo memórias bonitas. Foram os momentos mais felizes do início da minha carreira. Eu era um sonhador e pretendia mostrar o meu trabalho a toda a Angola. Queria cantar e os concursos, naquela altura, eram a única coisa que nós, artistas amadores, tínhamos para fazer ouvir a nossa voz. A memória de ouvir a minha música pela primeira vez na rádio, a memória de festejar com a minha família a minha primeira aparição na televisão e, acima de tudo, a memória de acreditar ao dizer: “Eu chego lá, eu vou lá”. Os concursos foram muito importantes para a minha carreira, guardo-os com muito carinho.

Hoje, quem são as suas principais influências?

Tenho várias influências, desde a música angolana até à música internacional. Eu sou da geração que ouviu muito Filipe Mukenga, André Mingas, Rui Mingas, Bonga, Waldemar Bastos, Teta Lando… É a geração de ouro em Angola que, consequentemente, foi invadida pelo Michael Jackson, Michael Bolton, Whitney Houston, música pop que proliferou pelo mundo inteiro. Também tenho influências do Brasil: Djavan, Caetano Veloso… Eu sou uma pessoa que ouve de tudo um pouco.

Matias Damásio canta o amor. Este é para si o sentimento mais sincero com que se pode fazer música?

Sem sombra de dúvida! O amor é a chave e pode ser a base para resolver os problemas mundiais. É com amor que se consegue tudo, na nossa profissão, na nossa vida, na nossa relação, em família. O amor é o sentimento mais puro! E move montanhas! Não é à toa que esse ditado é antigo. Quando se ama consegue perceber-se e sentir coisas especiais, olhar o mundo de forma diferente, com mais cores, com mais sinceridade e simplicidade. Sinto que o amor é o sentimento base para as minhas canções.

De onde surge a sua inspiração? Acreditámos que escrever músicas que toquem quem ouve não seja uma tarefa simples e fácil.

Não é uma tarefa difícil, é uma tarefa verdadeira. A inspiração é algo muito natural, flui. Tem muito a ver com o momento em que vivemos, com o nosso quotidiano e com a forma como aproveitamos tudo o que está à nossa volta. Eu sei que as pessoas andam na rua e desabafam. Às vezes até falam sozinhas sobre vários assuntos. Nesse desabafo diário fazem muitas canções, mas elas não cantam, não escrevem canções. Eu tenho aproveitado esses desabafos do dia a dia, as conversas que ouço, os sentimentos que vivo e todo o meu quotidiano para traduzir em palavras e dedicar estas palavras à música que dou às pessoas.

A viola acompanha-o em quase todas as suas canções. O som da viola também o inspira na construção das suas músicas, das suas composições? 

Não há Matias Damásio sem viola. Sou trovador e a viola foi o meu primeiro instrumento. As minhas canções sofrem de um processo conjunto, a letra e a música são feitas no mesmo momento. Sempre que eu penso numa canção, eu estou com a viola na mão. Eu sou apaixonado pelo violão. Todo aquele som abafado que sai daquela caixa é sem sombra de dúvidas uma base para suportar todo o sentimento que eu trago das ruas, de casa, de tudo o que eu quero escrever. O violão é um dos companheiros das minhas composições.

Portugal representa para si uma porta para o mundo? Acha que o nosso país pode ser uma rampa de lançamento para o sucesso internacional?

Portugal não é só uma rampa, é um mercado importante. Estamos contentes por estar em Portugal, por todo o carinho. Claro que se vierem outros mercados que Portugal e os fãs de Portugal nos possam ajudar a conquistar, nós ficaríamos muito satisfeitos. Estamos dentro da Europa e isso faz com que nos ouçam por outros cantos. Mas em nenhuma parte do mundo me sentiria tão feliz como em Portugal. Estou em casa.

A canção “Loucos” é um grande sucesso em Portugal. Esperava todo este sucesso com esta canção?

Nunca se espera ter 40 milhões de visualizações e nunca se espera estar nos top’s o ano inteiro. O público surpreendeu-nos! Era impensável imaginarmos que esta seria a música com mais visualizações em Portugal. Esperava que fosse um sucesso, mas não esperava que fosse este mega-hit.

A música com Vanesa Martín também tem tido muito sucesso. Acha que o dueto romântico aumenta o sucesso de um tema? Quer continuar a trabalhar em duetos?

Sim. É sempre uma oportunidade quando se juntam dois artistas, são duas forças. A Vanesa é uma grande artista e sempre que nos possamos juntar para fazer um dueto, será um prazer. Os duetos não são algo que se procura, mas que se encontra. É preciso existir uma empatia entre os artistas. Não sou um artista de muitos duetos, não faço muitas parcerias, mas quero fazer no futuro porque os duetos são sempre importantes.

Tive a oportunidade de ler uma entrevista que deu há meses onde dizia que gostava de ouvir fado. Há possibilidade de algum dia ouvirmos um dueto com um fadista português?

Sim, claro. Num concerto, há dois anos, convidei a Carminho e cantamos o tema “Não me perguntes sobre o amanhã”. Eu gosto de fado, sou fã de muitos artistas: da Carminho, da Marisa, da Raquel Tavares. Acho que o fado é uma música bonita! Traz um sentimento, uma alma, muito puros e específicos. Vou à casa de fados muitas vezes e sinto-me feliz quando ouço as guitarras. Inspiram-me, acima de tudo.

O disco Por amor tem um significado especial?

É o resultado de um Matias Damásio mais maduro. Cada disco é uma aprendizagem, um corrigir de erros dos discos passados. Sinto que o Por Amor é o máximo que conseguimos fazer para estar à altura dos fãs que fomos construindo ao longo de todos estes anos. Estou sempre disposto a melhorar e a desafiar-me.

O álbum Por Amor tem uma edição especial para Portugal. Como sente que o disco tem sido acolhido no nosso país?

Fantástico! É um disco de ouro. Isso traduz o sucesso do CD. Tem singles de platina, tem milhões de visualizações, o disco todo perfaz quase 100 milhões de visualizações. Isso é uma satisfação muito grande! A isto chamamos sucesso! Agora vamos melhorar, com trabalho e dedicação, a cada dia que passa.

Continua a viver entre Luanda e Lisboa? Como tem sido essa vida sempre em viagem?

É uma vida difícil. Luanda a Lisboa são sete horas de viagem, mas compensa muito quando vamos para um espetáculo e temos milhares de pessoas à nossa espera. Todo o esforço que se faz nas viagens é compensado rapidamente pelos fãs, tanto em Luanda, em Moçambique, Cabo Verde, Portugal… Os fãs compensam essa loucura de voos e toda esta luta.

Tem um concerto agendado para o Pavilhão Multiusos, em Guimarães, no próximo dia 17 de março. É um palco por onde já passaram nomes icónicos da música e com capacidade para juntar muitos espetadores. Sente-se entusiasmado com este concerto?

Quero agradecer o convite. Já há muito que queríamos ir a Guimarães dar um concerto. Estou ansioso! Quero, naturalmente, mostrar a minha música, o meu trabalho, a minha banda e tudo o que temos estado a construir nesses últimos meses. Espero que esteja completamente lotado. Quero convidar todas as pessoas a estarem presentes neste dia, queremos fazer uma festa verdadeira, celebrar o ano de 2017, que foi maravilhoso para nós, e desejar um bom ano para todos em Guimarães. Queremos que seja uma comemoração de várias conquistas do ano passado.

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