Revista Rua

2020-01-09T17:22:17+00:00 Bússola, Viagens

Milão: À sombra do Duomo e da moda (parte I)

Iniciámos um roteiro por Itália. A cidade de destaque deste artigo é Milão.
©Fernando Meloni/Shutterstock
Filipa Santos Sousa
Filipa Santos Sousa9 Setembro, 2019
Milão: À sombra do Duomo e da moda (parte I)
Iniciámos um roteiro por Itália. A cidade de destaque deste artigo é Milão.

Itália é um dos destinos turísticos mais conceituados da Europa e do mundo. Todos os anos, um número imenso de visitantes acorre ao país transalpino para se deliciar com as suas maravilhosas paisagens e monumentos sem fim. De Norte a Sul, o território está dotado de mil e um motivos pelos quais merece ser visitado: as célebres Cinque Terre, conhecidas pelas casas coloridas em cima das falésias; Roma, capital do ancestral Império Romano; ou Verona, a cidade do amor proibido de Romeu e Julieta, entre tantos outros.

No entanto, para ‘inaugurar’ este roteiro da RUA por Itália, a primeira paragem é Milão. Situada a Norte, esta é uma das maiores cidades italianas e, ao mesmo tempo, uma das mais extensas áreas urbanas da Europa. A capital da Lombardia atrai com frequência estrelas de Hollywood, cantores, celebridades da ‘nossa praça’ (leia-se, ‘televisão portuguesa’) e jovens influencers, com milhares de seguidores nas redes sociais. A dinâmica industrial, o brilho dos desfiles de moda e o luxo de lojas como Louis Vuitton e Prada fazem deste um local turístico.

©Jozef Mundir/Shutterstock

Olhar sobre a História

Ao contrário de outras cidades italianas, Milão não consta na lista das mais visitadas pela beleza das suas praias ou pelo verde das suas montanhas. De facto, os tons mais presentes são os cinzentos, por isso, este não é o destino ideal para os amantes da natureza. Milão respira tudo, menos a ideia de liberdade e de ar puro. Aqui, sente-se em primeira mão o fervor da massa industrial, que se arrasta há algum tempo. Todavia, não pense o leitor que a cidade se resume ao cinza típico da Revolução Industrial. Por estes lados, também é possível encontrar testemunhos de uma História rica, ex-libris culturais e religiosos.

Para começar, vamos olhar um pouco para o seu passado. Ducado, República, pertença de nuestros hermanos e berço do fascismo são algumas das características que se pode apontar a Milão, ao olhar para trás. Da fundação infame do partido fasci, por Benito Mussolini, que por ironia do destino – ou do acaso – viria a ser exposto como cadáver na praça em frente ao Duomo, reza um percurso com altos e baixos (como em qualquer outra latitude). E é, precisamente, ao Duomo, que vamos dedicar as próximas linhas.

“Com 157 metros de comprimento e 108 metros de altura, o Duomo tem espaço suficiente para acolher cerca de 40 mil pessoas, números que fazem desta uma das maiores catedrais católicas a nível mundial. Com efeito, uma visita à cidade não fará sentido sem um vislumbre ante este imponente monumento”

Duomo, epicentro religioso e ‘apocalipse’ turístico

Como em qualquer cidade italiana que se preze, Milão tem um Duomo (entenda-se, ‘catedral’). Contudo, a diferença é que, para além de ser um dos monumentos mais famosos, este é um dos mais belos exemplares de Arquitetura Gótica do país. Este facto torna o Duomo di Milano num local ainda mais especial.

Com 157 metros de comprimento e 108 metros de altura, o Duomo tem espaço suficiente para acolher cerca de 40 mil pessoas, números que fazem desta uma das maiores catedrais católicas a nível mundial. Com efeito, uma visita à cidade não fará sentido sem um vislumbre ante este imponente monumento.

Apesar de os preços não serem muito caros (ver aqui), a verdade é que para aqueles mais impacientes (e que não querem esperar nas longas filas), um olhar atento em torno do Duomo valerá sempre a pena.

O início da construção da catedral remonta ao século XIV e alastrou-se por mais quatro, culminando num interior repleto de peças para serem admiradas e num exterior cujo expoente máximo é o terraço. Aqui, é possível desfrutar de uma vista panorâmica sobre a cidade.

De epicentro religioso a apocalipse turístico é quase um ápice. Porquê? Ora, não faltam os artistas, mas também os vendedores de rua. Na praça do Duomo praticamente tudo é motivo para negócio: o tirar fotos, o alimentar dos pombos, as pulseiras (apenas a imaginação é o limite!).

No entanto, há mais por descobrir: alguns locais são mais óbvios, outros nem por isso; alguns partilham certa euforia do Duomo (embora sem a mesma loucura), outros apresentam uma relativa tranquilidade. No próximo artigo, a RUA vai apresentar uma outra perspetiva sobre a cidade. Esperem por mais um relato de viagem!

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