Revista Rua

2020-01-14T14:07:28+00:00 Bússola, Viagens

Milão: À sombra do Duomo e da moda (parte II)

Já visitou a Galleria Vittorio Emanuele II ou o Teatro alla Scala?
Milão
Filipa Santos Sousa
Filipa Santos Sousa14 Janeiro, 2020
Milão: À sombra do Duomo e da moda (parte II)
Já visitou a Galleria Vittorio Emanuele II ou o Teatro alla Scala?

Milão, ou Milano como se lê na língua nativa, cidade de desfiles e de lojas de luxo. Afinal, não é à toa que é conhecida internacionalmente como a capital do design. Aqui acorrem artistas, arquitetos e estilistas, sem esquecer os já mencionados milhares de turistas. Como vimos na primeira parte deste relato, a cidade italiana vive à sombra da moda e da imponência do Duomo, centro nevrálgico religioso e histórico, mas tem ainda muito mais por desvendar.

Desta vez, a RUA leva-nos a descobrir um outro lado da cidade, talvez menos conhecido, contudo igualmente belo e requintado. Começámos o roteiro na praça do Duomo e caminhámos em direção à Galleria Vittorio Emanuele II. Neste local, encontramos os afamados estabelecimentos comerciais com lojas onde comuns mortais como a autora deste artigo não fazem compras, como a Louis Vuitton, a Prada, a Gucci, a Chanel e tantas outras, cujos nomes são tão difíceis de pronunciar como os seus preços são de encarar.

Galleria Vittorio Emanuele II

Não sendo possível fazer compras nestes spots de luxo, aconselhamos a olhar para cima (sim, literalmente)! Isto porque a Galleria Vittorio Emanuele II respira arte por todos os poros. Construída no século XIX, este espaço, com um nome dedicado à monarquia transalpina, é visualmente encantador. Por toda a parte, podemos contemplar pinturas belas e requintadas, que nos reafirmam a certeza de estarmos em Milão, a capital do Design.

Seguindo em frente, encontrámos mais uma praça e uns quantos palácios, porém a odisseia de admiração levou-nos diretamente ao Teatro alla Scala. Olhando de fora, o aspeto austero e sem grande apelo visual não deixa antever — para quem nunca ouviu falar — o esplendor que vai encontrar no seu interior. Mesmo assim, e sendo que já trazíamos um conhecimento prévio da elegância possível, nada preparava a vista para o deleite encontrado. Sem dúvida, o ponto favorito de toda esta jornada milanesa.

Inaugurado em 3 de agosto de 1778, o Teatro alla Scala acolheu óperas, concertos e ballets protagonizados por alguns dos melhores artistas de cada tempo (porque o tempo não pára). Adquirir um bilhete para um espetáculo será difícil, uma vez que esgotam com facilidade. No entanto, por apenas nove euros, o leitor poderá visitar o Museo Teatralle alla Scala, onde se explora ao pormenor o passado, presente e futuro deste espaço. Para além disso, os visitantes têm direito a contemplar o palco principal, onde os vermelhos e dourados vislumbram a vista.

Continuando nesta senda cultural e burguesa, fomos até ao Castelo Sforzesco. Para um português ou espanhol, este edifício dificilmente seria chamado de castelo, mas por estes lados  há muitos do género (cada um mais esquisito do que o outro). Constatações ibéricas aparte, o castelo surgiu no século XIV às mãos da família Visconti, uma das mais poderosas de então em Milão. Contudo, a partir da segunda metade do século XV, o castelo passou para a família Sforza, transformando-se numa sede ducal, com uma corte de tal ordem proeminente que por aqui passou Leonardo da Vinci, um dos maiores ícones do Renascimento.

Castelo Sforzesco

Ao mesmo tempo que visitar o Castelo Sforzesco, aproveite para visitar os muitos museus municipais que aí se encontram, sendo que o destaque merecido recai no Museu de Arte Antiga. Aqui, é possível contemplar de perto uma das maiores obras de arte de sempre — na nossa humilde opinião —, falamos, pois, da Pietá Rondanini, de Michelangelo. Depois de encher ‘a barriga’ e a mente de arte, seguimos viagem para o Parco Sempione. Este antigo bosque de caça da família ducal é hoje sede do maior pulmão verde de Milão. E é, precisamente, aqui que descansámos de costas para a moda e de frente para a tranquilidade.

Do Duomo ao Teatro alla Scala, entre galerias de arte e de moda, percorrer Milão é divagar entre o antigo e o moderno, a cultura e o design. Se decidir ir conhecer a cidade, não descure a oportunidade para absorver o ambiente, mesmo que o ar cosmopolita não seja o seu favorito. Lembre-se: no final do dia pode recarregar baterias no Parco Sempione, um verdadeiro recanto (de encantos) para fugir à loucura do turismo.

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