Revista Rua

2018-10-18T11:01:38+00:00 Cultura, Música, Radar

Michael Lauren, o baterista que se apaixonou por Portugal

Miguel Estima
Miguel Estima18 Outubro, 2018
Michael Lauren, o baterista que se apaixonou por Portugal

Nasceu em Nova Iorque, em 1950, e é um dos génios universais da bateria, instrumento que toca desde os oito anos de idade. Com um talento que atravessa géneros musicais, do jazz aos blues, do rock à música clássica, Michael Lauren apresenta-se com os seus All Stars em Lisboa, no The Hot Clube of Portugal, a 7 de novembro, e em Ponte de Lima, no Teatro Diogo Bernardes, a 24 de novembro.

Nasceu em Nova Iorque e estudou nessa cidade considerada das mais cosmopolitas do mundo. Quando se deu essa mudança para Portugal e o que o levou a mudar-se para o nosso país?

Cheguei a Portugal a 1 de novembro de 2003, a convite da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto, para o cargo de professor de bateria. Enquanto educador, como poderia recusar o desafio e a oportunidade de influenciar futuros bateristas num país pelo qual acabaria por me apaixonar?

Colaborou com inúmeros artistas de vários espectros musicais, não se fixando só no jazz. É importante essa mistura de estilos no percurso de um músico ou é uma necessidade que acaba por acontecer?

Cada artista faz a sua escolha no que respeita à direção da sua carreira, por isso, só posso responder pela minha experiência pessoal. Tornar-me um baterista versátil foi uma decisão importante para mim. Adoro ouvir vários estilos musicais e sempre foi natural querer tocar o que ouço. Acredito que quantos mais estilos musicais tocar, mais oportunidades de trabalho surgirão, o que me permite, por sua vez, reunir um vocabulário rítmico mais extenso e rico ao qual posso recorrer quando toco jazz. Pessoalmente, adoro jazz porque posso tocar swing, latin e rock numa mesma música!

Once Upon A Time In Portugal é o primeiro disco com uma formação leader? Quanto tempo leva a um músico conseguir chegar à fase de fazer o seu próprio disco?

Once Upon A Time In Portugal foi o primeiro disco de jazz que gravei enquanto líder, embora no passado já tenha liderado e co-liderado alguns grupos de rock e funk em Nova Iorque. Penso que hoje em dia, com a tecnologia disponível, é muito fácil gravar um disco. No passado, as editoras discográficas decidiam quem queriam gravar e quem não queriam gravar. Por outro lado, os requisitos musicais necessários para um músico gravar eram muito mais exigentes, daí que fossem necessárias muitas horas de treino e de experiência de gravação enquanto sideman, antes que fosse concedida a oportunidade de gravar enquanto líder. Por outras palavras, um músico tinha que merecer a oportunidade de gravar, sendo que o tempo necessário variava de músico para músico.

Os All Stars do Michael Lauren vão ter duas apresentações agora em novembro, sendo uma em Ponte de Lima, no Teatro Diogo Bernardes. Pode falar um pouco do grupo? Como se formou e o que podemos esperar do concerto em Ponte de Lima?

Formei os The Michael Lauren All Stars para criar a oportunidade de tocar a música que gosto, da maneira que me dá mais prazer tocar, acompanhado por alguns dos melhores músicos de jazz português. Procurei por músicos empenhados, dedicados e apaixonados por jazz americano. O concerto em Ponte de Lima será uma apresentação da música do meu novo disco intitulado Old School / Fresh Jazz, enraizado na tradição de Hard Bop. Curiosamente, o lançamento deste disco coincide com o meu sexagésimo-primeiro aniversário enquanto baterista, e como me considero um baterista old school com raízes no Swing, Hard Bop, Rock, Blues, Soul e Funk, decidi que este disco daria foco não só à minha versatilidade, mas também ao estado eclético do jazz contemporâneo, bem como ao talento dos músicos da minha banda. Resumindo, o concerto será essencialmente isso!

The Michael Lauren All Stars
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