Revista Rua

2019-10-25T11:08:18+01:00 Opinião

Médio (des)Oriente

Humor
João Lobo Monteiro
25 Outubro, 2019
Médio (des)Oriente

Pelo título, pode parecer que vou falar sobre futebol. Quem me dera, mas não, ainda não consegui arranjar um tema futebolístico que seja abrangente e interessante o suficiente para fazer uma crónica – ou pelo menos, que seja abrangente e interessante o suficiente para o estimado leitor ou estimada leitora, porque para mim é sempre interessante falar de futebol. E tanto que eu tinha para dizer sobre médios desorientados!

Venho é escrever sobre política, o que pode ser igualmente arriscado. Já escrevi sobre religião e sobrevivi, vamos ver se passo nesta. Ora, então, passam-se coisas no Médio Oriente. Tipo, há milhares de anos, mas agora também. À hora em que escrevo isto (que é um domingo, às 14h), os turcos e os curdos estão a fazer não sei quê, por causa de não sei quantos, e o Trump anda a dizer baboseiras contraditórias, sempre com um helicóptero atrás, prestes a descolar, o que lhe levanta o cabelo e obriga a que ele fale mais alto ainda. Very, very loud. De tudo isto, a única parte que de certeza se manterá quando lerem esta crónica é a parte do Trump.

Entretanto, passam-se coisas na Catalunha. Igualmente há muitos anos, mas agora também. Por causa dos tumultos e manifestações, o Barcelona-Real Madrid foi adiado. Era basicamente isto que tinha para dizer sobre a Catalunha, é que me estragaram o programa. Queria também escrever Mossos de Esquadra, porque é melhor nome de polícia no mundo. Seria também o melhor nome de boysband, se alguém pegasse neste nome. E se ainda alguém formasse uma boysband, como se isto fosse 1998. Sobre os presos políticos, só acho que o Puigdemont devia mudar o corte de cabelo, porque aquilo não é cabelo que se apresente em situação alguma, menos ainda tratando-se de um preso político independentista.

Passam-se coisas também no Reino Unido, em que o Brexit já passou a fase de “parecem as gajas a escolher roupa” para… “parece o Brexit”, porque já não há nada acima disto na escala da indecisão. Ao contrário do Puigdemont, o cabelo do Boris Johnson é totalmente adequado à situação, um mil-folhas desordenado, que não sabe se é should I stay, se é should I go.

Como eu costumo ser pelos pequenos e pelas minorias, uma palavra final para o Chega – é mesmo essa a palavra, “chega”, 1% chega e sobra; para a Iniciativa Liberal, que é: põe mais tabaco, líder da Iniciativa Liberal, que isso da marijuana é para o glaucoma, não é para curar a gaguez, e era suposto acalmar-te, não pôr-te histérico; e para o Livre: apr…eeeeee…cio, mu mu mu… muito a Joacine.

Finalmente, passaram-se coisas legislativas em Portugal. O PS não conseguiu maioria absoluta, nem conseguiu geringonçar, ou seja, ficou como aqueles jovens de 16 anos que não são garanhões, nem conseguem coisa nenhuma, mas postam “eu sou mais eu, elogios não me elevam, críticas não me rebaixam”, mas estão um bocado à rasca, na verdade. Para compôr o governo, optaram pela tática “em equipa que ganha, não se mexe” – já é a segunda referência futebolística, afinal consegui falar de futebol. Acontece é que, há quatro anos, o PS não ganhou, portanto esta máxima não faz sentido. Como não fazem sentido o ministro da Educação e a Marta Temido. Olha, rimei.

O PSD (e vamos para a terceira referência futebolística) pensa que isto das eleições é uma eliminatória a duas mãos, em que basta empatar com golos fora e ficar no 0-0 em casa para dizer que ganhou. Não ganhou, não. Mas pior do que isso foi o CDS, um Sporting da política – até pela ligação às elites e os polos sobre os ombros -, que entrou a pensar que ia lutar pelo título, mas só vai mesmo é à Liga Europa, porque ganhou qualquer coisa nos penalties.

Como eu costumo ser pelos pequenos e pelas minorias, uma palavra final para o Chega – é mesmo essa a palavra, “chega”, 1% chega e sobra; para a Iniciativa Liberal, que é: põe mais tabaco, líder da Iniciativa Liberal, que isso da marijuana é para o glaucoma, não é para curar a gaguez, e era suposto acalmar-te, não pôr-te histérico; e para o Livre: apr…eeeeee…cio, mu mu mu… muito a Joacine. Vou adorar que haja tempo de compensação nos debates no Parlamento. Bué referências futebolísticas. Enganei-vos a todos.

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

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