Revista Rua

2021-10-19T11:02:01+01:00 Negócios

Microalgas na terra de Profetas – Agricultores de Mar em Terra Atlântica

Na ilha atlântica, a empresa Buggypower é responsável pelo desenvolvimento da matéria-prima designada por biomassa - toda a matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada para produção de energia ou de bioprodutos de alto valor.
Cláudia Paiva Silva19 Outubro, 2021
Microalgas na terra de Profetas – Agricultores de Mar em Terra Atlântica
Na ilha atlântica, a empresa Buggypower é responsável pelo desenvolvimento da matéria-prima designada por biomassa - toda a matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada para produção de energia ou de bioprodutos de alto valor.

Para além da praia de areia fina que se estende por 9 quilómetros, dos inúmeros monumentos geológicos, dos trilhos pelas montanhas e serras e das águas sempre com temperaturas amenas ao longo de todo o ano, Porto Santo, pérola do Atlântico, apresenta também uma das maiores e principais empresas de biotecnologia da Europa. A Buggypower é um dos melhores exemplos do que é apostar no Futuro, medindo bem os riscos que estas novas tecnologias apresentam, tendo em consideração os benefícios e contrapartidas que são garantidos, e não apenas em termos financeiros. Saúde humana, alimentação animal, investigação farmacêutica e cosmética, e, talvez mais importante nos dias que correm, remediação ambiental, são apenas alguns dos setores que a empresa abrange e como tal, a que se propõe, todos os dias a ser melhor e a apresentar resultados de elevadíssima qualidade. Nas infraestruturas da Buggypower, localizadas no Porto de Abrigo do Porto Santo gera-se Vida por via de microalgas, produzindo biomassa para diversos produtos de valor acrescentado, como por exemplo para a marca SkinPerfection (by Bluevert), já apresentada na Revista Rua (Skin Perfection).

Reconhecendo que as algas e microalgas são responsáveis por cerca de 70 a 80% do oxigénio terrestre, e que existem bem mais do que 50 mil espécies reconhecidas, não é de estranhar então que as suas propriedades químicas e biológicas possam estar na base de vários bioprodutos que usamos no dia a dia, desde alimentos a cosméticos.

Na ilha atlântica, a empresa Buggypower é assim responsável pelo desenvolvimento da matéria-prima designada por biomassa – toda a matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada para produção de energia ou de bioprodutos de alto valor -, e que está na base destes produtos finais. Tendo em conta que as algas são organismos marinhos ricos em vários complexos, como ácidos gordos (ricos por exemplo em Omega-3, DHA e EPA), carotenoides e antioxidantes, a sua aplicação na indústria é cada vez mais relevante, não apenas devido à maior procura de alternativas para um estilo de vida mais saudável (por substituição de proteínas animais e consumos excessivos de alimentos que podem estar na origem de problemas à nossa saúde), mas porque também podem ser aplicados ao tratamento de várias doenças, não apenas dermatológicas, mas, de acordo com espécies específicas, doenças também de origem oncológica, cardiovascular e neurológica.

A estrutura física da empresa parece ser simples. Para quem vê de fora, são “apenas” perto de 3000 “tubos verticais”, às vezes preenchidos com um líquido verde ou avermelhado e gás. Contudo, são nestes fotobiorreatores, o seu nome técnico, com oito metros de altura, e nos laboratórios que ninguém imagina que ali pudessem existir que, em sistema fechado (ou seja, não estando em contacto com a atmosfera), são produzidas as várias espécies certificadas: Chlorella, Tetraselmis, entre outras. E para esta transformação são necessários requisitos muito específicos que, felizmente, Porto Santo pode fornecer: sol, luz solar que está na base da fotossíntese a todas as plantas, nutrientes, para alimentar e fazer crescer a produção, água marinha, extraída do mar, mas que após uso é devidamente filtrada e devolvida ao oceano (com especial atenção aos balanços ambientais que devem ser mantidos de forma altamente controlada, garantindo a sustentabilidade da empresa) e CO2 sob a forma de carbono orgânico. É neste último fator que a Buggypower volta a inovar e a surpreender. Com uma capacidade de retenção de pelo menos 85% do CO2 usado como fonte de energia para o crescimento das microalgas e com capacidade de capturar aproximadamente 200 toneladas de CO2 por ano, a empresa usa as emissões deste gás efeito de estufa (GEE) provenientes da Central Térmica da Empresa da Eletricidade da Madeira, que se localiza, literalmente, no outro lado da estrada. Pode não parecer importante, mas, na realidade, com a atual necessidade de redução de emissões de GEE e imposições governamentais para se atingirem as metas específicas definidas para grande parte dos países ocidentais, e sabendo que em Portugal 10% das emissões resultam apenas do setor agrícola (não contabilizando o setor dos transportes públicos e privados), torna-se imperativo encontrar soluções ambientais, sustentáveis e equilibradas que permitam um balanço de massa energético visando uma política de desenvolvimento tecnológico cada vez mais ecológica e verde.

A Buggypower é por isso uma empresa visionária, onde não apenas o seu CEO, Pedro Escudero é o verdadeiro líder, no sentido de angariar e promover mais e melhor para os resultados do trabalho assim como de toda a sua equipa técnica, como também é garantida uma qualidade de excelência, num desafio diário e tecnológico permanentes, onde existe uma verdadeira paixão pelo que se faz, numa área de investigação e desenvolvimento cada vez mais importante em Portugal e para o seu futuro energético.

Agradecimentos: Buggypower e Pedro Escudero pela visita à Unidade de Produção do Porto Santo

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